Sérgio Cabral é acusado de receber propina em obra do Maracanã, diz revista

Do UOL, em São Paulo

  • Rafael Andrade/Folhapress

A edição digital da revista "Época" desta terça-feira (10) publica informações de delações premiadas na Operação Lava Jato de dois ex-dirigentes do grupo Andrade Gutierrez. Nelas, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB-RJ) é acusado de cobrar propina para permitir que a empresa se associasse às empreiteiras Odebrecht e Delta no consórcio que disputaria em 2009 a reforma do estádio do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014.

De acordo com o relato dos dois delatores, Cabral cobrou pagamento de 5% do valor total do contrato. A obra do estádio, que inicialmente fora orçada em R$ 720 milhões, se encerrou com um custo superior a R$ 1,2 bilhão.

Os dois delatores são Rogério Nora de Sá e Clóvis Peixoto Primo, ex-presidentes de empresas do grupo Andrade Gutierrez. Ambos prestaram os depoimentos em março. Nelas, afirmam que o interesse da Andrade no Macaranã teve início depois da desistência da licitação das obras do Mineirão – a reforma no estádio mineiro foi feita no formato de Parceria Público-Privada.

Nora de Sá afirmou que a Odebrecht e a Delta já estavam acertadas informalmente para disputarem o consórcio. Na reunião com Cabral, o então governador teria concordado com a entrada da Andrade Gutierrez, mas não abria mão da presença Delta no negócio.

Na reunião, Cabral teria deixado claro a existência de um pedágio a ser pago pela "bondade". "A conversa foi franca, mas o pedido de propina foi veiculado com o uso de outra palavra, que pelo que o depoente se recorda foi contribuição", diz o trecho da delação de Rogério Nora de Sá, divulgado pela "Época".

Os pagamentos teriam começado em 2010 e ocorridos somente até o ano seguinte. A propina teria sido interrompida pelo fato de a obra ter começado a dar prejuízo. Nas delações, nenhum deles informou o valor que teria sido desembolsado no período.

Procurada pelo UOL Esporte, a assessoria de Sérgio Cabral afirmou, por meio de nota oficial, que o ex-governador "manteve com a empresa Andrade Gutierrez apenas relações institucionais". O posicionamento diz, ainda, que Cabral "jamais interferiu em quaisquer processos licitatórios de obras em seu governo nem tampouco solicitou benefício financeiro próprio ou para campanha eleitoral em decorrência da realização delas".

Sérgio Cabral foi governador do Rio de Janeiro entre 2007 e 2014. Na última eleição, elegeu seu sucessor Luiz Fernando Pezão, também do PMDB.

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