Fla-Flu em SP tem corintianos e palmeirenses e abre debate de torcida mista

Guilherme Palenzuela

Do UOL, em São Paulo

Se em campo o Fla-Flu do último domingo (20) não teve grito de gol, nas arquibancadas o clássico foi um sucesso. Foram 30.188 pessoas presentes no Pacaembu que voltou à capital paulista depois de 74 anos. Entre cariocas que viajaram para ver a partida, havia também muitos residentes de São Paulo que aproveitaram para ver os times pelos quais costumam torcer de longe, mas não só: corintianos, palmeirenses, são-paulinos e amantes do futebol consumiram o evento como um espetáculo.

"Sou de São José dos Campos e aproveitei para vir, e aí eles vieram juntos comigo", conta Gilberto Gandelman, torcedor do fluminense, ao lado da filha Karen, palmeirense, e do genro Caio Rios, são-paulino.

O retrato é uma amostra do que se viu em todos os setores do Pacaembu. Camisas de clubes paulistas, do nordeste, do sul - tinha até torcedor do Joinville -, da seleção brasileira e de clubes europeus. O Fla-Flu atraiu prioritariamente o torcedor que poucas chances tem de ver o time, mas também o morador de São Paulo fanático pelo futebol acima de qualquer clubismo.

Antes do início da partida, integrantes da principal torcida organizada do Fluminense disseram: "Hoje não tem briga". E não teve. Na última quinta-feira as organizadas dos dois clubes se reuniram com a Prefeitura e a Federação Paulista de Futebol e selaram acordo para que o Fla-Flu no Pacaembu inovasse com torcida mista: torcedores de Flamengo e Fluminense juntos e misturados nas cadeiras laranjas e nas numeradas.

Flamenguista em uma fileira ao lado de torcedores do Fluminense, o taxista Wilson Tadeu Lopes, 45, comemorou a primeira visita da vida ao Pacaembu: "Sou mineiro, vim de lá para ver o jogo, ainda não conhecia o estádio e aproveitei. Comprei os ingressos pela internet e não tive problema nenhum". Amigos, os torcedores do Flamengo Felipe Didier, Antonio Salgado e Gilmar Júnior foram à partida acompanhados do Fluminense Sergio Meirelles. Antes, durante e depois do clássico a cena de rivais lado a lado foi comum.

Ícone da crônica esportiva carioca, o jornalista Cícero Mello, repórter dos canais ESPN desde 1995, tem experiência no tema: "Nos últimos 30 anos, se perdi uns seis Fla-Flu foi muito", comenta. Para ele, o evento no Pacaembu plantou a semente no futebol paulista da torcida mista em grandes clássicos entre Corinthians, São Paulo e Palmeiras.

"Esse Fla-Flu pode ser emblemático. A gente sabe que em São Paulo não tem clássico com torcida dividida. É sempre o mandante com 90% e o visitante com 10%. Aqui a gente está vendo torcida mista, todo mundo junto, sem briga nenhuma, sem confusão. Quem sabe a partir de hoje as torcidas e os dirigentes de São Paulo comecem a pensar em fazer isso. É o exemplo que duas camisas podem conviver como adversárias e não inimigas", falou Mello ao UOL Esporte.

Para o jornalista, o fenômeno de público no clássico se deve à grife e ao charme do Fla-Flu, independente da qualidade das equipes. "Eu acho que o Fla-FLu, pelo nome, é muito tradicional. É claro que há outros clássicos do mesmo nível, principalmente envolvendo os quatro grandes do Rio e os quatro grandes de Sâo Paulo, mas o Fla-Flu tem essa mística. Todo mundo quer ver um FlaFlu. Tem uma mística. É como o Santos quando ia jogar nas décadas de 60 em outros estados e lotava os estádios por ser uma potência, todo mundo queria ver. o Santos tinha uma marca, uma grife, como o Fla-Flu também tem uma grife", diz.


 

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