Caos político deixa CBF perdida sobre técnico e irrita dupla Dunga e Gilmar

Danilo Lavieri e Pedro Ivo Almeida

Do UOL, em São Paulo e no Rio de Janeiro

  • Mowa Press/Lucas Figueiredo / MoWA Press

    Dunga e Rinaldi conversam durante treino da seleção brasileira

    Dunga e Rinaldi conversam durante treino da seleção brasileira

Um momento de fraqueza política extrema, ausência de comando e diversos núcleos tentando protagonismo e aumento de poder. A falta de centralização na CBF sem a gestão oficial de Marco Polo Del Nero tem pouca transparência e clareza em quais são os reais desejos e atitudes da entidade, principalmente em relação ao futuro do comando técnico da seleção brasileira.

Atualmente, com Del Nero oficialmente afastado, fica a cargo de Coronel Nunes a assinatura oficial que determina qualquer decisão. O atual presidente em exercício, no entanto, jamais tomará uma atitude e apenas refenderá a decisão de outros. Já até assinou documentos sem ter conhecimento.

Em resumo, não há ninguém com força o suficiente para demitir Dunga. Tampouco com respaldo para buscar um novo substituto. 

Dentro desse contexto, os mais influentes são Walter Feldman, secretário geral, e Rogério Caboclo, diretor executivo e financeiro. E, entre eles, não há sintonia sobre que caminho tomar em relação à permanência ou possível troca tanto do técnico Dunga como do coordenador Gilmar Rinaldi. Marco Polo, que é quem realmente pode decidir algo, tem relegado a questão a segundo plano, já que seu foco agora é a defesa dos casos de corrupção do qual é suspeito.

O que existe por parte dele até agora é uma sinalização para a dupla de que está descontente com os resultados e que a Copa América pode ser o fim da linha. Pelo menos até lá, no entanto, eles parecem estar seguros de continuidade de trabalho. Não à toa, todo o planejamento da dupla para a competição tem sido mantido.

Assim, os presidentes de federações, empresários e executivos do futebol têm tentado crescer e influenciar os mais fortes sobre seus diferentes pensamentos e ideias quanto ao posto de técnico, sem uma unanimidade sobre a permanência de Dunga ou a troca por qualquer outro nome. Eles tentam agir como pessoas influentes na decisão com palpites sobre trocar, sondagem a empresários, etc, mas, de fato, esse tipo de ação tem uma capacidade de mudança quase nula.

Tite, hoje no Corinthians, e nome de maior clamor no país, não foi procurado oficialmente até agora por nenhum dos braços fortes da CBF. No entanto, algumas das pessoas próximas à entidade reforçam o lobby e insistem nas sondagens a profissionais ligados ao comandante corintiano, conforme divulgou inicialmente o site Globoesporte - informação confirmada pelo UOL.

A Confederação diz não ter dado poder a nenhum representante para negociar em seu nome. Também por isso, é possível afirmar que a CBF não teria um executivo que pudesse sair em busca de uma reposição.

Esse nome seria o de Rinaldi, que trabalha com o que chama de fogo-amigo. Em diversas entrevistas, admite que desconfia de pessoas de dentro da CBF querendo minar seu trabalho e, especialmente, o de Dunga.

Ele ainda afirma que é coordenador de seleções e exerce papel executivo, deixando claro que sua imagem não é, necessariamente, atrelada à de Dunga. Em eventual descontentamento, o treinador poderia ser trocado sem que Rinaldi também deixasse o cargo. E isso não está em pauta no momento.

"Esse monte de notícia, ao mesmo tempo, todas falando mal do nosso ambiente, não é por acaso. É fogo amigo. E sabemos que vamos precisar trabalhar com isso. Temos nomes disso e vamos atrás", disse Rinaldi. 

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