"Ser o loirinho de olho azul não ajuda", diz jovem promessa do Botafogo

Juliana Alencar

Do UOL, em São Paulo

  • Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Quando Luis Henrique entrar no Maracanã neste domingo será sua estreia no mítico estádio do Rio. Aos 18 anos, o atacante do Botafogo, no entanto, prefere não surfar na onda de euforia. Com menos de uma temporada na equipe profissional, uma das principais das promessas da base que ajudaram a levar o Botafogo à disputa da final do estadual do Rio adota um discurso cauteloso para falar da sua primeira final de um torneio.  

Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Luis Henrique e Ribamar

A bem da verdade, ele não tem sido a primeira escolha do treinador para o ataque - é Ribamar, outro atleta formado nas categorias inferiores, quem vem assumindo a titularidade nas últimas partidas. Mas desde que foi promovido em maio de 2015 com status e contrato de estrela - são R$ 60 milhões de multa rescisória caso saia antes de maio de 2017 para algum clube europeu - , o atleta capixaba é visto - e vendido - como um dos símbolos do novo momento do clube.

É que além do futebol eficiente, medido, sobretudo, pela média de gols na Copa do Brasil Sub-17 no ano passado  - foram 14 gols em 10 partidas -, a diretoria do Botafogo enxergou no atleta outros atributos, mais subjetivos: com pinta de galã e fama de bom moço, o clube aposta na capacidade dele de atrair uma nova geração de torcedores - e torcedoras - para o clube. O Botafogo é a quarta força do futebol no Rio.

Luis Henrique não se incomoda com esse papel. E tem consciência dele. Paralelamente à rotina de treinos e partidas, vivencia, aos poucos, a experiência de ser um ídolo em construção. "As crianças se identificam comigo, sim. O carinho deles é muito bacana. Talvez pelo fato de eu ser jovem ainda e ter conseguido me tornar um jogador profissional", palpita o atleta, em entrevista, por telefone, ao UOL Esporte.

Já o sucesso com o público feminino, no entanto, é minimizado. Tímido, prefere tratá-lo com certa normalidade. "Tenho fãs, mas não é nada demais. São torcedoras do clube, meninas que acompanham futebol. Não tem nenhum problema".

Reprodução
Luis Henrique para a Puma

O lado galã do atacante foi explorado na campanha de lançamento da camisa do Botafogo pela Puma, atual fornecedora de materiais esportivos da agremiação. Nas imagens divulgadas, ele aparece sem camisa, com frases inscritas no corpo por meio de efeitos gráficos. Foi um dos primeiros trabalhos dele depois de subir da base.
 
"A gente vai aprendendo a posar para foto, falar para vídeo, imprensa, participar de eventos do clube. É algo que faz parte também da minha profissão, da divulgação. Não me sinto desconfortável, mas estou aprendendo ainda como tudo isso funciona", encerra Luis. 
 
 

Tinha também o fato de eu morar num bairro melhor, as pessoas achavam que a vida era necessariamente mais fácil. Mas não me sentia privilegiado"

Começo complicado

Taffner, o sobrenome alemão que herdou da família paterna, nunca foi usado profissionalmente. Mas traços europeus já geraram certa desconfiança de quem via, de longe, o garoto chegar ao Botafogo, em 2013. "Ser loirinho de olho azul não ajuda, os colegas acham que você é diferente, tem uma vida mais fácil", relembra ele, que, no entanto, nunca chegou a se sentir deslocado ou se vitimizar por quem o rotulava sem conhecer sua trajetória. "Tinha também o fato de eu morar num bairro melhor. Mas não me sentia privilegiado". 

Luís Henrique é filho de classe média, criado numa pequena cidade de 10 mil habitantes no Espírito Santo, Itarana. Mas quando sua mãe, Tanara Farinhas, se separou de seu pai, os dois tiveram que começar uma vida nova, mais modesta, no Rio. Foi na capital que ele começou a levar a sério a ideia de seguir carreira no futebol. Tanara, que hoje gerencia a carreira dele, foi quem correu atrás de uma oportunidade para o garoto no Botafogo. 

Antes, Luis Henrique teve passagens pelas bases CFZ e pelo Flamengo. "Tive muitos problemas de adaptação nos primeiros clubes. Poderia não ter dado certo, mas eu sempre tive todo o apoio da família nisso. Minha mãe abriu mão de muita coisa para me acompanhar".

Reprodução/Instagram
O atleta do Botafogo com a namorada

A marcação cerrada da matriarca também o ajudou a ser um garoto avesso a ostentação. Jura que nunca fez uma compra por impulso. "Nada da qual me arrependi. Comprei um apartamento, que eu vivo hoje com a família, não teve nada de extravagante".

E acredita que uma lista de metas que fez quando entrou no Botafogo contribuiu para que não se deslumbrasse. "Quando eu era mais novo eu tinha estabelecido onde eu queria chegar aos 18 anos. Consegui alcançar". 

Ele atingiu a maioridade no dia 17 de março. Luis namora há um ano a carioca Julia Aromatis. No Instagram, ele publica fotos com a jovem, mas diz não gostar de falar muito sobre a vida pessoal. "Não exponho muito, para nos preservar", justifica.

Uma das opções do técnico Ricardo Gomes para a decisão contra o Vasco, que começa neste domingo, não sabe se terá a oportunidade de entrar em campo. Mas diz estar pronto para contribuir para o Botafogo do jeito que ele mais gosta: jogando bola.  "Todo jogador sonha em jogar uma final no Maracanã. Existe, sim, a expectativa", reconhece ele. "Mas o importante é poder contribuir com o grupo. A gente sente a cobrança e ela é igual para atletas mais ou menos experientes. Me sinto preparado para isso".

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