CBF aumenta "bolsa cartola" dada a presidentes de federações estaduais

Danilo Lavieri e Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • YASUYOSHI CHIBA/AFP

    O coronel Nunes na sede da CBF

    O coronel Nunes na sede da CBF

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) decidiu aumentar a ajuda de custo para os 27 presidentes de federações estaduais do futebol brasileiro. São eles que têm o poder de voto para eleger o presidente do grupo.

 A decisão vem em meio à tentativa da entidade de melhorar a sua imagem perante o público após os escândalos de corrupção que atingiram diretamente seus ex-presidentes Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, além de causar a saída de três grandes patrocinadores.

 O valor do aumento, no entanto, é alvo de discussão. Diversos presidentes de federações afirmaram ao UOL Esporte que o valor sairá dos R$ 15 mil para os R$ 25 mil. A CBF, por sua vez, reconhece que houve aumento, mas diz que o novo valor será de R$ 20 mil. O reajuste passará a valer a partir de março.

 Vale destacar que, além disso, as federações já recebem R$ 50 mil. Este valor, segundo os dirigentes, é destinado a custear despesas que têm origem na organização de campeonatos. Nos últimos dois meses do ano, ele é dobrado, para pagar despesas trabalhistas dos funcionários, como férias e décimo terceiro.

 No último dia 18, a CBF lançou o Comitê de Reformas. O órgão, inspirado no Comitê de Ética da Fifa, pretende fortalecer questões de transparência na entidade máxima do futebol brasileiro.

Segundo a própria CBF, o comitê é formado por 17 membros e tem como principal tarefa "aprimorar suas práticas corporativas e fortalecer os conceitos de modernidade, transparência e ética dentro dos mecanismos que movimentam o esporte mais popular do Brasil".

 A ideia do "pró-labore", como definem alguns presidentes de federação, foi discutida durante a Copa do Mundo e implantada no fim de 2014. Na ocasião vários presidentes reclamaram dos custos gerados por viagens, encontros com patrocinadores e horas perdidas em seus empregos de fato, pagas com o próprio dinheiro.

"Eu considero justo, a maioria dos presidentes tem outros trabalhos, e acaba passando mais tempo na federação do que no emprego. Às vezes temos que resolver problemas nos finais de semana, domingo. As viagens, almoços e todos os custos pagamos com o próprio dinheiro", explicou na época da criação da medida Hélio Cury, mandatário da Federação Paranaense.

"As pessoas falam da questão política, mas não é comprar os presidentes. Os presidentes estão mudando. Os que estão há mais tempo, são de lugares onde a dificuldade é muito grande. Isso pode não representar muito para os grandes centros, mas para o Norte, o Nordeste, faz muita diferença. Acho que se as coisas são feitas com transparência, a sociedade entende", disse, também em 2014, José Vanildo, da Federação do Rio Grande do Norte.

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