Por que Corinthians e Cruzeiro ignoraram críticas e fizeram troca atípica

Dassler Marques e Enrico Bruno

Do UOL, em Orlando (EUA) e Belo Horizonte

  • Julia Chequer/Folhapress

    Marciel comemora gol feito no Fluminense: a caminho de Belo Horizonte

    Marciel comemora gol feito no Fluminense: a caminho de Belo Horizonte

Trocas de jogadores costumam preocupar dirigentes: desde que Neto virou um dos maiores ídolos da história do Corinthians e Ribamar se tornou mico para o Palmeiras, a dúvida está no ar. No caso da atípica operação que leva o jovem e inexperiente Marciel para o Cruzeiro e faz do já rodado Willians reforço corintiano, não foi diferente. 

Na última terça-feira, logo após o anúncio oficial, a cúpula cruzeirense brincava entre si sobre a impopularidade da transferência para ambos os clubes. O Corinthians é cobrado por abrir mão de uma promessa em troca de um jogador descartável na avaliação do treinador celeste Deivid. Em Belo Horizonte, o questionamento é como se enviou um titular da temporada 2015 em troca de um atleta que não possui 10 partidas como profissional. 

Exatamente na mesma hora em que o Cruzeiro confirmou a operação, o gerente corintiano Edu Gaspar concedia entrevista coletiva e explicava seu ponto de vista. Ele revelou incômodo com a reação à transferência e deu o ponto de vista alvinegro. Com a saída de Ralf para a China, a necessidade de um volante com pegada se evidenciou para Tite. A avaliação é de que Willians pode dar respostas imediatas, sobretudo na Copa Libertadores. Afunção de meio-campo mais defensivo do 4-1-4-1, hoje, só poderia ser executada por Cristian e Bruno Henrique. A marcação é o ponto fraco de ambos.

Em contrapartida, segundo a concepção de Edu Gaspar, as oportunidades seriam limitadas para Marciel. Mesmo com as saídas de tantos jogadores, o gerente vê o momento de entressafra do elenco como  inadequado para o lançamento de jovens, o que segue como o calcanhar de Aquiles do Corinthians. Curiosamente, a afirmação de Edu como volante vindo das divisões de base se deu exatamente neste cenário. Em 2000, na Libertadores, com a saída do capitão Freddy Rincón para o Santos. 

No Cruzeiro, o ponto de vista é exatamente oposto. Foi o jovem diretor executivo Thiago Scuro quem, abordado pelo Corinthians para ceder Willians, imediatamente impôs Marciel como condição. Não houve, em qualquer momento, discussão sobre outros nomes. O Cruzeiro entende que terá Ariel Cabral e Henrique como prioridades para a função: são jogadores com altos salários e rodados, então não faria sentido ter mais um volante considerado caro. A prioridade administrativa cruzeirense, para 2016, é justamente enxugar a folha.  

No projeto de equipe desenhado por Deivid e pela direção, Marciel se encaixa. O Cruzeiro quer uma equipe jovem, com transições defensivas e ofensivas rápidas, bola no pé e que faça pressão no adversário quando com a posse de bola. Willians até terminou 2015 em alta com Mano Menezes, mas se entende ser um atleta do qual pode se prescindir. Ainda há mais um ponto: a relação do agora reforço corintiano não era exatamente boa no elenco celeste. 

É na questão mais sensível da operação que se percebe a preocupação dos dirigentes no negócio feito por empréstimo, com um ano de validade para ambos os lados. Corinthians estipulou multa para que Marciel seja comprado, assim como o Cruzeiro fez com Willians. Os dois clubes fazem mistério e não revelam os valores, mas a direção cruzeirense acredita ter fechado um contrato acessível para adquirir o jovem volante corintiano no fim de 2016.  

 

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