Provocação, ira da torcida e zoação. Os últimos dias André no Atlético-MG

Victor Martins

Do UOL, em Belo Horizonte

  • Xinhua/André Yanckous/AGENCIA ESTADO

    Último jogo de André pelo Atlético-MG foi em fevereiro de 2015, contra o Atlas-MEX, pela Libertadores

    Último jogo de André pelo Atlético-MG foi em fevereiro de 2015, contra o Atlas-MEX, pela Libertadores

Decepção. Fracasso. Erro. Arrependimento. Qualquer uma das palavras descrevem e muito bem a passagem de André pelo Atlético-MG. É verdade que o atacante ainda faz parte do elenco alvinegro e tem contrato até o final de junho, mas dificilmente vai ser aproveitado pelo técnico Diego Aguirre em 2016. Especialmente após as recentes postagens no Instagram. Na primeira delas uma foto com a camisa do Atlético, mas sem o escudo do clube. Uma clara provocação de quem deseja deixar a Cidade do Galo o mais rápido possível.

Já apalavrado com o Corinthians, André tenta se desvincular da equipe mineira. No entanto, o Atlético prefere ter de arcar com os salários do atleta ao o dia 30 de junho do que liberá-lo sem custos ao rival que também vai disputar a Copa Libertadores. Mesmo que isso custe cerca de R$ 1,5 milhão aos cofres atleticanos, referente aos vencimentos do atleta até o fim do contrato.

A foto com a camisa do Atlético sem o escudo do clube ficou pouco tempo em exibição. Com centenas de críticas, quase sempre com xingamentos impublicáveis, André apagou a postagem. Mas pouco tempo depois uma resposta aos atleticanos. A fotografia de uma senhora mandando um beijo e o recado de "boa noite".

Reprodução/Instagram
André apaga símbolo do Atlético-MG em montagem no Instagram

O suficiente para outra enxurrada de xingamentos, críticas e até ameaças. Em seguida um número de celular ligado a André já estava nas redes sociais. Um triste fim para o jogador que está na história do clube. Mas não pelos feitos dentro de campo, mas por se tratar da contratação mais cara do futebol mineiro. A operação total que envolveu a chegada de André à Cidade do Galo, entre 2011 e 2012, girou em torno de 8 milhões de euros (R$ 20 milhões na cotação da época).

Muito dinheiro para poucos gols. Foram 32 em 81 partidas com a camisa alvinegra. Em quase cinco anos de vínculo com o Atlético, André esteve emprestado em três oportunidades, para Santos, Vasco e Sport. Somadas as passagens por outras agremiações são mais de dois anos longe do Atlético, além dos meses afastado pela diretoria, por aprontar na noite de Curitiba, em novembro de 2014.

"Quanto menos eu jogo, mais fica difícil provar que tenho condições para estar em campo. Atacante precisa jogar para fazer gol. Claro que eu fico chateado por não estar fazendo algo que se espera de mim. Me sinto inútil. Mas não rola vaidade, não", declarou o atacante ao UOL Esporte, em abril de 2015.

Com certeza o grande momento de André em Minas Gerais foi no primeiro semestre de 2012. O Atlético foi campeão mineiro invicto e o camisa 9 o goleador da equipe, com dez gols. Titular em 14 das 15 partidas. A exceção foi a partida final, já que estava suspenso e acompanhou os minutos finais do jogo à beira do gramado. Vitória por 3 a 0 sobre o América-MG, título confirmado e busca por outro centroavante.

Foram 14 gols em 18 jogos, mas mesmo assim Cuca pediu para que o Atlético buscasse Jô, então encostado no Internacional. A expulsão na segunda rodada, na vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians, só facilitou as coisas para o então treinador atleticano. André saiu do time e não voltou mais. Não demorou para ser emprestado ao Santos, clube que o revelou e pagou R$ 5 milhões ao Atlético para comprar 25% dos direitos do jogador.

Nem o retorno à Vila Belmiro ou a chance de jogar no seu estado natal, pelo Vasco da Gama, foram suficientes para retomada da carreira que teve até convocação para a seleção brasileira, no primeiro semestre de 2010, sob o comando de Mano Menezes. A redenção veio no Sport, com 13 gols no Campeonato Brasileiro. Disputado por grandes clubes, André voltou a ficar valorizado e o próprio Atlético chegou a falar em renovação.

Nada feito. André quer deixar Belo Horizonte, de preferência bem antes de junho. Para amenizar um prejuízo de R$ 15 milhões, o Atlético quer receber algo em troca. O Corinthians, próximo clube do André, não quer pagar nada e conta com a pressão do jogador. A saída é uma questão de tempo. Resta a definição se vai ser ainda em janeiro ou somente em junho, pois André não deve mais jogar pelo Atlético. 

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