Gaviões nega expulsar homossexuais e pede fim de gritos de "bicha"

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Dassler Marques/UOL

O nome da Gaviões da Fiel foi ligada a dois episódios recentes que têm a sexualidade como pano de fundo. Perguntados a respeito, líderes da torcida organizada do Corinthians adotaram um tom pacificador. Segundo eles, a agremiação quer, inclusive, acabar com o grito de 'bicha' que se tornou tradicional a partir da cobrança de tiros de meta dos goleiros adversários corintianos. 

Na última quarta-feira, diante do Nacional-URU, a torcida organizada foi uma das correntes ligadas ao clube que tentou mudar o grito que se tornou tradicional. Comunicados circularam entre torcedores com o apelo para que o "bicha" fosse substituído por "vai Corinthians". Apesar da tentativa, o público presente manteve o grito homofóbico padrão. 

"Deixa a gozação para antes e depois do jogo. É 90 minutos gritando Corinthians", resumiu Fabrício Pouseu, tesoureiro da Gaviões e uma das principais lideranças da atualidade. 

"Isso surgiu como uma brincadeira com o Rogério Ceni. É uma coisa natural de gritar 'bicha' no tiro de meta, pela rivalidade com o Ceni. Mas ele nem joga mais, e nem era bicha. Nós não temos nada contra", explicou Chico Malfitani, fundador da Gaviões e uma liderança histórica do grupo. Ele foi escalado na última segunda-feira para uma entrevista coletiva sobre 17 corintianos preventivamente presos

"Isso vale na ótica da gozação do futebol, da rivalidade. É como o gambá e o porco. O porco era ofensa, e hoje está incorporado. Não podemos perder isso que o futebol fica sem graça. Mas não tem sentido nenhum a torcida gritar 'bicha'.  Usa essa voz pra apoiar o time, para incentivar. Não para fazer uma bobagem daquela. É muito mais legal gritar Corinthians", complementou Malfitani. 

Os integrantes também comentaram a respeito de outro episódio que envolveu o nome da Gaviões. Por meio de mídias sociais, se espalharam brincadeiras a respeito de um possível membro da agremiação intitulado Cleber que seria homossexual. O fato gerou gozações por parte de outras torcidas organizadas e especulações de que ele teria sido expulso, mas segundo os corintianos há liberdade para que cada um tenha sua opção. 

"Estamos no século XXI. Cada um faz o que quer com seu corpo e sua vida. Não fazendo algo aqui dentro, respeitando o nosso meio, não vamos expulsar ninguém por causa disso", disse Chico Malfitani. "Mesmo com a gozação de outras torcidas, e pessoas da diretoria foram vítimas de brincadeiras, é a oportunidade de mostrar que estamos mais evoluídos que a sociedade". A reportagem não conseguiu localizar Cleber. 

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