Como o adeus de Ceni rendeu um contrato para Richarlyson jogar o Paulistão

Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

  • Grêmio Novorizontino/Site oficial

    Com meta de jogar até os 35, volante é um dos reforços do Novorizontino para 2016

    Com meta de jogar até os 35, volante é um dos reforços do Novorizontino para 2016

Quando o Campeonato Brasileiro de 2015 acabou, Richarlyson vivia um dilema: estava sem clube. Aos 32 anos, o então volante da Chapecoense não sabia o que faria quando começasse 2016. Será que ainda teria espaço em algum time?

Mas a vida de desempregado do meio-campista durou pouco – cinco dias, para ser exato. No dia 6 de dezembro, despediu-se da Série A com a equipe de Chapecó; no dia 11, participou a despedida de Rogério Ceni no Estádio do Morumbi, onde sua situação começou a mudar.

No jogo festivo entre campeões mundiais em 92/93 pelo São Paulo contra campeões mundiais em 2005, Richarlyson se encontrou com Guilherme Alves. Hoje técnico do Grêmio Novorizontino, o ex-atacante era reserva do time que conquistou o segundo Mundial Interclubes do São Paulo; e foi graças a este encontro no Morumbi que meio-campista acertou com a emergente equipe de Novo Horizonte para disputar o Campeonato Paulista.

"Eu precisava voltar a jogar", contou Richarlyson, em entrevista ao UOL Esporte. "Tenho uma amizade muito bacana com o Guilherme. No fim do ano, na despedida do Rogério, ele conversou comigo sobre o projeto do Novorizontino. Eu disse: 'Se a coisa caminhar bacana de ambas as partes, por que não?'", completou.

Pesou também o fato de Richarlyson – que completou 33 anos em 27 de dezembro – estar agora mais próximo da família. A distância entre Novo Horizonte e Bauru, onde os familiares do jogador moram, é de cerca de 100 km. No fim, a proposta interessou, e o jogador assinou o contrato até maio para a disputa do Paulistão.

"Tudo ficou muito bacana. Não tive como não aceitar. Estou muito contente, muito feliz. A estrutura é muito bacana. A estrutura do Grêmio Novorizontino, poucos clubes do Brasil têm. Agora é retomar minha carreira para voltar a jogar", disse o volante, que ainda não sabe o que fará depois do campeonato estadual.

Até a possibilidade de jogar a Série D pelo clube, em caso de classificação, é cogitada. "A questão é conversável. Eu não descarto nada", conta. "É uma possibilidade distante ainda. Mas se eu vim para cá pelo projeto, e se o projeto da Série D for bacana, não tem porque não continuar. Tudo isso é conversável. Penso em fazer um grande campeonato", completou.

Grêmio Novorizontino/Site oficial
Volante assinou contrato com Grêmio Novorizontino até maio. Mas não descarta Série D
O recomeço e os planos para o adeus

Richarlyson tem motivos para comemorar. Vítima de uma lesão no ligamento cruzado do joelho direito, atuou pouco pela Chapecoense. A recuperação levou seis meses, de maio a novembro; no fim, só conseguiu disputar os jogos da reta final do Campeonato Brasileiro.

Mesmo assim, o currículo e a amizade com Guilherme Alves valeram a aposta do Grêmio Novorizontino. Para 2016, o clube fechou com nomes conhecidos para o elenco – além de Richarlyson, foram contratados o lateral direito Éder (ex-São Paulo), os zagueiros Luisão (ex- Vasco e Bunyodkor-UZB) e Jéci (ex-Palmeiras, Coritiba e Avaí), o volante Adriano (campeão da Libertadores 2011 pelo Santos), o meia Pedro Carmona (ex-Palmeiras e Náutico) e o atacante Lima (ex-Bahia e Ceará).

"São pessoas que a gente já conhece. Parece que eu estou em casa", diz Richarlyson, feliz com a recepção tanto na equipe quanto em Novo Horizonte. "É impressionante como as pessoas me receberam aqui, com admiração, com respeito - pelo que eu conquistei, mas pela pessoa que eu sou. Na cidade, por onde eu ando, o pessoal deseja boas-vindas", contou.

Mas se a idade, a lesão no joelho e o retrospecto recente do clube (promovido da Série A-2 do Paulista em 2015) podem indicar uma carreira perto do fim, Richarlyson faz questão de afastar a possibilidade de pendurar as chuteiras. Para ele, a meta é jogar por mais dois anos. Talvez até mais.

"Eu penso (em jogar) até os 35, uma idade boa", diz. "Mas o futebol tem mudado bastante. Tem jogadores bem acima dessa idade. Pela facilidade que eu tenho de ter um bom porte físico, quem sabe, né? Deixar as coisas acontecerem naturalmente. Não preciso alongar minha história no futebol para dizer que estou em atividade", completou.

Mas e depois? E quando chegar a hora de encerrar a carreira? Aí, nem ele sabe.

"Penso em seguir no futebol, mas não como treinador. Como auxiliar, talvez preparador. Como treinador, eu não tenho em mente", garante.

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