SP se espelha em Michel Bastos e monta plano para recuperar Kardec

Guilherme Palenzuela

Do UOL, em São Paulo

Alan Kardec concedeu sincera entrevista coletiva na sexta-feira, no CT da Barra Funda. O atacante que fez apenas um gol em 2016 e vive o momento de menor eficiência em frente às traves da carreira será titular no domingo, contra o Botafogo, na estreia pelo Brasileirão, e admitiu na antevéspera do jogo que seu momento atual "não é fácil". Na diretoria do São Paulo, traçou-se um objetivo: recuperá-lo para o futebol da mesma forma como foi feito com Michel Bastos.

A situação com Michel Bastos aconteceu desde março e teve resultado nas últimas semanas. O meio-campista que em 2015 chegou a ter um atrito com a torcida neste início de ano foi um dos protagonistas do pacto de silêncio do elenco contra os pagamentos atrasados por direitos de imagem. Uma discordância interna entre os jogadores sobre o tema, posteriormente, deixou Michel situação delicada até que a diretoria resolvesse que a solução seria recuperá-lo, e não vende-lo.

O São Paulo mobilizou todo o departamento de futebol para que desse respaldo a Michel. Os dirigentes passaram a dizer nos microfones que ele era inegociável, enquanto o técnico Edgardo Bauza passou a falar que ele era o melhor jogador do elenco para a posição. Internamente, no dia a dia, cobranças e choques motivacionais individualizados por parte da comissão técnica e todos os funcionários instruídos a trata-los com carinho.

Deu certo. Nos últimos três jogos pela Copa Libertadores Michel Bastos foi decisivo: marcou o gol contra o Atlético-MG na última quarta-feira e também nas duas partidas contra o Toluca, do México.

Nesta sexta-feira, Kardec falou. "Não é fácil, mas quando você tem grandes profissionais ao seu lado você acaba controlando a ansiedade. Posso dizer que não foi fácil, principalmente pelas oportunidades que escaparam. O próprio Pintado que chegou é uma pessoa que me ajuda muito, no dia a dia, cobrando e motivando. Temos uma parte de psicologia muito boa aqui, tenho conversado bastante com as pessoas. Fico bastante tranquilo para que possa trabalhar para quando a oportunidade aparecer", falou.

A citação a Pintado reflete o projeto de recuperação que o São Paulo tenta implementar. O auxiliar técnico contratado há dois meses, ex-jogador e campeão mundial pelo clube, é quem conversa muito individualmente com os jogadores. Virou voz de apoio para muitos ao fazer um trabalho articulado pelo diretor executivo Gustavo Vieira de Oliveira e supervisionado pelo coordenador técnico Rene Weber.

Neste domingo o São Paulo enfrenta o Botafogo com 11 reservas – Bauza irá poupar todos os titulares para o jogo de quarta-feira, no Independência, em Belo Horizonte, contra o Atlético-MG, pela Libertadores.

Se não houver imprevistos, o São Paulo entrará em campo às 11h em Volta Redonda com: Renan Ribeiro; Auro, Lugano, Lyanco e Matheus Reis; Banguelê e Lucão; Centurión, Lucas Fernandes e Wilder; Alan Kardec. A oportunidade para Alan Kardec é mostrar que ele pode ser o substituto de Jonathan Calleri que, ao que tudo indica, deixará o Morumbi em julho.

"Meu pensamento é no São Paulo, não tenho que pensar no que vai acontecer lá na frente. Estamos num momento muito bom, a equipe vem crescendo. Procuro não pensar no que venha a acontecer. Estou preparado, porque nós sabemos, Calleri tem um contrato que se formos até a final da Libertadores será prorrogado, mas depois a permanência dele é uma incógnita. Ninguém sabe se ele fica ou não, muitos dizem que não. Eu estou preparado. As pessoas sabem que posso ser titular, eu tenho potencial, mas tenho que mostrar dentro de campo. Prefiro falar um pouco menos e tentar aproveitar as oportunidades", completou Kardec. 

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