Apelido e 5 empréstimos. Por que ex-Grêmio e Palmeiras ainda não deslanchou

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Tiago Ferreira/Divulgação/Macaé

    Rondinelly celebra gol pelo Macaé-RJ. Contrato encerrado e ele volta ao Grêmio

    Rondinelly celebra gol pelo Macaé-RJ. Contrato encerrado e ele volta ao Grêmio

"Tenho qualidade para jogar em um clube de Série A". Com essa segurança o meia Rondinelly, hoje aos 25 anos, avalia a perspectiva de conclusão da temporada. Depois de uma boa passagem pelo Macaé-RJ no primeiro semestre, o armador voltará ao Grêmio, clube com o qual tem contrato por mais um ano. E a rotina deve ser a mesma: empréstimo. Algo que, no mesmo tom sincero, ele mostrou o quanto o desagrada. 

Foram cinco desde 2013, um ano depois de chegar ao Tricolor. O primeiro foi para atuar também em um clube grande, o Palmeiras, onde foi envolvido na negociação de Barcos junto a outros três jogadores. Também não conseguiu jogar por lá. Mas em seguida, analisa como positivas as passagens por Portuguesa, Luverdense e Audax. 
 
A falta de sequência, a politica do Grêmio, a falta de planejamento para jogadores que são repetidamente emprestados, tudo foi analisado pelo atleta, que não escondeu mágoa, em entrevista exclusiva ao UOL Esporte. Os bastidores do clube, as poucas oportunidades dadas por Gilson Kleina no Palmeiras e o apelido de Rondiquelme - que segundo ele não atrapalhou em nada - também foram abordados pelo armador. 

Lucas Uebel/Preview.com

Como foi a experiência no Macaé? 
Foi muito importante a sequência de jogos. Ajudei o time a sair de uma zona de briga para não cair e fomos até a semifinal. Individualmente me destaquei com gols e assistência. Estou muito feliz e quero dar continuidade a isso. 
 
Seu contrato segue?
Não, aqui acabou. Agora volto e vou conversar com a direção do Grêmio para ver meu futuro. 
 
Em 2012, quando foste contratado, havia uma grande expectativa sobre você. O que aconteceu? 
Acredito que em 2012, quando eu cheguei, eu até correspondi. Joguei bastante, mesmo entrando nos jogos. Era um time experiente com Kleber, Zé Roberto, Elano, Marco Antonio, Marquinhos, Marcelo Moreno. E eu era o 12º jogador do Vanderlei (Luxemburgo). Depois fui para o Palmeiras na negociação do Barcos. E a falta de sequência atrapalhou muito. Depois eu voltei ao Grêmio, tinha mudado a direção, a comissão técnica, e não me deram chance. O problema para não ter me firmado foi a falta de oportunidades.
 
Você acha que o lance do segundo gol do Palmeiras contra o Grêmio na semifinal da Copa do Brasil de 2012, em que você erra o chute e na volta sai o gol, te atrapalhou de alguma forma? 
Já ouvi comentários disso, mas foi uma falha coletiva. Naquele mesmo lance falhou o Pará ao não fazer a falta, o Victor também. Foi uma falha geral. Mas talvez refletiu em mim porque eu era o mais novo. Mas não creio que tenha sido o motivo, passou um ano, tive no Palmeiras, e na volta não tive sequência pela troca de comando, de direção de futebol. Faz parte. Depois que saí, não tive sequência como tive agora no Macaé, e isso abre caminho para que eu possa ser aproveitado. 
 
O que aconteceu no Palmeiras? Foram apenas oito jogos...
No Palmeiras foi uma situação que o clube sofre até hoje. O grupo era muito grande. O Gilson Kleina é um técnico que dá poucas chances ao jogador. Quando eu cheguei, tive algumas lesões e demorei para voltar. Quando estreei, foi aquém do que ele esperava, até pelo tempo fora. Depois não consegui ter oportunidade. Isso foi muito negativo. 
 
