Ele deixou o Corinthians, foi estudar economia e agora joga nos EUA

Rodrigo Garcia

Do UOL, em São Paulo

O sonho de todo garoto que pertence à categoria de base de um grande clube é chegar ao profissional. Caso ele jogue em algum dos grandes times do país, a chance de abrir mão do sonho é maior ainda. No entanto, um jovem zagueiro da base do Corinthians optou por abrir mão do clube paulista para tentar a sorte de outra forma: estudando economia nos Estados Unidos.

Ivan Magalhães, único brasileiro escolhido no Superdraft da MLS (Liga norte-americana de futebol) em 2016, começou a carreira no São Paulo aos 10 anos, onde permaneceu até completar 13. Após uma passagem de três anos pelo Grêmio Barueri, foi contratado pelo Corinthians, onde disputou sua primeira Copa São Paulo de Futebol Junior em 2013. Todavia, quis a vida que ele trilhasse um novo destino em busca de seu futuro.

Reprodução/Facebook
Ivan recebe medalha durante sua passagem pelo São Paulo

"No Brasil é complicado, o pessoal sobe para o profissional muito cedo e eu não estava tendo muitas oportunidades no grupo de cima. Eu poderia ter continuado no Corinthians jogando pelo sub-20, poderia ter sido emprestado para times menores, só que, no Brasil, não dá pra estudar e jogar ao mesmo tempo", declarou o jogador em entrevista ao UOL Esporte.

Reprodução/Facebook
Ivan (à esquerda) em ação com a camisa do Corinthians

Com poucas oportunidades na equipe principal, Ivan optou por seguir um novo caminho. O atleta foi procurado por uma empresa que intermedeia intercâmbios de jovens atletas para cursar universidades nos Estados Unidos em troca de bolsas esportivas. Após refletir sobre a possibilidade, Ivan decidiu aceitar o novo desafio e partiu para a Flórida, aos 19 anos, para sua primeira experiência longe da família e dos amigos.

"Eu cheguei em agosto de 2013 à Flórida, pois lá a temporada começa no meio do ano. Foi difícil no começo porque foi minha primeira vez morando sozinho, longe da família e de todos. Tinha feito inglês no Brasil, mas nunca tinha falado. Mas o pessoal do time foi muito receptivo, todo mundo muito amistoso e eu me dei bem com o pessoal, então a transição foi tranquila. Meus técnicos também me ajudaram bastante no processo de adaptação, de morar sozinho e tudo mais", avaliou Ivan.

O melhor por dois anos

Reprodução/Site oficial do Houston Dynamo
Ivan Magalhães foi escolhido pelo Houston Dynamo no Superdraft 2016 da MLS

A primeira etapa de Ivan no futebol americano começou no Junior College, que seriam aulas básicas que os alunos têm antes de ir para a universidade. Durante os dois anos em que cursou a Eastern Florida State College, Ivan foi eleito o melhor zagueiro da liga, o que despertou o interesse o treinador da Universidade de Maryland, uma das mais conceituadas do país no âmbito esportivo e educacional.

No entanto, a experiência de Ivan em clubes brasileiros quase prejudicou sua trajetória no futebol norte-americano. A primeira divisão da NCAA (Associação Atlética Universitária Nacional) tem regras mais rígidas e Ivan, por já ter jogado dois anos no Brasil, não poderia atuar por dois anos pela Universidade de Maryland, tendo apenas uma temporada para demonstrar seu futebol. Mas, em apenas seis meses, Ivan disputou as 22 partidas da equipe, que sagrou-se campeã da temporada, marcou um gol e ainda deu uma assistência, sendo escolhido para disputar o "Combine".

"Como eu não poderia jogar mais pela universidade e já estava disponível para o draft (processo em que clubes profissionais escolhem atletas que estão saindo da universidade), fui chamado para jogar o Combine, que é quando os melhores jogadores da temporada jogam entre si, diante de todos os técnicos da MLS.", revelou Ivan.

Após a partida, Ivan foi procurado por treinadores da MLS para ser parabenizado por seu desempenho e atitude em campo, o que lhe deu esperanças de conseguir uma vaga em alguma equipe profissional. Colocado no round 2 de escolhas do draft, Ivan não demorou para ser escolhido pelo Houston Dynamo. Após a escolha, o primeiro a rasgar elogios ao zagueiro foi Owen Coyle, treinador da equipe.

"Eu fiquei muito feliz de saber que poderia contar com ele quando vi que ainda estava disponível. Ele é canhoto, muito bom defensor, aguerrido e sente-se confortável com a bola. Ele é um jovem garoto com um potencial enorme", declarou o treinador, que foi seguido por Matt Jordan, diretor geral da equipe.

"Ele é naturalmente canhoto, tem boa recuperação e mantém um bom ritmo. Ficamos surpresos quando vimos que ele ainda estava disponível no segundo round, nós já logo aproveitamos e fomos para cima dele. Não é fácil achar um zagueiro central canhoto. E isso nos chamou atenção nele. Ele trabalha duro, tentou a vida aqui, ele fala inglês perfeitamente, é um aluno acima da média e uma pessoa muito boa", declarou Jordan.

Ainda faltam um ano e meio para que Ivan se forme em economia, que foi o que o levou aos Estados Unidos. Mas o sonho de se profissionalizar já é uma realidade. Mas, engana-se quem pensa que os estudos ficarão de lado.

"A Universidade de Maryland vai manter a minha bolsa de estudos, pois estou indo jogar no profissional. Eu posso voltar e terminar os estudos quando for mais conveniente para mim. Eu pretendo fazer minha carreira aqui, me estabilizar e, quem sabe, um dia ser referência no país", concluiu Ivan, que se espelha no capitão da seleção brasileira, Miranda, para evoluir seu jogo. 

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