'Gigante' do Grêmio foi alvo do Manchester United e cogita mudar de posição

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Lucas Uebel/Grêmio

    Ramiro, volante do Grêmio, pode virar lateral direito no time de Roger Machado

    Ramiro, volante do Grêmio, pode virar lateral direito no time de Roger Machado

Com 1,68, o apelido de Gigante não é apenas uma brincadeira por conta da estatura. É uma alusão direta ao tamanho que o volante Ramiro ganha em campo. Com intensidade impressionante, o marcador ataca, defende, cobre, ajuda, faz tudo. "Nosso pequeno Gigante. Em campo é um Gigante, mesmo pequeno", brinca o técnico Roger. E após uma temporada de lesões, o jogador de 22 anos que já foi alvo do Manchester United pode mudar de posição para retomar espaço. 

"Costumo dizer que não escolho posição para jogar. Já desempenhei tanto na lateral direita como funções no meio, volante, e meia. Então não escolho posição. Principalmente quando se está de fora, o objetivo é sempre estar jogando. Onde surgir oportunidade, onde o treinador precisar que eu atue, vou estar sempre à disposição para dar meu melhor", disse sobre jogar como lateral direito em entrevista exclusiva ao UOL Esporte. 
 
Foi assim contra o San Lorenzo, na Argentina. Ramiro começou jogando na lateral-direita e teve bom desempenho. Conseguiu participar melhor do que os testados até então na posição, mesmo não sendo a sua de origem. A ideia é retomar o espaço perdido após uma temporada de lesões. 
 
"Acabei ficando para trás dos demais colegas na parte física, sem dúvida, tática e técnica também. Porque tu ficas muito tempo afastado, sem praticar tua profissão, sem aprimorar tuas qualidades. Quando fiquei parado, procurei trabalhar na academia, fazer trabalhos físicos possíveis perante minha lesão para que quando voltasse, tivesse com a recuperação um pouco mais adiantada. De qualquer forma é sofrido e doloroso. A parte física é a pior perda que a gente tem nesse tempo parado. Procurei me dedicar ao máximo para recuperar da melhor forma possível e o mais rápido", disse. 
 
No ano passado, Ramiro enfrentou duas lesões no joelho. Passou meses em fisioterapia e trabalhos físicos. Retornou no fim do ano. Agora, quando começou a ganhar sequência, acabou se machucando novamente. 
 
"Infelizmente sofri com algumas lesões, uma delas muito grave, que foi a ruptura do ligamento cruzado. Este ano tive ruptura de dois ligamentos do tornozelo também, mas não tão grave quanto no joelho. Não é um momento que o atleta espera, que o atleta goste... Mas faz parte da nossa profissão e procurei fazer o tratamento da melhor maneira possível. Mantive a cabeça boa, porque o psicológico é muito importante. Me apeguei à família para superar este momento negativo", comentou. 
 
Logo que foi contratado junto ao Juventude, no início de 2013, Ramiro mostrou bom desempenho, virou titular e foi especulado repetidamente em clubes da Europa. A imprensa inglesa citou mais de uma vez o marcador como alvo do Manchester United. O Grêmio chegou a vender parte dos direitos dele quando precisou 'fazer caixa', e manteve bom percentual para uma eventual negociação. Só que isso ainda não aconteceu. A perspectiva de atuar fora não chega a mexer com o planejamento do jogador, ao menos por enquanto. 
 
"Especulação existe muito no futebol, não é? A gente sabe que a imprensa fala, a torcida fala, os empresários falam, mas proposta concreta eu nunca recebi, nem nunca chegou nada ao Grêmio. Estou bem tranquilo quanto a isso. Procuro fazer meu papel no Grêmio da melhor maneira. Caso surja a oportunidade, aí sim vou falar neste assunto. Sem dúvida que ficar um tempo afastado esfria este tipo de negociação. Mas não é meu principal pensamento no momento. Quero é voltar a treinar, afastar as lesões e, se possível, voltar a jogar e ajudar meus companheiros", opinou. 
 
O apelido de Gigante veio de brincadeiras com o técnico Roger Machado. O treinador, desde os tempos de auxiliar técnico, é apreciador das qualidades do jogador, que pena intensidade consegue auxiliar tanto no ataque quanto na defesa. 
 
"(O apelido) É uma maneira carinhosa que demonstra intimidade entre a comissão técnica e o jogador. Não é só comigo que existe apelido, tem com os outros atletas também. Ele me trata desta maneira desde quando eu cheguei, e ele era auxiliar. Trabalhamos juntos no time B. Fico feliz porque acho que isso é um elogio. Tendo a confiança do treinador, do chefe, é sempre muito importante. Nos dá confiança para trabalhar e evoluir. Fico feliz com apelido, quando ele usa, me esforço para fazer jus", completou.
 
De volta ao time e com apoio do comando, Ramiro luta contra a falta de sorte e tenta afastar a série de lesões que o privaram de atuar. "Projeto um Grêmio forte que é o que estamos fazendo e demonstrando. Aos poucos nosso time vai ficando mais forte. A base foi mantida e isso é muito importante. Temos trabalhado muito e queremos os resultados e títulos que vão coroar este trabalho duro", finalizou. 
 
A chance de ser firmado como lateral direito pode se apresentar já no Campeonato Gaúcho. O Grêmio terá três jogos em sequência até a Libertadores. Será nestes compromissos que o teste para 'virar lateral' será feito. 

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