Ex-rebelde, Bandeira amplia crise no Fla por acerto sigiloso com a CBF

Pedro Ivo Almeida e Vinicius Castro

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Lucas Figueiredo / MOWA Press

    Eduardo Bandeira de Mello participa de coletiva na CBF. Ele será chefe de delegação

    Eduardo Bandeira de Mello participa de coletiva na CBF. Ele será chefe de delegação

Surpresos e sem saber o que dizer. Foi assim que a maioria dos vice-presidentes do Flamengo acompanhou a convocação da seleção brasileira para a Copa América Centenário. Ligar a TV e se deparar com o presidente Eduardo Bandeira de Mello sentado à mesa entre o técnico Dunga e o coordenador Gilmar Rinaldi fez disparar a troca de mensagens indignadas entre os cartolas e torcedores rubro-negros.

Em um momento delicado do departamento de futebol após derrotas emblemáticas e eliminações, o mandatário ampliou a crise ao aspecto institucional. A forma sigilosa como aceitou o convite do presidente da CBF Marco Polo Del Nero para ser o chefe de delegação na competição sul-americana gerou críticas e irritação nos corredores da Gávea.

A decisão se deu na noite de terça-feira (3) a partir de um telefonema de Del Nero. Bandeira apareceu na sede da entidade com o motorista particular e surpreendeu os presentes na convocação. O vice-presidente de comunicação Antonio Tabet não foi informado, assim como o vice geral Maurício Gomes de Mattos, que está na Espanha.

O choque em vê-lo colaborar com a CBF foi tema nas redes sociais (veja abaixo) e da conversa entre os dirigentes. A reprovação é quase que total, principalmente pela forma como a negociação aconteceu.

Na Gávea, figuras políticas temem que a atitude tenha manchado a luta do clube pela Primeira Liga e desmoralize as iniciativas anteriores contra a própria entidade e a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro). Por outro lado, existe a aposta de que o presidente tenha obtido alguma contrapartida, como a esperada aprovação da Liga ou até mesmo o fortalecimento político do Rubro-negro.

Traição, inaceitável, vergonha, decepção... Essas palavras circularam nas mensagens entre os cartolas do Flamengo e da Primeira Liga. A imagem de Bandeira de Mello aparentemente saiu arranhada do episódio e há quem aposte que ele ainda recue do convite por conta da repercussão negativa.

Por enquanto, o dirigente vai mesmo ocupar a controversa função de chefe de delegação e pode até se ausentar por mais de um mês do Flamengo entre maio e junho. O trabalho não está definido, mas o primeiro dia já foi tumultuado o suficiente para deixá-lo desconfortável.

"Ainda não conversamos exatamente sobre a minha função. O importante é assumir esse compromisso. Tenho a certeza de que vamos definir as coisas com calma", pontuou Bandeira.

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