Róger Guedes já encantou Luxa e fez dupla com corintiano antes do Palmeiras

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

Uma arrancada para o campo de ataque da Vila Belmiro, um drible seco no marcador seguido de um chute potente, com endereço certo, barrado pelo goleiro santista. O lance resume bem a trajetória fulminante de Róger Guedes no Palmeiras: em pouco mais de duas semanas, o atacante de 19 anos passou de recém-contratado a titular da equipe em uma semifinal de Paulista.

Até chegar a essa condição, o jogador contou com o apoio irrestrito da família, da esposa e de Grizzo, um dos maiores ídolos da história do Criciúma. Além disso, viu nomes conhecidos do futebol passarem pelo seu caminho, como Lucca, Iago Maidana, Vanderlei Luxemburgo e Petkovic.

Nessa lista também está Luizinho Vieira, treinador responsável por dar a primeira chance no time do Criciúma, ainda no fim de 2014, quando Róger havia acabado de completar 18 anos. Naquela ocasião, o atacante entrou em campo nas últimas três rodadas do Brasileirão, já com o time catarinense rebaixado.

Quem é esse menino?

Com a oportunidade nos pés contra o Flamengo, Róger arrancou elogios de Luxemburgo, que chegou a consultar o Criciúma depois da partida disputada no Castelão, em São Luís. No lance, o camisa 20 passou por três jogadores rubro-negros, rente à linha lateral, e serviu Cléber Santana, que balançou a rede (assista ao lance acima).

Cesar Greco/Ag Palmeiras

"Deixei ele no banco depois que o Criciúma me deu carta branca para usar a base. O Róger entrou e fez a jogada do gol de empate. Depois teve um contato do Flamengo via Luxemburgo para saber quem era ele", relembrou Luizinho, que o escalou no time titular diante do Sport, na penúltima rodada do campeonato.

Foi no jogo derradeiro, entretanto, que o jovem atacante conseguiu projeção maior, na Arena Corinthians. Róger empatou o jogo de calcanhar após cobrança de escanteio do hoje corintiano Lucca, parceiro de ataque na maioria das partidas em que teve chance de jogar pelo Criciúma (o gol abre o vídeo acima).

Segundo Luizinho, os dois não eram tão próximos fora de campo, pois a proximidade era maior com os colegas da base, como o zagueiro Iago Maidana, contratado pelo São Paulo em setembro após uma negociação polêmica.

"O Lucca é mais velho. O Róger vinha com a base, é natural que estivesse mais rodeado por esses atletas. A trajetória dele sempre junto com a do Maidana. Eles se davam bem, são jogadores da mesma idade", ressaltou Luizinho à reportagem do UOL Esporte.

Pai de família aos 19 anos

Róger tem uma ligação muito forte com a família. Não à toa, o jogador aproveitou as duas folgas concedidas pelo Palmeiras nessa semana para voltar a Criciúma e passar algumas horas com o pai, Neco, e a mãe, Marisa. Os pais ainda puderam rever o neto, Ryan, de apenas cinco meses.

A criança é fruto do relacionamento com Sindianara, namorada de Róger há quatro anos. O casamento aconteceu no começo do ano passado. De acordo com Neco, mulher e filho acompanharam o jogador e passaram a viver em São Paulo desde a assinatura do contrato com o Palmeiras.

A ideia da família é visitar Róger na capital paulista sempre que puder. "Acompanhamos a mudança deles e ficamos tranquilos, pois ele está bem, perto da arena. Ele é muito novo ainda, é um molecão, muito apegado à família e muito caseiro", disse Neco.

Padrinho campeão da Copa do Brasil

Além de receber o apoio constante do pai -- o maior incentivador da carreira --, Róger tem um padrinho famoso, titular no maior título da história do Criciúma. Trata-se do ex-meia Grizzo, campeão da Copa do Brasil de 1991, sob o comando de Felipão.

Cesar Greco/Ag Palmeiras
Róger Guedes estreou como titular do Palmeiras contra o Santos, na Vila

Grizzo e Róger nasceram na mesma cidade (Ibirubá, a 300 quilômetros de Porto Alegre). O ex-jogador começou a carreira no time de várzea Vila Nova, no fim da década de 1970, cujo dono é Neco até os dias atuais. A amizade entre as famílias, então, atravessou gerações.

"Sempre acompanhei o Róger. Ele é diferenciado, desde os seis anos, quando jogava salão. Ajudei a incentivar, a mexer com o emocional dele. Ele me ouviu bastante por eu ser amigo do pai dele há tempos", ressaltou Grizzo, que hoje é treinador do time sub-20 do Criciúma.

Dificuldades em 2015 e nova ascensão em 2016

Para Grizzo, Róger continuará tendo chances no time titular do Palmeiras. O ex-meia jogou com Cuca no Juventude, em 1995, e foi comandado pelo atual técnico alviverde no Avaí, em 1999. "O Cuca é ousado. Eu tinha certeza que ele ia gostar do Róger. Fiquei muito contente com a chance que ele teve contra o Santos na semifinal", disse.

Para mostrar o bom futebol de 2016, Róger teve de superar um período complicado no ano passado. Depois da chegada do técnico Petkovic, o atacante perdeu espaço e teve de voltar ao time sub-20. Sem entrar em campo regularmente, Róger ganhou seis quilos -- todos perdidos na última pré-temporada.

Fernando Ribeiro/Criciúma
Róger Guedes e Lucca se abraçam em jogo do Criciúma em janeiro de 2015

"O Criciúma estava com mais de 40 jogadores no elenco. Ele ficava na cidade, não viajava, não tinha sequência. Ele engordou um pouco, mas recuperou depois que o Roberto Cavalo assumiu no fim do ano passado", disse Grizzo. 

"Ele só me deu trabalho na base na parte individual. Eu queria mais coletivo. A personalidade dele é acima da média, de assumir o jogo, técnica e fisicamente. Ele tem arrancada. Nunca me preocupei com a parte emocional. Ele não vai sentir nada. Eu o coloquei como titular contra o Corinthians e ele foi bem", ressaltou Luizinho.
 
Segundo o pai do atleta, Cuca vem cuidando bem do jovem atacante nos últimos dias. "Ele conversa bastante com o Cuca. E o grupo acolheu muito bem ele. O Róger tem muito potencial, depende só dele", finalizou Neco.

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