Futebol x saúde: time chinês joga na 2ª cidade mais poluída do mundo

Alexandre Sinato e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução

    Tianjin teve o mais alto alerta de poluição em dezembro do ano passado

    Tianjin teve o mais alto alerta de poluição em dezembro do ano passado

Desbravar o futebol chinês não é só uma questão de ficar mais distante dos holofotes ou se deparar com um nível técnico inferior. É também um desafio à saúde. Algumas das cidades com o ar mais poluído do mundo estão no país asiático. E a segunda nesse quesito em ranking recente, Tianjin, tem brasileiros muito conhecidos por aqui: Jadson, Luís Fabiano, Geuvânio e Wagner.

A cerca de uma hora de Pequim, Tianjin é a principal cidade portuária do norte da China e um dos maiores centros portuários do país. É conhecida pela alta quantidade de indústrias que abriga. E também já alcançou o segundo lugar na lista das cidades mais poluídas do mundo, segundo estudo do Instituto Blacksmith (hoje chamado de Pure Earth), uma organização internacional sem fins lucrativos.

Brasileiros dos times da cidade sabem que a preocupação por lá é grande. "Sobre a poluição aqui falam muito, mas sinceramente eu ainda não sinto os efeitos no dia a dia, não é tão perceptível. O que sinto bastante é o ar seco. Temos que nos hidratar muito bem, principalmente durante os treinos e os jogos", contou Luís Fabiano, do Tianjin Quanjian.

Em dezembro do ano passado, pela primeira vez na história, as autoridades da cidade anunciaram o alerta vermelho por poluição do ar, o mais alto nível existente. O alerta durou 30 horas. Indústrias e estaleiros tiveram que suspender ou reduzir suas atividades, escolas cancelaram aulas e um rodízio de carros foi implantado.

Tudo porque o nível das partículas nocivas mais finas e suscetíveis a entrar nos pulmões estava quatro vezes acima do recomendado. Para piorar, em agosto, explosões em um terminal de contêineres que mataram mais de 170 pessoas e deixaram 700 feridos pioraram ainda mais o nível de contaminação do ar, liberando componentes extremamente perigosos à saúde.

Assim como Luís Fabiano, Geuvânio diz não ter notado nenhuma diferença, mas sabe bem a fama da cidade. "Ouvi bastante coisa sobre isso antes de vir para cá, mas o que posso dizer nessas primeiras semanas aqui é que não senti absolutamente nada", contou. Segundo ele, a rotina de treinos é normal. "Não há nenhuma preparação especial para isso e acredito que seja possível conviver tranquilamente".

Geuvânio e Luís Fabiano são companheiros de Jadson no Tianjian Quanjian, da segunda divisão chinesa. Wagner, ex-Fluminense, também defende um time da cidade, o Tianjin Teda, da primeira divisão. Em comum, além do futebol, está o teste pulmonar do quarteto.

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