Boleiros se protegem e se afastam dos camarotes no Carnaval paulistano

Juliana Alencar

Do UOL, em São Paulo

Aos 39 anos, Marcos Assunção não está jogando profissionalmente. Mas o ex-volante do Palmeiras ainda têm fôlego de sobra - a julgar pelo desempenho no carnaval paulistano. O atleta foi o único que curtiu as duas noites de desfiles do grupo especial no camarote do Bar Brahma, historicamente o preferido dos boleiros no Anhembi.

Mas não é falta de energia que tem tirado os boleiros das passarelas do samba do país. Quem esteve acostumado a suar a camisa nos gramados aponta que a frequência menos assídua de jogadores de futebol em camarotes de cervejaria, tanto no Rio como em São Paulo, é um reflexo dos novos tempos. Na era da cornetagem virtual, os atletas têm preferido não correr o risco de oferecer, de bandeja, munição para ataques.

"É complicada a situação, porque a torcida fica de olho. Tem que ter bater a mão no peito para vir e depois aguentar a cobrança", explica o ex-palmeirense e recém-aposentado Amaral. "Quando eu jogava profissionalmente nunca tinha aproveitado o carnaval por causa do trabalho mesmo. Agora que dá a gente aproveita", completa Edmílson, ex-Palmeiras e São Paulo. 

A diversão tem que ser controlada

Num final de semana que dois dos grandes paulistas nem jogaram pelo estadual, poucos jogadores visitaram o Anhembi. E quem o fez, resolveu se divertir com comedimento e até certa desconfiança. Atacante do Santos, Rafael Longuine passou a maior parte do tempo ao lado da namorada, a apresentadora Aline Lima.  

Já Michel Bastos, do São Paulo, se cercou de amigos e da mulher e aproveitou parte da noite tentando se "camuflar" entre o público pagante do local. Também evitou a imprensa - mesmo tendo marcado na goleada por 4 a 0 do time paulista contra o Água Santa, horas antes. Só seguiu para área VIP  quando a noite já estava mais perto de acabar. 

"O receio é da exposição mesmo", observa Ronaldão, ex-São Paulo. O zagueiro, ícone da geração 92-93, concorda que poucos atletas hoje assumem o risco que Edmundo e Romário, ícones da bolerada boêmia dos anos 90, assumiam quando chegava o Carnaval. ˜Se a fase é ruim, pior. Mas de qualquer modo tem que ter personalidade e segurança para ouvir as cobranças depois com tranquilidade. Isso faz parte da vida do atleta."

Zagueiro do São Paulo, Lugano concorda. Há 10 anos longe do carnaval brasileiro, o reforço do clube paulista diz que não acha necessário se privar de momentos de diversão se o jogador é disciplinado. "Há sim um mito em torno do jogador brasileiro e do carnaval. Mas se você é responsável, não tem por que ter medo do que falarão. Tem que ser inteligente para saber aproveitar, sem excessos", encerra.

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