Time da A2 aposta em irmão de Medina, mas avisa: "tem de mostrar qualidade"

Luiza Oliveira e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

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    Felipe Medina, irmão de Gabriel Medina, foi contratado pelo Independente de Limeira

    Felipe Medina, irmão de Gabriel Medina, foi contratado pelo Independente de Limeira

Gabriel Medina chegou ao topo do surfe com o título mundial em 2014. Agora é a vez de outro integrante da família tentar fazer sucesso no esporte. O irmão de Gabriel, Felipe, não quis saber da prancha. Preferiu as chuteiras e a bola e alimentou o sonho de se tornar jogador de futebol. Agora, o garoto de 19 anos foi contratado pelo Independente de Limeira, que disputa a Série A2 do Campeonato Paulista.

Mas se engana quem pensa que só o sobrenome famoso vai fazer Felipe se dar bem ou que a contratação é apenas uma jogada de marketing. A diretoria do clube já deixou claro que vê potencial no atacante e que ele precisa mostrar qualidade em campo.

"Não é porque 'ah... é o Medina' que vai jogar, entendeu? Aqui não tem isso, no Independente não tem isso, não é porque é o irmão do Gabriel. Se ele não mostrar o potencial dele não vai jogar, mas hoje ele está mostrando que tem sim. Ele quer a oportunidade de ser jogador de futebol e ele está respondendo corretamente em cima disso", disse o supervisor de futebol do Independente de Limeira, Fernando Alves.

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Curiosamente, o responsável pela contratação de Felipe foi o diretor de marketing do clube, Ricardo dos Anjos. Ele acredita que a chegada de Felipe pode sim trazer visibilidade ao clube, mas nega que essa seja a intenção principal. Ricardo é amigo da família Medina e viu qualidades ao observá-lo junto ao consultor técnico Flávio Medeiros.

A dedicação do atleta é o que vem mais chamando a atenção do clube que prefere apostar em jogadores que não tiveram oportunidades na carreira. O atacante do titular time, por exemplo, tem 32 anos e jogava na várzea até poucos meses atrás.

 "Esta contratação trouxe a visibilidade para as pessoas do trabalho que está sendo feito no Independente. Neste sentido, eu posso falar que o marketing se beneficiou disso, mas eu não posso dizer que é uma jogada de marketing porque se ele não tiver um trabalho desenvolvido com qualidade e não apresentar a capacidade dele, não existe marketing nenhum. Ao invés de positivo, vai ser negativo", disse. "Se o marketing for beneficiado e vir coisas através disso, parabéns, se não for ele vai desenvolver o trabalho dele do mesmo jeito porque o time vem numa ascensão muito grande nos últimos dois anos. Hoje está na série A2 e no ano passado por um ponto não subiu para o Paulistão", diz Ricardo.

Felipe, que começou como lateral direito e hoje é atacante, teve uma trajetória diferente dos outros jogadores de futebol. Começou a jogar bola aos 7 anos, mas não fez parte das categorias de base de um clube. Até hoje havia jogado apenas no time amador Maresias, de São Sebastião, onde o pai é diretor social.

Dois anos atrás, ele chegou a participar de uma peneira no Milan e no Barcelona, mas não passou no teste. Agora, terá que correr atrás para atingir o patamar de um atleta profissional.

O jovem assinou contrato até maio de 2017 e ainda não tem previsão para jogar. Ele vai fazer um trabalho específico para aprimorar a parte física até estar apto para estrear. Por enquanto, está inscrito no time sub-20 e deve fazer parte do grupo que disputa a Série A2 do Paulista e a Copa Federação.

O garoto está animado e não teme as comparações com o irmão que atingiu o patamar mais alto do seu esporte. "Eu sempre quis ser jogador profissional, mas nunca tive oportunidade e hoje eu estou tendo, agora estou levando a sério. (...) Estou preparado, quando eu escolhi ser jogador profissional eu sabia que muitas coisas iam mudar, que iam falar 'ah.. o irmão do Gabriel está jogando em tal lugar'. Eu sabia que um dia isso ia acontecer. Eu estou começando e meu irmão já conquistou muita coisa, claro vão querer que eu mostre serviço".

Para ter sucesso, Felipe se inspira em craques como Cafu e Iniesta que tiveram um começo tardio no futebol. Mas em relação à técnica, ele diz que suas referências são Douglas Costa e Neymar porque que gosta de usar o drible e partir para cima do adversário.

E ele já ganhou o incentivo dos craques e do seu maior ídolo, o irmão Gabriel. "Duas semanas antes de eu ir para Limeira ele me perguntou: 'é isso mesmo que você quer?'. Eu disse: 'é'. Aí ele falou: 'então beleza, cara. Vai fundo, sem medo e treina bastante'. O Gabriel jogava também, mas nunca fez um teste, ele nunca levou adiante. (...) O meu irmão é o meu ídolo maior, mas no futebol eu gosto do Neymar, Douglas Costa. Os dois enviaram mensagens, eles me enviaram força na minha caminhada, que não vai ser fácil, para treinar forte que vai dar tudo certo."

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