Alvo na Lava Jato, vice isenta Corinthians e mira Câmara com nome de Andrés

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo Pessoal

O afunilamento da operação Lava Jato e a prisão por porte ilegal de arma, em março, não alteraram os planos de André Luiz de Oliveira. O vice-presidente do Corinthians, mais conhecido como André Negão, tem agenda e hábitos de candidato. Ele quer concorrer a vereador pelo PDT nas próximas eleições municipais, em São Paulo. 

Em entrevista ao UOL Esporte, André comentou pela primeira vez sobre o envolvimento de seu nome nas investigações da operação Lava Jato. De acordo com ele, os motivos por ter sido convocado pela Polícia Federal para depoimento não são relacionados diretamente ao Corinthians. O vice-presidente, que não tinha cargo no clube na época do suposto envio de propina, dá a entender que o fato pode estar atrelado a terceiros. 

"Nunca fui perguntado de estádio pela Polícia Federal. O Corinthians não tem nada a ver com isso. Me perguntaram algumas coisas e é notório que não posso ficar falando. Tem sigilo. Nem tenho o que falar", argumentou André Luiz. 

De acordo com o trabalho da Polícia Federal, ele é suspeito de ter recebido R$ 500 mil em propinas da Odebrecht em obras da Arena Corinthians. Nas planilhas da empresa, constava o pagamento da quantia em nome de 'Timão'. O vice-presidente era esperado em sessão do Conselho de Ética do clube, mas não se manifestou. 

"De Corinthians não me perguntaram nada (na Polícia Federal), por que vou dar esclarecimento ao Conselho? Não teve nada a ver com o Corinthians", repetiu André, que embora não admita abertamente, projeta se eleger vereador em outubro.  

Vice do Corinthians faz campanha na zona leste

Nos últimos sete dias, André fez campanha em pelo menos dez locais da zona leste paulistana. Sempre em nome do deputado federal e ex-presidente corintiano Andrés Sanchez, de quem é extremamente próximo, ele teve agenda política em São Miguel Paulista, Guaianases, Itaim Paulista, Cidade Tiradentes e Vila Roseira. Em alguns dos bairros, o vice do Corinthians participou de mais de um evento no corpo a corpo com a população. 
 

"A ideia é conversar com a população para ver os problemas e ver o que a gente pode ajudar. A gente vai para se colocar à disposição, resolvendo problemas de moradia que a gente não consegue sozinho, porque não depende da gente. Sempre trabalhei na área social", explica André Negão, em sua primeira entrevista desde a prisão em março. 
 

Ele argumenta também que os trabalhos em comunidades da zona leste são parte de seu trabalho como secretário de gabinete do deputado Andrés Sanchez. Nomeado pelo amigo, André recebe salário de R$ 12.940 por mês. "Tento trazer a demanda da população e ajudar de alguma forma. A prefeitura de São Paulo asfaltou algumas comunidades a respeito do nosso mandato", assegura. 
 

Reprodução
André Negão divulgou mensagem de Feliz dia das Mães ao lado de Andrés Sanchez

Também de acordo com André Negão, a decisão sobre seu posicionamento nas eleições será adotado em breve. Porém, ele não nega que será candidato. "Ainda não nos decidimos, porque só vai ter a normativa em agosto e ainda não sei. Estamos fazendo um trabalho no mandato do Andrés que é voltado para a população carente", afirmou.
 

Nos últimos meses, além do corpo a corpo, André Negão também se utiliza da internet para alcançar o eleitorado. O provável candidato a vereador dispara mensagens praticamente diárias via WhatsApp. Ao ser preso em março, por exemplo, enviou o seguinte texto: "quando algo ruim acontece, você tem três escolhas. Deixar isso definir você, deixar isso destruir você ou fazer isso te deixar mais forte. Bom dia os pássaros cantam felizes". 
 

Embora tenha um papel distante como vice-presidente do Corinthians, André Negão também se utilizou de um canal do clube para estreitar relacionamento com torcedores. No fim de 2015, um longo comunicado de Boas Festas foi enviado por ele via e-mail para cada um dos mais de 100 mil membros do Fiel Torcedor.
 

Perguntado sobre a ausência nos projetos do clube e no dia a dia, o vice-presidente argumentou que "o responsável pelo Corinthians é o presidente. Ele é quem assina, paga, compra, faz as coisas. Não há obrigação do vice fazer nada. É institucional, para assumir o clube em uma futura eventual ausência do presidente". 

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