Corintiano Rock and Roll sonha com programa de rádio após pendurar chuteira

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

Os primeiros acordes de 'Só os Loucos Sabem' começam a tocar no fone de ouvido e Fabián Balbuena prontamente se levanta. Põe a mão no lado esquerdo do peito, ergue a cabeça e se posiciona como se estivesse diante da bandeira de seu país. "Tem que ficar de pé, é um hino". Os versos do Charlie Brown Jr. mexem com seus sentimentos mais profundos.

"Um homem quando está em paz, não quer guerra com ninguém", cantarola ele com semblante de quem está viajando na música e até esqueceu onde está. "É que os caras fazem uma letra que são fatos da vida, coisas que acontecem com as pessoas, você fica pensando... tô até querendo chorar aqui".

Nem parece que o zagueiro do Corinthians acabou de sair da adrenalina de um treino puxado comandado por Tite, está todo suado e sujo de grama. E é justamente isso que a música é capaz de fazer com ele: tranquilizar. Até porque antes de ser um filho do futebol, Balbuena sempre foi um filho do rock. Não é exagero dizer que a música ajudou na sua formação como ser humano desde a adolescência.

"O rock, não sei como explicar, foi uma mudança na minha vida. Quando eu tinha algumas coisas que me incomodavam, eu ia para o meu quarto, colocava o fone ou o som forte. Parecia que eu ficava em paz, eu encontrava um toque de tranquilidade para a minha vida. E acho que na minha juventude foi uma parte muito importante para eu ficar bem centrado, bem focado nas coisas que eu queria".

"Eu tinha uma namorada, a gente brigava ou terminava a relação, namoro de garoto, né? Então eu ficava meio mal, ficava triste... E eu começava a ouvir música e ficava de novo normal, sem pensar. Parecia que as tristezas saíam todas. Essas coisas me ajudavam também quando brigava com meus pais, ou perdia um jogo importante ou não fazia um bom jogo e ficava meio chateado. Então ouvia rock e já ficava tranquilo de novo".

De lá para cá, o repertório se tornou bem mais vasto. É rock de todo jeito.. alternativo, argentino, paraguaio, brasileiro. Tem Green Day, Red Hot Chili Peppers, System of a Down, Blink-182, Linkin Park, Creed, AC/DC, Nirvana, Simple Plan, Scorpions, Aerosmith, Guns N' Roses, Charlie Brown Jr, CPM 22, Paralamas do Sucesso, Los Hermanos, Pitty... Ele até se perde citando as bandas que ocupam espaço na memória do celular e da vida. 

Sonho para aposentadoria

A paixão é tanta que ele já pensa até na vida pós futebol. Quem sabe inverter os papeis, trocar a chuteira pelo microfone e comandar um programa de rádio. Balbuena já esboça algumas ideias, inspirado em um programa de sua cidade Ciudad del Este, e planeja até como fidelizar o público.

"É um pensamento, é mais para quando deixar de jogar. Seria bom, um programa de rock e de futebol, falar de muitas coisas assim. Lá na minha cidade tinha um programa que na segunda era um tipo de música: rock clássico. Na terça era rock brasileiro, na quarta, rock argentino, na quinta, rock paraguaio, na sexta o que audiência pedir. Eu queria mais ou menos nesse estilo, mas sempre compartilhando com a audiência para que todos estejam contentes ouvindo a música que eles pedirem, vou fazer enquetes para o pessoal participar. E, sim, falar de futebol e coisas que normalmente passam com as pessoas, de coisas que acontecem na vida".

Mas esse é um projeto para daqui a alguns anos. Por enquanto, o futebol é prioridade e o rock fica em segundo lugar. Até porque o estilo musical não tem muita vez quando o grupo todo está reunido. Os roqueiros são minoria no elenco corintiano. Cássio e Uendel até tentam fazer coro, mas têm que ceder para os pagodeiros comandarem a trilha sonora nos dias de jogo.

"No primeiro dia, eu perguntei para o Romero o que o pessoal ouvia mais. Aí comentaram que era sertanejo, pagode, tem jogadores que gostam de funk, hip hop... Normalmente no vestiário em dia de jogo é difícil ouvir rock. O pessoal vai ficar todo maluco se você botar música alta de rock, até o treinador vai ficar maluco com o som. Mas cada um tem seu gosto, tem que respeitar".

De fato, Balbuena tem mais com o que se preocupar. O paraguaio chegou há pouco tempo no Corinthians e já se tornou peça importante do time de Tite mesmo estando no banco. Ele teve boas atuações quando foi solicitado, marcou um gol no último fim de semana e está na briga com Yago para ser titular na zaga.

Mas, além da vaga, ele ainda tem outros desejos a realizar em São Paulo. Espera ter a chance de ver um show de uma de suas bandas preferidas ao vivo, já que elas nunca se apresentavam no Paraguai. E logo se anima com a possibilidade de um integrante do CPM 22 visitar o CT por ser corintiano fanático. "Me inclui nessa aí", brinca com a assessora de imprensa do clube.

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