Gaviões diz que pune brigões e rebate críticas: "tem muita coisa montada"

Adriano Wilkson e Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • MARCOS BEZERRA/ESTADÃO CONTEÚDO

    Polícia Militar ameaça torcedor do Corinthians após protesto da Gaviõesda Fiel

    Polícia Militar ameaça torcedor do Corinthians após protesto da Gaviõesda Fiel

A direção da organizada Gaviões da Fiel afirma que puniu cerca de 30 de seus associados recentemente com suspensão da torcida, alguns por terem se envolvido em episódios de violência. Os torcedores suspensos não podem frequentar nenhum evento da organizada, usar sua camisa oficial ou estar junto dela nos estádios.

A declaração foi feita em resposta a críticas de que a agremiação não puniria adequadamente seus sócios brigões e seria conivente com agressões.

Dois dias depois dos episódios de violência em decorrência do clássico Palmeiras x Corinthians, o presidente da Gaviões, Rodrigo Fonseca, o Diguinho, e outros dois líderes da organizada se reuniram com a reportagem do UOL Esporte para comentar os fatos do fim de semana e a decisão do governo de São Paulo de fazer clássicos de torcida única até o fim do ano.

"Houve recentemente uma situação no metrô, uma briga, uma discussão com os seguranças", relatou Diguinho, em uma sala nos altos da quadra da torcida, em São Paulo. "O Metrô identificou, a gente viu que eram realmente integrantes da torcida e afastou. Punimos os seis."

A agremiação diz que repudia qualquer ato de violência e que orienta seus associados a não se envolverem em confusão.

Em relação ao confronto no domingo no qual torcedores de Palmeiras e Corinthians se encontraram a mais de 30 km do Pacaembu e que acabou com a morte de um inocente, os diretores da Gaviões dizem não saber se havia membros da organizada envolvidos.

"Isso tem que ser apurado pela polícia", afirmou Fabrício Pouseau, tesoureiro da torcida. "Isso pra mim não é torcida organizada, isso é gangue, não tem nada a ver com futebol."

"Tem que ver se eles estavam com a camisa, se é sócio", completou o presidente Diguinho, "mas isso é parte de uma investigação policial. Não temos imagens da briga. Nossa torcida estava concentrada na sede, falamos pros associados virem aqui e irmos ao estádio com a escolta. Nosso papel foi cumprido."

De fato, centenas de torcedores da Gaviões se reuniram no domingo na sede da organizada e foram escoltados pela polícia até o estádio, sem incidentes mais graves além de uma pequena confusão no metrô. A torcida diz que ela não pode ter controle sobre o que acontece em outros pontos da cidade.

Alexandre de Moraes, o secretário de segurança pública de São Paulo, diz que a Polícia Civil está usando imagens de câmeras de segurança para identificar os torcedores que se envolveram nos conflitos. Os brigões, além de poderem responder penalmente pelos atos, serão banidos de jogos de futebol, de acordo com o secretário.

Ações orquestradas

O promotor do Ministério Público Paulo Castilho disse na segunda-feira ter certeza de que os confrontos entre torcidas são orquestrados pela direção das organizadas, embora não tenha apresentado nenhuma prova da afirmação.

Os líderes da Gaviões da Fiel não apenas negam isso, como também invertem o argumento. De acordo com eles, polícia, Ministério Público e até a administração dos trens do Estado contribuíram para acirrar os ânimos antes e depois do clássico de domingo — um dos confrontos aconteceu em uma estação de trem.

"Eles jogaram álcool no fogo", disseram os corintianos algumas vezes durante a entrevista, se referindo à prisão de um torcedor palmeirense três dias antes do clássico e a uma revista à sede da Gaviões na sexta-feira.

"Você começa a analisar e vê que tem muita coisa montada", disse Diguinho. "O cenário é armado antes. Porque não anunciaram a prisão na segunda-feira [depois do jogo]? É de interesse das pessoas que tentam tirar vantagem em cima disso, pra dar entrevista na TV, pra sentar na mesa do governador... essas pessoas que têm interesse nos holofotes..."

O principal alvo dos torcedores organizados é o promotor Paulo Castilho, que no domingo à noite já propunha outra vez a extinção das organizadas violentas, nomeando diretamente a Gaviões e a Mancha Verde.

Diguinho, presidente da organizada corintiana, responde a um processo por homicídio, ocorrido em 2005, durante uma confusão com torcedores do Palmeiras. Questionado sobre isso, ele disse que não podia comentar o caso para não prejudicar sua defesa. Seu advogado não retornou às ligações da reportagem.

Agressão a palmeirense

Horas após o fim do clássico do domingo, 27 torcedores que estavam dentro de um caminhão da Gaviões foram presos acusados pela polícia de agredirem três palmeirenses em uma rua perto do Pacaembu.

A direção da organizada não nega que tenha havia essa agressão, mas diz que seus torcedores foram provocados por um palmeirense que trafegava pela região destinada ao escoamento exclusivo dos corintianos.

Em dia de clássico, a polícia militar costuma separar as torcidas e destinar estações do metrô exclusivas para cada uma. "Era o nosso setor", argumenta Fabrício.

"O que aconteceu foi uma discussão, como uma discussão de trânsito", explicou Diguinho, que não estava no veículo e sabe da história de segunda mão. "O cara [palmeirense] viu os caras [corintianos] no caminhão, jogou a luz, parou, começou a mexer, provocar, e não passou na cabeça dele que tinha tudo aquilo de gente ali atrás."

"Os palmeirenses desceram do carro. Os caras [corintianos] desceram do carro."

"E aí houve a agressão?", a reportagem perguntou.

"Você não vai ouvir de nós que houve a agressão", contestou Diguinho. "A gente não estava lá, a gente não viu, não pode dizer o que aconteceu. O cara achou que ia tirar uma com corintiano, mas não sabia o que ia acontecer. Se soubesse que ia acontecer isso, tinha feito um outro caminho."

Torcida única

Os líderes da Gaviões veem como ineficaz a decisão de fazer clássicos com torcida única e dizem que vão continuar com seus protestos em jogos do Corinthians. A organizada defende ingressos mais baratos e abertura das contas da Arena Corinthians.

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