Como o Grêmio descobriu que tirar patrocínio da camisa dá mais dinheiro

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Lucas Uebel/Grêmio

    Bobô comemora gol pelo Grêmio. Camisa mostra ausência de patrocínios no 'omoplata'

    Bobô comemora gol pelo Grêmio. Camisa mostra ausência de patrocínios no 'omoplata'

O patrocínio na camisa é a principal forma de ganhar dinheiro com ela, certo? Não é bem assim. O Grêmio, através de uma pesquisa, descobriu que nem todos os anúncios no uniforme do time valem a pena. Desta forma, driblou a crise financeira mundial e criou o 'não-patrocínio, patrocinado'. Uma forma de lucrar tirando o patrocínio da camisa. 

Tudo começou com uma análise de mercado. O clube perdeu dois patrocinadores importantes - Tim e Tramontina - e passou a negociar a reposição com várias empresas. Percebeu que o investimento em publicidade no mundo inteiro havia caído. E, tendo limões tratou de fazer uma limonada, ou algo melhor. 
 
"Nosso objetivo era entender o consumidor. Encomendamos uma pesquisa sobre a camisa do Grêmio para saber qual a percepção do fã sobre ela. Até para nos dar subsídios para uma argumentação com alguma marca que pudesse vir a ser patrocinador", contou o executivo de marketing gremista, Beto Carvalho, ao UOL Esporte. 
 
Mas o estudo realizado pelo grupo Index mostrou algo surpreendente. Os aficionados do Grêmio não tinham nenhuma oposição aos patrocínios master, em cima do ombro ou costas. Mas a área chamada 'omoplata' não era bem vista. Os aficionados consideravam que o local poluía a frente da camisa e atrapalhava o destaque do escudo, pois posicionava-se acima do símbolo do clube. 
 
"Paramos para pensar que era necessário fazer uma camisa ao gosto do nosso torcedor. É a razão maior do clube. Não vamos botar, mas tiraremos de linha o uso do patrocínio que o torcedor não gosta. Ele tira, em tese, o poder de venda da camisa, o torcedor gosta menos", disse Carvalho. 

Reprodução

Porém, o produto poderia gerar renda. Especialistas em mercado consultados pela reportagem do UOL Esporte avaliam que o patrocínio de omoplata em clubes de Série A (exceto Corinthians e Flamengo, que valem mais pelo número de torcedores) costuma valer aproximadamente R$ 2 milhões ao ano. 
 
Foi quando o Tricolor inovou. Decidiu-se pelo 'não-patrocínio, patrocinado'. Procurou a fornecedora de material esportivo, explicou todo estudo e propôs que o local não fosse ocupado. Sendo assim, a empresa poderia vender mais camisas. Mas o clube teria que receber algo em troca disso. 
 
O pagamento da Umbro - que produz o uniforme gremista - será em produtos para serem vendidos nas lojas oficiais do clube, onde 100% de lucro é gremista. Antes, todo produto que era comercializado rendia apenas royalties (percentual sobre a venda referente a marca da agremiação). Mas a partir deste acordo, uma determinada quantidade de produtos da fornecedora é cedido ao clube por preço de compra, comercializado na loja oficial da Arena com preço de venda, e 100% do lucho fica com o Grêmio. 
 
"É uma ação baseada em três pontos, e que todos ganham. A fornecedora de material esportivo vende mais camisas, porque o torcedor gosta mais da camisa sem aquele patrocínio. O clube ganha a contrapartida com 100% de lucro e deixa o torcedor mais satisfeito. E o torcedor tem uma camisa mais bonita para usar", avaliou o executivo. 
 
O Grêmio acredita, ainda, que o aficionado, sabendo que estará ajudando o clube ao comprar os materiais na loja oficial, irá o fazer como apoio, fortalecendo a relação com a agremiação. Sendo assim, há a certeza que o lucro será superior a uma eventual venda de patrocínios ali. 
 
"O mercado está em crise, há um recuo de investimentos. Assim, com uma ação aparentemente simples, revertemos o lucro", explicou Carvalho. 
 
O contrato do 'não-patrocínio, patrocinado' vale até o fim deste ano. Para 2017, uma avaliação da ação será feita e, dependendo do resultado, poderá ser renovado. 

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