Dudu festeja comparação com Edmundo e fala em tatuagem do Mundial

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

O número 7 às costas, o temperamento explosivo e os gols decisivos ganharam outra versão no Palmeiras a partir da chegada de Dudu, ainda no começo de 2015. Ao ser comparado com Edmundo, o atacante e herói alviverde na final da Copa do Brasil mostra satisfação e diz que ainda falta muito para se tornar um ídolo.

Fora de campo, Dudu se transforma em Eduardo Pereira Rodrigues. As palavras saem com dificuldade, em tom baixo e frases curtas. Nelas, o jogador torna evidente como é a sua versão família. O homem de 24 anos coloca os filhos acima de tudo e mostra mágoa ao falar do pai que nunca conheceu. 

Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o atacante do Palmeiras também relembra as polêmicas de 2015 e o sucesso na reta final da temporada -- Dudu terminou 2015 como o artilheiro do Palmeiras. O jogador ainda deixa escapar um sonho para os próximos meses: fazer uma tatuagem em homenagem à Libertadores e ao Mundial.

UOL Esporte: Alguns torcedores te comparam com o Edmundo. Você joga com a 7, é explosivo e agora, como ele, marcou dois gols numa final. Concorda com isso? Dudu é um pouco Edmundo?

Dudu: Pode ser, fico feliz com a comparação, pelo que ele representa para o clube e pelo que ele foi aqui. Espero seguir os caminhos dele, as coisas boas que ele fez aqui, os títulos que ele conquistou. Espero fazer isso esse ano, no ano que vem, o tempo que eu estiver aqui. Espero continuar dando alegria para a torcida.
 
O Corinthians quase anunciou sua contratação no começo do ano. Como seria se fosse jogador do time rival?
 
Nunca passou pela minha cabeça, não penso nisso. Estou no Palmeiras, o foco é aqui. Só me imaginei jogando aqui e está muito bom. Não me arrependo de nada. Tenho orgulho de vestir essa camisa e de entrar naquele estádio. A torcida me apoiou desde o começo, desde o primeiro dia. Só tenho a agradecer a eles pelo carinho. Espero continuar retribuindo com títulos, gols e vitórias.
 
Você acha que o investimento de R$ 18 milhões e o esforço do Palmeiras para dar um chapéu nos rivais, como foi dito, valeu a pena? Toda essa história te deixou pressionado?
 
Tudo tem seu tempo. No primeiro semestre, quando cheguei, muito jogadores chegaram e tivemos de nos entrosar. Eu acho que fomos melhorando. O Marcelo Oliveira também conversou muito comigo. A gente melhorou muito com ele. Esperamos que possamos continuar no mesmo ritmo do segundo semestre, a partir da estreia no Paulistão, dia 31.  
 
Você se arrepende do empurrão pelas costas no árbitro Guilherme Ceretta de Lima na final do Campeonato Paulista?  
 
Me arrependo por ter feito tudo aquilo. Foi difícil aquele período, de poder ficar suspenso. Foi muito ruim para mim. As coisas não podem ser assim. Tenho certeza que nunca mais vai acontecer. Nunca mais. 
 
Gostaria de falar algo para ele? 
 
Não precisa. Deixa ele lá e eu aqui. Deixa ele seguir o caminho dele lá e eu o meu aqui. 
 
Foi o momento mais duro da sua carreira?
 
Sim, foi muito triste para mim e para todos. Muitos falaram que eu era jogador-problema, que não ia dar em nada. Graças a Deus no fim do ano pude dar a volta por cima e conquistar o título.
 
Quais críticas doeram mais?
 
Muitos falaram que o investimento não tinha valido a pena, que eu era jogar problemático. Mas no fim do ano eu ajudei a trazer a felicidade e o orgulho para o torcedor do Palmeiras. 
 
Qual a diferença entre Oswaldo de Oliveira e Marcelo Oliveira? Qual você prefere? O Oswaldo é campeão da Copa do Brasil 2015?
 
O Marcelo me cobrou e falou para eu entrar mais na área. Cobrou para eu encostar mais no Lucas, para fazer tabela e ficar mais próximo do gol. Deu muito certo. Fiz os gols na final e terminei a temporada como artilheiro do time. Espero repetir esse ano. 
 
Acostumou jogar centralizado no meio-campo?
 
Acostumei. Prefiro agora, tem de jogar como tem dado certo. Estou fazendo gols. Prefiro ficar ali, já falei isso para o Marcelo. Mas se tiver que jogar na beirada, eu jogo também. Tem de ver o que é melhor para o Palmeiras.
 
Está no melhor momento da carreira?
 
Sim. Quero manter esse momento e fazer muito mais pelo Palmeiras.
 
Muita gente o acusou de jogador destemperado após o que aconteceu na final do Paulista. Você concorda com quem diz que você perde o controle emocional? 
 
Às vezes tenho de me controlar. Mas acho que tenho de ser eu mesmo. Sou assm: não gosto de perder, não gosto de perder nada. Temos de ganha sempre e ficar focado no jogo, por isso sou desse jeito. Nunca vou mudar de ser, minha vontade de vencer. 
 
Vimos os jogadores palmeirenses após o título fazerem críticas frequentes a imprensa. O que gerou essa revolta tão dos atletas do elenco?
 
Antes dos jogos muitos falaram que o Santos já era campeão, que iria humilhar o Palmeiras. As coisas não são assim. Nosso time suportou bem e superou tudo isso. Mexeu com o grupo, mexeu com todo mundo. Falaram que já poderia dar a taça para eles e nem precisava ter jogo. Não é assim que funciona. Poderia ser diferente desde o primeiro jogo, se o juiz tivesse dado pênalti para nós (em Barrios). Agora é esquecer isso, é um novo ano. Não vai adiantar nada se a gente sair na primeira fase da Libetadores e não ir bem no Brasileiro. As pessoas podem esquecer o que fizemos no ano passado.
 
Achou o grupo da Libertadores forte?
 
Sim, mas o grupo é forte. Vai ser muito difícil para eles jogarem no nosso estádio, com a nossa torcida. Espero que a torcida faça em todos os jogos da Libertadores aquilo que fez na final. Vai ser muito bom para nós. Vai ajudar muito. Esperamos classificar na primeira fase para depois pensar no mata-mata.
 
Você já se considera um ídolo da torcida?
 
Acho que não. Para ser ídolo tem de ganhar muito mais coisa. Fazer muito mais pelo clube, Estou no começo ainda. Quem sabe um dia.
 
Por que tantas tatuagens? Pensa em fazer mais? Uma em homenagem ao título talvez...
 
Não fiz ainda, não. Vou esperar um pouco. Quem sabe não posso fazer da Libertadores e do Mundial. Seria bem melhor.
 
Seus filhos (Cauê, de quatro anos, e Pedro Henrique, de dois ano) sempre o acompanham nos treinos, no estádio. Como é tê-los por perto no ambiente de trabalho?
 
A família da gente é sempre um apoio para mim. É tudo para mim. Todo jogo eles estão no estádio torcendo o mim. Quero vencer para eles voltarem para casa felizes. Quando fico longe deles, fico morrendo de saudade. Tenho certeza que daqui a alguns dias vamos estar perto de novo. 
 
Como é a sua relação com a família? 
 
Fico mais em casa com eles. Brinco, levo na escola. A gente vai na piscina, no shopping. Todo mundo fala que eles parecem comigo, mas parece com a mãe também.
 
Pretende procurar seu pai um dia?
 
Não, ele nunca me procurou, nunca falou comigo. Não tenho vontade, nunca precisei dele. As pessoas que cuidaram de mim me deram amor de pai e de mãe.

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