Imprensa estrangeira vê Brasil como zebra e sem romantismo na Copa América

Danilo Lavieri e Guilherme Palenzuela

Do UOL, em Los Angeles (EUA)

  • Lucas Figueiredo / MoWA Press

Elenco e comissão técnica podem afirmar que estão curados de qualquer efeito devastador que o 7 a 1 pode ter causado, mas fora do Brasil este talvez seja um dos momentos de maior contestação quanto à qualidade da seleção brasileira, outrora vista como melhor do mundo. Para a maior parte dos jornalistas de veículos estrangeiros que cobrem a Copa América, o Brasil não é favorito ao título em 2016.

Maior rival brasileira, a Argentina é a seleção que lidera, com muita folga, as apostas de campeã da Copa América Centenário, nos Estados Unidos. O Brasil, que estreia neste sábado (4) contra o Equador, é visto como zebra por grande parte e em um momento "sem romantismo", refém de Neymar e sem alternativas individuais para desequilibrar uma partida.

Para Ariel Greco, da agência alemã DPA, a Copa América se revelará um problema para a seleção brasileira: "Brasil vive um dos momentos históricos mais baixos, com muitos problemas, desfalques e sem Neymar. Dunga está questionado e é 6º colocado nas eliminatórias. Não vejo a seleção brasileira bem. A Copa América é mais um problema para Dunga do que solução. Se não vencer, vai provocar consequências ruins. Há poucos caminhos positivos".

O americano Dylan Hernandez, do jornal Los Angeles Times, cita que a atual seleção perde a mística e não demonstra mais o romantismo que marcou a seleção brasileira ao longo dos anos.

"Os melhores jogadores não estão aqui, você se pergunta como o jogo do Brasil evoluiu nos últimos anos. Não estamos certos sobre quão importante esse torneio é para o Brasil e para os jogadores. O fato de Neymar não estar aqui indica que isso não é a prioridade. Hoje não sabemos quem é o camisa 10 do Brasil, vejo uma certa tristeza no futebol brasileiro. Antes havia um certo romantismo, um ou dois jogadores ofensivos com certo romantismo, e hoje não vemos mais isso. Acho que não veremos nada disso em 2016", diz.

Ulisses Neto, da Omni Sports, da Inglaterra, sugere que o Brasil não deverá conseguir a classificação em primeiro lugar do Grupo B, e que pode haver hoje um desinteresse por parte dos atletas em participar da competição.

"Não me surpreenderia se o Brasil não passasse em primeiro lugar. Os jogadores, na minha visão, não estão 100% satisfeitos com a atual situação do time e comissão técnica. Não falam abertamente, mas indicam isso", comenta.

Porém há, também, aqueles que ainda acreditam que a camisa canarinho poderá pesar. O cubano Pablo Jesus Socorro, que trabalha para a agência francesa AFP, há jogadores que estão motivados para mostra que podem conquistar um título sem Neymar.

"O time perdeu um pouco de potência, mas a cultura pode compensar. Há jovens muito talentosos que vão querer aproveitar a oportunidade. Pela história, pode ser considerado um dos favoritos".

É o mesmo que pensa o equatoriano Julio Calle, do DT Sport, que cobre a estreia do Brasil contra a seleção de seu país, neste sábado, às 23h (de Brasília), no Rose Bowl, em Pasadena, na Califórnia.

"Brasil ainda é uma potência. O que aconteceu na Copa do Mundo não é habitual. Acho que ainda é uma potência", diz.

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