A leitura que se faz das suas palavras é que não foste aproveitado no Grêmio por uma questão política. Trocou a gestão, você foi arquivado. Você concorda? 
Faço essa leitura sim. É o que eu sinto. Todos dentro do Grêmio, comissão técnica, jogadores que treinaram comigo no dia a dia, sabem do meu potencial. E não sabem dizer como um jogador da minha qualidade fica indo e vindo sem ter chance de ao menos brigar por uma oportunidade.
 
Você chegou a treinar no time de transição do Grêmio, não é? 
A verdade é que o grupo de transição foi montado para os meninos do Sub-20 e jogadores que estavam no profissional mas não sendo aproveitados, que descem para jogar. E deram chance para quem volta de empréstimo treinar. Eu, o Tony (lateral direito)... Mas nós nem jogamos. Não foi por nível técnico, é porque o grupo é montado para conhecer os meninos do Sub-20. Podem até falar que não, mas essa é a verdade. 
 
Ficou mágoa do Grêmio ou mesmo do Palmeiras pela falta de chance?
Do Palmeiras não. Mas no Grêmio fica um gosto de ser patrimônio do clube e mau utilizado. De certa forma, o maior prejudicado é o atleta. Tem outros casos que acontece o mesmo. O Grêmio é muito grande, é gigante, mas o jogador não é. Era para minha carreira estar em voos mais altos não fosse tudo isso. Você é jogador de um grande clube, tem uma parte boa financeira, um salário, mas fica sendo emprestado a cada seis meses e isso atrapalha. 
 
Você não teve sequência nos outros clubes além de Grêmio e Palmeiras, não é...
Todo mundo fala disso, mas é mentira. Às vezes as pessoas não acompanham. No Palmeira, ok, eu não joguei. Mas depois fui para a Portuguesa e joguei o Paulista como titular, iniciei a Série D como titular, foram mais de 20 jogos. Voltei para o Grêmio. A questão toda é o empréstimo. o jogador que é emprestado de clube grande sofre com isso. Vai para um novo clube, tem que ganhar espaço e muitas vezes tem só o Estadual. Tive dois meses aqui no Macaé. Sem preparação alguma. Joguei 10 partidas. Não é a preparação que um jogador precisa. É um mau planejamento dos clubes que interfere na carreira dos jogadores. 
 
Você acredita que pode voltar ao Grêmio e ser aproveitado? 
Se depender da minha vontade, eu quero sim. Tenho a intenção de jogar no Grêmio e acho que poderia corresponder. Acredito que no futebol acontece de tudo. No ano passado, o Kleber Gladiador treinava separado, conosco. Sabemos que a situação dele era outra. O Edinho também estava ali. E voltou para o grupo. É a prova viva que pode acontecer. Ele está ajudando o time em vários momentos, mesmo não sendo titular. Quem ver pode achar que eu não seria titular do Grêmio, mas poderia ajudar. 
 
Se não jogar no Grêmio...
Minha meta aqui (No Macaé) era ter sequência. O mercado não pede qualidade, olha o número de jogos. No futebol brasileiro o jogador é contratado porque jogou 50 partidas. O que jogou 10, de repente mesmo sendo melhor, não tem essa chance. Vim para jogar e agora vou procurar um clube de Série A. Se não for o Grêmio, outro.... Tenho qualidade para jogar em um clube de Série A, provei isso no Grêmio. Se for necessário passar por etapas, vou passar e dar a volta por cima. 
 
Na época do Grêmio a torcida brincava com teu nome, chamava de Rondiquelme (alusão a Riquelme, então no Boca Juniors). Você acha que isso atrapalhou? 
Não acredito não. O nome foi associado pelo jeito de jogar, a técnica. Como eu disse, os problemas que tive foram pela falta de oportunidade. Quando tive em campo, sempre correspondi. No Grêmio não foi diferente. Os torcedores gostavam de mim, pediam para eu entrar no time. Todos lembram disso. Não foi esquecido. É claro que se passaram três anos, e não ganhamos títulos. O Grêmio sente muito a falta de títulos. Então, acho que é isso. Estou feliz pela sequência no Macaé. 
 

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