Salário em dia vira prioridade do SP para melhorar comportamento

Guilherme Palenzuela

Do UOL, em São Paulo

O São Paulo formalizou na segunda-feira (21) a troca na diretoria que colocou o departamento de futebol do clube sob novo comando. Sai o agora ex-vice-presidente de futebol Ataíde Gil Guerreiro e entra o novo diretor Luiz Antonio da Cunha. A mudança motivada por pressão sobre Gil Guerreiro no conselho deliberativo do clube e nas arquibancadas do Morumbi agora faz com que o São Paulo tenha novas prioridades no futebol. A primeira delas é cuidar para que não haja atraso nos pagamentos aos jogadores.

Veja abaixo os principais objetivos da nova gestão do futebol tricolor:

Salários em dia, elenco na mão

Segundo apurou o UOL Esporte, o São Paulo avalia que o tão criticado pouco comprometimento de alguns jogadores do atual elenco foi intensificado pelos seguidos atrasos nos pagamentos de direitos de imagem e premiações. Os problemas começaram no início da gestão Carlos Miguel Aidar, em 2014, se repetiram eventualmente até o fim de 2015 e apareceram pela primeira vez na gestão Carlos Augusto de Barros e Silva - o Leco - no início de 2016.

Neste ano, o problema gerou até um pacto de silêncio entre os jogadores, que resolveram não falar com a imprensa até que a situação fosse resolvida. O episódio ainda gerou discordância interna quando o zagueiro Diego Lugano quis romper o pacto e uma parte do vestiário se incomodou. A avaliação da diretoria do São Paulo é que Gil Guerreiro já havia se desgastado com o elenco devido aos descumprimentos financeiros.

Agora a prioridade da nova diretoria de futebol é impedir que haja novos atrasos nos pagamentos. A cúpula acredita que tal postura mostrará aos atletas que houve mudança de comando e ajudará a criar maior senso coletivo no vestiário e melhorar o comportamento pouco profissional que vem sendo criticado.

Reformulação não foi boa e tem de ser mais radical

Enquanto tenta se equilibrar para tirar mais do elenco, o São Paulo também admite que não reformulou o elenco como deveria após o fim da temporada passada. Ainda em 2015, a diretoria falou abertamente após o histórico 6 a 1 para o Corinthians que entendia que nem todos os jogadores tinham o comprometimento necessário para defender o clube. Rogério Ceni se aposentou, e Luis Fabiano e Pato foram embora. E só. Nenhum dos criticados foi vendido.

Agora, a cúpula tricolor já tem identificados os atletas que não estão totalmente satisfeitos no clube e procura fazer negócios. A reformulação deverá ser intensificada no meio do ano, com a reabertura da janela europeia que poderá proporcionar mais opções de venda.

Cobrança ao elenco, não ao treinador

A partir da prioridade em não deixar que os pagamentos atrasem, a diretoria pretende manter cobrança intensa ao elenco. Nas últimas semanas, houve crítica pública do diretor executivo Gustavo Vieira de Oliveira - que segue no cargo - ao elenco e esse será o tom mantido. O entendimento é que o grupo de jogadores não entrega ao clube tudo que pode. A crítica, como já mostrado, é mais quanto ao comportamento do que quanto a erros técnicos dos atletas.

A nova diretoria de futebol também isenta o técnico Edgardo Bauza de críticas. "Futebol é resultado. Mas a contratação de um profissional leva em consideração o tempo de maturação que o profissional precisa para responder às expectativas. E o Bauza está nesse tempo. A contratação foi muito bem feita e ele terá de mim todo o apoio", falou Luiz Antonio da Cunha, ao ser apresentado como diretor.
 

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