Gaviões diz introduzir cultura de paz e vê escolha aleatória de 17 presos

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Dassler Marques/UOL

    Líderes da Gaviões da Fiel concederam entrevista coletiva nesta segunda

    Líderes da Gaviões da Fiel concederam entrevista coletiva nesta segunda

A Gaviões da Fiel realizou, nesta segunda-feira, apelo contra a prisão de 17 integrantes. Liderada por Chico Malfitani, um dos fundadores da agremiação e líder histórico, a entrevista coletiva na sede da torcida foi espécie de contra-ataque por ações recentes do poder público. Entre as reclamações da Gaviões está sobre a seleção de membros que foram detidos - eles podem pegar até dez anos de cadeia.

As prisões foram definidas após clássico com o Palmeiras, no dia 15 de abril, por conta de confusão entre 27 corintianos, que integravam um caminhão da escola, e um carro com palmeirenses. O problema foi próximo da Estação Clínicas do Metrô. Horas depois, 27 mandados de prisão foram emitidos, mas nem todos puderam ser executados. Houve até um brasileiro que mora na Austrália na lista. Ao final, 17 foram detidos, sendo 16 em São Paulo e um no interior de Minas Gerais. 

"Os palmeirenses não deram queixa. Nos acertamos na mesma noite, meia hora depois. A Polícia Militar chegou na mesma hora, todos foram presos em flagrante e não havia madeiras, artefatos, nada. Isso foi a 700 metros da saída do jogo. Então o Ministério Público escreve que eram pessoas preparadas para a guerra", protestou Wildner de Paula Rocha, mais conhecido como Pulguinha, líder da Gaviões. 

Na entrevista, os líderes da escola citaram uma série de episódios em que, segundo a ótica deles, a violência foi facilitada pelo poder público. Entre eles, estão:

- Agressões contra Diguinho, presidente da Gaviões, e Cris, secretário
- Repressão da PM em partida contra o Linense, pelo Paulistão
- Inspeção da Gaviões a dois dias de clássico com o Palmeiras
- Divulgação de imagem sobre suposto agressor de Diguinho e Cris, que seria da torcida palmeirense Mancha Verde, também antes de dérbi
- Operação do Metrô no dia do clássico com o Palmeiras, que permitiu encontro de organizadas rivais
- Falta de policiamento em São Miguel Paulista, onde um senhor acabou morto após troca de tiros

"Jogaram pólvora no fogo", reclamou Chico Malfitani. "Nós fomos antes do jogo, nos bairros e quebradas, dizer que seria armadilha para criminalizar as organizadas. Parece um circo armado para ter briga e confusão e depois nos culparem. Nossos meninos estão há quase um mês presos injustamente", declarou. 

Ainda segundo os líderes da Gaviões, há um processo de diálogo aberto entre organizadas para contenção da violência. Eles citam a Torcida Jovem, do Santos, e a TUP, do Palmeiras. 

"Se não houver isso, não vai haver paz no futebol. Você fecha uma organizada e as mesmas pessoas vão ao jogo, as do bem e as do mal. Aqui, reunimos novos integrantes em uma sala e dissemos 'quem veio achando que vai brigar, vai embora'. É uma cultura de paz que estamos introduzindo", declarou Malfitani. 

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