Blogueiros: brasileiros melhoraram, mas mapeiam mal o mercado sul-americano

Do UOL, em São Paulo

  • Fernando Vergara/AP

    Copete brilhou pelo Atlético Nacional na Libertadores e fechou com o Santos

    Copete brilhou pelo Atlético Nacional na Libertadores e fechou com o Santos

O Brasil vem evoluindo, mas ainda mapeia mal o mercado sul-americano de jogadores na hora de contratar jogadores do continente. Esta, pelo menos, representa boa parte da opinião dos blogueiros do UOL Esporte, que citaram a influência de empresários, a ainda existente resistência aos estrangeiros e a falta de coragem para arriscar como algumas justificativas. Em contrapartida, o dinheiro pesa na hora de disputar as contratações com clubes da Europa neste território.  

Há muito espaço para melhora nesse mercado ou isso pode atrapalhar a revelação de jogadores da base?

Blogueiros opinam

André Rocha

O trabalho de análise de desempenho vai evoluindo no Brasil. Aos poucos. Porque ainda há algumas distorções, como avaliar o jogador apenas pela sua habilidade ou por conceitos subjetivos como "raça", "catimba" e não exatamente pelas características que vão casar com o time e o modelo de jogo proposto pelo treinador.

O preço e a "grife" devem ser levados em consideração, mas não podem ser determinantes. A contratação definitivamente não pode servir de escudo para o dirigente, apenas para dar satisfação ao imediatismo do torcedor. Muitas vezes dar oportunidade ao menino da base é melhor que apostar em um estrangeiro que terá que se adaptar ao nosso futebol, sem contar a língua, cultura...

Por outro lado, essa resistência aos estrangeiros, especialmente sul-americanos que não argentinos e uruguaios, beira a xenofobia e a nossa arrogância com a falsa premissa de que somos naturalmente superiores também contribui pouco. O futebol é cada vez mais coletivo e tático.

Avallone

O Brasil está começando a explorar melhor o mercado sul-americano, contratando, por exemplo, o equatoriano Cazares (Atlético-MG) ou o zagueiro colombiano Mina (Palmeiras), jogadores nem tão caros; ao mesmo tempo jogadores mais renomados da Argentina: Lucas Pratto (Galo) e Mancuello (Flamengo), jogadores mais caros. Mas poderia explorar melhor, principalmente colombianos e equatorianos que estão revelando muita gente.

Juca Kfouri

O futebol brasileiro mapeia mal, mas já mapeou pior. E invariavelmente os clubes contratam por sugestão de empresário, não porque têm seus próprios observadores.

Mauro Beting

Cada vez mais se mapeia melhor. A tecnologia facilita. Para evitar casos como a compra do Baez errado pelo Santos, ou a chegada de Carlos Castro pelo Palmeiras em 2003 baseado em um VHS de 1998.

Maradona foi oferecido para a Portuguesa. Em 1975. Ele custava 400 mil dólares. Tinha 15 anos. Era o preço de Leivinha, que um ano tinha sido titular da Seleção. Não teve jogo. O Brasil costumava contratar grandes jogadores já consagrados. Até por eles também se interessarem em atuar no futebol campeão mundial. Todos os campeões jogavam no Brasil. Isso foi até 1980. Nos últimos anos vieram nomes consagrados como D'Alessandro. Promissores como Valdivia. Ou vários Patito Rodriguez. Sem contar um Martinuccio que poderia ser o que as lesões também não fizeram virar. Como qualquer contratação, o risco é alto. O Palmeiras não quis investir em James Rodriguez, em 2009, por exemplo.

Nos últimos anos o Brasil tem apostado em nomes de fora mais pelo custo-benefício. São mais baratos. Mas o malefício, muitas vezes, é conhecido.

Menon

Os clubes brasileiros mapeiam muito mal a América do Sul. Buscam jogadores já consagrados e de custo caro. Ou então aceitam indicações erradas como Clemente Rodrigues, Patito e Mouche. O caso Dybala é típico. Da segunda divisão argentina foi para o Palermo e depois Juventus. Como ninguém viu?

PVC

Acho que não mapeia mal. Por muito tempo não mapeou.  Mas é difícil a situação de brigar com quem tem mais dinheiro. Mesmo que saibamos que há desperdícios como James Rodriguez oferecido aqui e desprezado. Mas contratamos muitos mais hoje em dia. Muitos fracassam porque não são os melhores. Estes vão para a Europa.

Rafael Reis

O Brasil é hoje um mercado real para os jogadores sul-americanos, mas poderia ser melhor. Não muito em quantidade, mas principalmente em qualidade. Devido à vantagem financeira que tem em relação a seus vizinhos, o futebol brasileiro deveria adotar a fórmula que consagrou Benfica e Porto: garimpar jovens talentosos do continente, maturá-los e vendê-los para os grandes centros. Mas, talvez por falta de observação ou falta de coragem para arriscar, o Brasil não segue esse caminho. É raro um estrangeiro ser negociado de um time daqui para um grande da Europa. Isso porque o primeiro escalão dos gringos raramente passa pelo Brasil. É esse papel de intermediário que o futebol brasileiro ainda não aprendeu a ter.

Vitor Birner

Não mapeiam. Se fazem, são muito incompetentes.  Quando algum estrangeiro brilha noutros torneios, em especial na Libertadores, mesmo se for mediano tal qual Martinuccio, ou habilidoso, inconstante e cheio de momentos de baixa na carreira como Montillo, contratam, em regra,  na alta e consequentemente pagam o valor de momento que é superior ao racional, se a referência for o futebol desses jogadores.

A quantidade tanto faz. Tem a ver com oferta de qualidade no mercado interno, o custo, e os orçamentos maiores que os de clubes das outras nações sul-americanas. Não é questão de mérito. Simplesmente são do país onde há mais dinheiro.

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