Milton Cruz é demitido do São Paulo após 22 anos no clube

Luiza Oliveira e Ricardo Perrone

Do UOL, em São Paulo

Milton Cruz não é mais funcionário do São Paulo. O atual analista de desempenho, que está no clube há 22 anos, foi demitido pela diretoria na tarde desta quinta-feira. Ele ocupou o cargo de auxiliar técnico por muitos anos. Segundo apurou o UOL Esporte, a diretoria tricolor estuda colocar um ex-atleta para ocupar a função antiga de Milton. Pintado, técnico do Guarani, é o nome mais cotado pelo clube para ser este homem de confiança dos dirigentes, que fala a linguagem dos jogadores e transitaria com facilidade dentro do elenco.

O ex-auxiliar técnico participou de uma reunião com a cúpula são-paulina na tarde desta quinta-feira e foi informado da decisão pelo novo diretor de futebol do clube, Luiz Cunha.

"Infelizmente, algumas vezes a gente tem de cortar na própria carne. Pelas circunstâncias e pelo momento, fomos obrigado a fazer. Conversamos com o Milton hoje, falamos que ele é um profissional extremamente bem sucedido no São Paulo, mas estava sub-utilizado e achamos mais justo e honesto conversarmos francamente. Também atendemos ao momento de restrição econômica e financeira de todo o Brasil e por isso, fizemos o desligamento dele", afirmou Cunha, explicando a demissão. "Se nós pudéssemos ter o Milton aqui, teríamos. Mas ele recebe o que merece. Para não ser utilizado plenamente, tivemos que fazer o desligamento. Será contratado alguém para o lugar dele".

Milton Cruz, que era um dos mais badalados do clube do Morumbi por anos, perdeu espaço quando Carlos Miguel Aidar ainda era o presidente. Após a entrada de Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, a situação dele piorou. O relacionamento conturbado entre o estafe de Leco e o ex-auxiliar já era notado desde o início deste ano. Algumas pessoas ligadas ao mandatário interpretavam que o profissional, ao invés de "apagar incêndios" dentro do elenco, colocava alguns atletas contra a diretoria.

A decisão de dar o cargo de analista de desempenho a Milton representou o afastamento dele do dia-a-dia do futebol profissional pela primeira vez desde 1994, quando havia sido contratado para a comissão técnica. Neste período, ele foi auxiliar de vários treinadores de peso que passaram pelo Morumbi e assumiu diversas vezes a função de técnico do clube na condição de interino.

"Gostaria de agradecer a todos os serviços prestados pelo Milton nessas mais de duas décadas ao nosso lado. Um momento de ruptura certamente não é fácil para ninguém, mas seu nome já está escrito na história do São Paulo, que o vê como um grande amigo e deixará sempre suas portas abertas para quem nos foi tão leal", disse o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva.

Em nota oficial, o presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, agradeceu Milton Cruz. "Gostaria de agradecer a todos os serviços prestados pelo Milton nessas mais de duas décadas ao nosso lado. Um momento de ruptura certamente não é fácil para ninguém, mas seu nome já está escrito na história do São Paulo, que o vê como um grande amigo e deixará sempre suas portas abertas para quem nos foi tão leal".

Saída já vinha sendo estudada

De acordo com pessoas ligadas a Leco, a saída de Milton já era estudada desde a mudança de cargo de Ataíde Gil Guerreiro, que deixou a vaga de diretor de futebol para assumir lugar na área de relações exteriores no clube. Porém, o presidente entendia que tomar várias decisões de uma só vez poderia ser uma atitude de cabeça quente, sem pensar muito se as medidas tomadas eram as mais corretas. 

A chegada de Luiz Cunha no departamento de futebol também foi um ponto importante para a saída de Milton. O dirigente acreditava que o ex-auxiliar não se adaptava à nova ideologia do clube, que prevê mais espaços para os jogadores vindos da base e a implementação da tecnologia, que começou a ser colocada em prática com a nova equipe de análise de desempenho. 

Após a demissão de Milton, o próprio Cunha corroborou a informação. "Quando ele (Leco) me convidou, disse a ele quais seriam minhas ideias e uma delas era a saída do Milton. O Leco não queria, mas consegui convencê-lo, é uma coisa lógica e está feita".

Outro fator que tornou Milton um desafeto da diretoria é sua relação próxima com Abílio Diniz. O empresário, que o tinha como homem de confiança dentro do clube, foi um importante aliado na queda de Aidar e também rompeu recentemente com Leco. 

A saída de Milton pode ter repercussão até entre os torcedores e tornar a relação entre a diretoria e a torcida Independente ainda mais conturbada. Neste ano, a maior organizada do clube já havia feito protestos contra a atual cúpula, especialmente ao diretor Gustavo Vieira de Oliveira, e pedindo que Milton retomasse seu cargo anterior.

O UOL Esporte apurou que a diretoria tricolor já espera que a saída de Milton traga ainda mais problemas com o grupo ligado a Abílio Diniz e com a Torcida Independente. Porém, acreditam que estão preparados para as críticas que virão.

Retrospecto

No clube, Milton assumiu o cargo de técnico interino por várias vezes. Na última delas, no fim de 2015, ajudou o clube a conseguir a vaga na Libertadores deste ano. Neste período, ele comandou a equipe em 20 partidas, com 13 vitórias, um empate e seis derrotas. O aproveitamento foi de 66,7%. Em todos os 42 jogos à frente do São Paulo, foram 22 vitórias, oito empates e 12 derrotas com um rendimento de 58,7%.

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