Dólar alto faz Grêmio perder seus alvos preferidos e afasta gringos

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Juan Mabromata/AFP

    Gustavo Bou, do Racing, não jogará no Grêmio por conta do alto valor de negócio

    Gustavo Bou, do Racing, não jogará no Grêmio por conta do alto valor de negócio

Não está fácil contratar. Esta é a avaliação do Grêmio sobre o mercado da bola. Considerando valores inflacionados, com dois reforços anunciados e perto de fechar com o terceiro, o Tricolor se vê longe de seus nomes prediletos. O dólar multiplica os valores de jogadores estrangeiros e afasta alvos prediletos.

"Quanto mais se tem capacidade orçamentária, é mais fácil fazer futebol. O mercado, e sempre analisamos nossos adversários, todos estão com dificuldade. Alguns clubes ainda estão perdendo jogadores, o que é mais grave. Estamos tentando uma relação custo-benefício favorável", explicou o diretor executivo de futebol do clube, Rui Costa. 
 
A lista de prediletos que já saíram da pauta gremista é longa. O meia Zelarrayán, o atacante Fernandes, o centroavante Barcos, o goleador da última Libertadores, Gustavo Bou. Todos analisados e posteriormente descartados por conta do alto valor. 
 
E até mesmo jogadores 'menos badalados' como Alán Ruiz, que pertence ao San Lorenzo, soam distantes do clube azul, branco e preto. O que une todas alternativas é o fato de não serem brasileiros, algo que dificulta ainda mais qualquer negociação. 
 
Isso porque jogadores estrangeiros chegam ao país com contratos em dólar. Salários, luvas, pagamento ao clube dono dos direitos, tudo é feito na moeda americana. Hoje, a cotação gira acima dos R$ 4. Ou seja, um jogador que custa US$ 1 milhão e tem salários de US$ 200 mil sai por R$ 4 milhões e R$ 800 mil de salário. 
 
Isso afasta até possíveis investidores. No caso do argentino Gustavo Bou, o Tricolor chegou a pensar em buscar um investidor para emprestar o dinheiro para parte do pagamento. Mas o jogador custaria US$ 8 milhões (R$ 32,4 milhões). Os salários do jogador ficam próximos dos US$ 150 mil mensais (R$ 607 mil). Fora do teto salarial gremista que é de R$ 200 mil e superior até ao esforço planejado e oferecido a Luís Fabiano que era R$ 550 mil. 
 
"Ele (Bou) tem características interessantes. Encontramos ele lá no sorteio dos grupos da Libertadores, é um jogador muito solícito. Mas tem que combinar uma coisa: o preço. É um jogador de US$ 7 ou 8 milhões. Totalmente fora da realidade do Grêmio", admitiu Rui. 
 
E a resposta caberia naturalmente a qualquer outro dos gringos que acabaram distantes de Porto Alegre. Mesmo com a preferência do clube, que sempre contou com jogadores de fora do Brasil e foi um dos líderes do movimento pela ampliação do número de jogadores de outras nacionalidades aptos a jogar em cada equipe do futebol brasileiro. 
 
Sem os alvos preferidos, o único gringo que sobrou no grupo é Braian Rodríguez, que já foi até liberado para procurar outra equipe e enquanto não encontra fica treinando com seus companheiros e sob contrato com o Grêmio. 
 

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