Após largar futebol e fazer 'mochilão' pela Europa, Lenny busca nova chance

Juliana Alencar

Do UOL, em São Paulo

  • Rubens Cavallari/Folha Imagem

Uma mala perdida e um fim de um namoro de seis meses. Aos 27 anos, o atacante Lenny, ex-Palmeiras e ex-Fluminense, tem dificuldades de explicar o que o motivou a se afastar do futebol profissional, há dois anos. Lembrado pela dançarina Juliana numa conversa no "Big Brother Brasil" nesta semana, o atleta trata o episódio como algo que ocorreu "naturalmente" durante uma viagem de férias pela Europa.  

"Tinha acabado um relacionamento, resolvi viajar para descansar. Mas uma das minhas malas foi extraviada", ele começa a contar. "Aí eu decidi ficar fazendo turismo por lá mesmo. Precisava curtir a vida um pouco. Passei um tempo na casa do Thiago Silva, em Paris, outro na casa do (Cláudio) Pitbull, em Porto. Voei em companhia aérea de baixo custo, viajei de trem. Foi esquema mochilão. Não sei se faria novamente, mas não me arrependo, não."

O entusiasmo com qual fala sobre período de autoexílio do futebol profissional pode contrastar com o discurso de um atleta que, hoje, tem dificuldades para retomar a carreira. Desde que começou a ensaiar a sua volta, no fim do ano passado, Lenny diz ter recebido propostas mais modestas do que acredita merecer. E justifica isso argumentando que, fisicamente, está apto para voltar a jogar em alto nível.

Em novembro do ano passado, passou uma breve temporada se reabilitando no CT do Corinthians. "Hoje eu estou pronto para jogar. Só é recuperar ritmo de jogo", analisa. 

Reprodução

A mais recente proposta foi a da Portuguesa, em janeiro deste ano. Em crise financeira, o clube ofereceu um contrato de produtividade para tê-lo no elenco do grupo que disputa a série A-2 do Campeonato Paulista. Ele não aceitou. 

"Felizmente, não preciso sair de casa para ganhar qualquer coisa. A Portuguesa me fez uma proposta, e eu fiz uma contraproposta que não foi aceita. Acontece. Mas eu também tenho o direito de pedir o que eu acho que eu devo receber", afirma o boleiro, que diz ter sido sondado por outros clubes no início da temporada. "Recebi outras propostas, não vou nem citar valores porque eram ofertas muito baixa".

Jogador diz ter poupado dinheiro

Lenny se diz orgulhoso por poder recusar convites. E atribui a isso a uma certa responsabilidade que teve com o dinheiro que recebeu quando ainda era considerado uma promessa do futebol  brasileiro. No Palmeiras, onde jogou de 2008 a 2010, tinha rendimentos na casa dos seis dígitos. Mas o atleta foi perdendo valor de mercado a cada nova lesão que o afastava, lentamente, do esporte. O último clube que ele defendeu foi o Atlético Sorocaba, em 2014.  

"Tenho meus investimentos aí, o que me ajudou a sustentar a mim e a minha família nesse tempo que eu estou parado. Não torrei grana sustentando luxo dos outros", argumenta. "Claro que eu não levo a vida que eu levava antes, quando jogava. Não fico trocando carro como antes, não saio para comer fora sempre. Mas dá para não passar aperto, pagar as contas de casa, a ração do meu cachorro e o plano de saúde dos meus avós."

Nem sempre foi assim. "Você começa a jogar e quer ficar com cara de boleiro. Aí usa aquelas roupas, compra cordão de ouro exagerado, bota uns brincos. Hoje, não quero que as pessoas olhem para mim e falem: 'olha lá, tá na cara que é jogador'. Já não uso brinco, o cordão de ouro que eu comprei só tenho ainda porque vale grana".   

Lenny hoje mora com o avô, que o criou, numa confortável casa que comprou no Rio, onde nasceu. A avó, que vez por outra ele citava em entrevistas, morreu em decorrência de um câncer na sexta-feira de Carnaval. "Eu era muito apegado a ela. E ela queria muito que eu voltasse a jogar", lembra.  

Fama de difícil "atrapalha" jogador

Conhecido por opiniões polêmicas, Lenny também atribui sua personalidade à falta de confiança dos clubes nele.  "Acho que meu temperamento me f...  Mas é aquela coisa, eu me responsabilizo pelo que sou. Sou tido como polêmico, porque nunca deixei de me posicionar. Se alguém diz que a parede é branca e eu estou vendo que é azul, eu vou discordar. Talvez eu só tenha mudado o jeito de fazer isso. Acho que é o lado bom de envelhecer", avalia ele, às vésperas de completar 28 anos.   

Sozinho, ele agora busca um reposicionamento no mercado de futebol por conta própria. E sonha com uma oportunidade de jogar em mercados novos, como o futebol chinês. "Hoje eu estou cuidando da minha carreira sozinho. Não tenho empresário. Hoje, eu adoraria  jogar fora do país, um lugar onde ninguém me conhece. Porque você fica marcado aqui, é ruim", reconhece.

"Recebi uma proposta recentemente, estava tudo mais ou menos encaminhado. Aí um cara do clube disse que tinha trabalhado num outro lugar comigo, que eu não era confiável. Eu nem sabia de quem se tratava, nunca tinha nem ouvido falar. A minha vontade era pegar o telefone e mandar o cara se f... Mas não estou a fim de arrumar problema com isso".

Amizade com ex-BBB

Enquanto não volta a jogar, Lenny diz seguir aproveitando a vida. Vez por outra, vai a São Paulo reencontrar amigos que fez na época que atuou no Palmeiras. Uma das amigas, inclusive, é a ex-BBB Juliana, que deixou a casa no paredão da última terça-feira.

"Não estou vendo o programa, não costumo ver TV. Mas quando ela estava na fase das entrevistas para entrar no reality show, ela me avisou", conta. "Juliana é gente boa, não é amiga de balada. A gente frequenta a casa um do outro, sempre nos falamos por telefone".  

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