Como Fagner virou referência e 'lateral de seleção' no Corinthians 2016

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

Emerson Leão vivia um momento especial da carreira, sobretudo no que diz respeito a lançar jovens, quando chegou ao Corinthians em 2006. Tinha, no currículo recente, nomes como Robinho, Diego, Alex Costa, Fábio Santos e Diego Tardelli. A passagem pelo Parque São Jorge não foi boa, mas deixou um legado. Ou ao menos deveria ter deixado. 

"O Fagner era uma criança", lembra sobre o lateral de 17 anos que promoveu na ocasião e, uma década depois, se tornou uma das referências do Corinthians de Tite versão 2016. "Ele mostrava qualidades, mas precisava confiar mais. Para lateral direito, ele é um menino relativamente baixo. Mas era desinibido, agressivo em alguns momentos de marcação. É o mesmo caso do Willian (hoje no Chelsea, também lançado na época). Os dois prosperaram", recorda Leão. 

Uma década depois, Fagner atingiu seu ápice. Conseguiu ser tão efetivo como nos tempos do Vasco, campeão da Copa do Brasil e vice-brasileiro em 2011, mas defensivamente evoluiu. É o que acredita a comissão técnica do Corinthians, que já o tem como uma das referências do time. "Vimos nele um potencial para crescer. Teve o mérito do atleta em querer se desenvolver e crescer defensivamente. Ele amadureceu como atleta e hoje é um dos líderes do grupo", explica Cléber Xavier, auxiliar de Tite. 

No processo de evolução no aspecto defensivo, estão atividades no campo com técnicas de marcação e melhores abordagens. Geralmente, quem cuida dos trabalhos são os auxiliares Fernando Lázaro e Fábio Carile. "É um complemento após todos os treinos, que podem ser diários, duas vezes por semana ou até três vezes. Também usamos bastante a tecnologia para mostrar tudo para ele, com vídeos dos jogos e treinos, com exemplos corretos ou não". 

Se evoluiu na defesa, é no ataque que Fagner tem feito a diferença. No terceiro mês da temporada 2016, ele já igualou os números que alcançou em todo o ano passado. São quatro assistências e dois gols marcados, exatamente como em 2015. No planejamento ofensivo de Tite, ele é a opção para velocidade pela direita tal qual Lucca é pela esquerda. As triangulações, base do jogo corintiano, são feitas para que o lateral receba a bola rápida e em profundidade.

Responsável pelo maior número de jogadores cedidos a Dunga na volta à seleção (Elias, Renato Augusto, Cássio, Gil e Felipe), agora o treinador Tite aposta que Fagner possa ser o sexto. "É o melhor momento dele e do Edílson (reserva)", declarou após o titular fazer dois gols sobre o Novorizontino. 

Para o lateral, atingir esse nível preenche uma expectativa pessoal importante. Ao regressar ao Corinthians em 2014, o que mais Fagner disse aos dirigentes era sobre a chance de reparar uma dívida histórica. Em 2006, logo depois de estourar no fim do Brasileirão, ele saiu sem custos para jogar no Vitória e depois no futebol holandês. À época, dirigentes da gestão Alberto Dualib foram alvos de duras críticas. 

"Eu desconhecia o universo do Corinthians. Voltamos e ele não estava lá. Não me pergunte o que aconteceu, mas ele desapareceu e não mais voltou. Eu nem sabia que ele tinha dono, mas jogava futebol e era o que me importava", recorda Leão. 

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