"Respeito o Dunga, mas Guardiola é diferente", diz D. Costa sobre seleção

Jeremias Wernek e Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto ALegre

Douglas Costa define sua última temporada como 'o ano mais fantástico de sua vida'. Com 25 anos, o meia do Bayern de Munique se firmou como titular e conquistou o técnico Pep Guardiola. Ganhou o Campeonato Alemão, a Copa da Alemanha e garantiu, também, lugar na seleção brasileira. 

De férias e tratando uma lesão em Porto Alegre, o armador atendeu a reportagem do UOL Esporte e mostrou nas palavras a mesma personalidade que tem ao ir para cima de adversários. Não se escondeu de 'com todo respeito a Dunga', dizer que Guardiola seria melhor como técnico da seleção brasileira. 
 
O Guardiola faz diferença em qualquer lugar do mundo"
 
Além disso, Douglas ainda explicou por que, na sua visão, os técnicos brasileiros não conseguem se firmar fora do país e analisou, à distância, o futebol nacional. Segundo ele, nenhum clube brasileiro conseguiria exercer a pressão que o Bayern exerce em seus rivais. Confira o bate-papo. 
 
Nenhum time do Brasil tem condições de pressionar como pressionamos no Bayern"
 
Temporada pelo Bayern
Voltarei sempre a Porto Alegre. Este prestígio de seleção, de Bayern, viver este momento é extraordinário. Sempre trabalhei para este momento e seguirei assim para subir mais meu nível. Este ano foi o mais fantástico da minha vida e espero anos melhores. O que eu vivi foi fora do comum. 
 
Pressão na seleção brasileira
A seleção brasileira é algo diferente de clubes. Será cobrado sempre como seleção brasileira, não como Bayern, Barça, Real Madrid, mas como seleção brasileira. Sabemos disso, nascemos dentro disso e temos que fazer o possível e o impossível para ganhar títulos. E amanhã vão dizer que não fizemos o possível. Faz parte do futebol, não corro disso, faz parte do futebol e estamos preparados. 
 
Neymar sofre mais que os outros
Antes tinha os dois Ronaldos, o Rivaldo, jogadores que foram melhores do mundo. Hoje a referência técnica é o Neymar, mas tem outros jogadores também que vem fazendo grandes coisas em seus clubes e podem ajudar ele a dividir o protagonismo. Isso vem acontecendo no momento. 
 
Kai Pfaffenbac-21.mai.2016/Reuters
 
Ainda há reflexo do 7 a 1 na cobrança?
Não
 
Alguém no Bayern chegou a comentar algo com você, até mesmo em tom de brincadeira...
Eu não estava presente nessa ocasião, então o pessoal sabe que se falar algo eu não estava. Não tem algo que vão brincar que vá me afetar ou os brasileiros. Já passou. Isso não vai acontecer mais. 
 
A chegada ao Bayern
O que mais me surpreendeu não foi a grandeza, mas a maneira com que os jogadores me trataram sendo tão grandes. Isso me deixou muito à vontade e a fim de fazer parte da família do Bayern de Munique. Quem me recebeu me deu confiança para poder fazer o que fazia em campo. Este foi o principal no clube.
 
Guardiola
Conviver com o Guardiola não é difícil. É inteligente, sabe o que quer, tem foco. Se você segue ele, sabe que terá êxito. Não é difícil seguir um cara que é um fenômeno no que faz. 
 
O que você aprendeu com ele
Primeiro que o que ele mais modificou em mim foi a confiança. Claro que tinha, mas de fazer o que eu não fazia. Ele é um cara que tira o melhor de cada jogador. De mim, do Muller, do Lewandowski, o Levi (Lewandowski) fez 30 gols, Muller também, eu dei muitos passes. O que ele poderia fazer pelo Bayern e por nós, ele fez. É um cara que onde toca ele muda. 
 
Guardiola na seleção brasileira
Ele é um cara que sempre gostou do Brasil, me disse isso várias vezes. Se tem interesse na seleção, não sei deste assunto. Mas o Guardiola faz diferença em qualquer lugar do mundo. Respeitando todos que já estiveram ali, hoje o Dunga, mas o Guardiola é diferente. Hoje o Brasil vive uma ideia de ter treinadores brasileiros, e respeitamos isso, faz parte da nossa identidade, de ter um treinador que nos representa, o Dunga foi campeão do mundo e nos representa muito bem, mas saindo disso e falando de Guardiola, ele treinaria qualquer time do planeta. 
 
Guardiola te lembra algum técnico brasileiro
Não tem como dizer que ele lembra algum técnico brasileiro. Ele não lembra nenhum treinador, é um cara diferente, é único. No futuro vão dizer, este cara lembra o Guardiola, não o contrário. Sem dúvida foi o treinador que eu trabalhei que eu trabalhei com mais êxito e mais inteligente que eu já vi. Ele faz coisas que ninguém fez. Teve um jogo contra o Wolfsburg, que estávamos perdendo por 1 a 0, eu estava jogando pela beirada, ele fez uma mudança simples percebeu que o volante deles não saía e me colocou pelo meio, viu que eu poderia girar e abrir espaços para os meus companheiros. E viramos o jogo. No momento quem está na partida não vê o espaço, ele viu. Treinadores vendo em vídeo podem dizer que também fariam, mas no momento, ele percebeu e fez em questão de segundos. Já me colocou em tripé de volantes, onde eu nunca tinha jogado, mas viu que poderíamos ganhar por ali porque os volantes rivais eram lentos. E ganhamos. Ele estuda tanto o adversário que usa nossa maior qualidade na fraqueza dos adversários. Ele é muito diferente nestes pontos. 
 
Pode chegar a ser melhor do mundo...
Primeiro tenho objetivos com a equipe. Neste ano jogamos a Champions e não vencemos. A Champions League era uma competição muito distante quando eu jogava no Shakhtar. Chegávamos nas oitavas de final, uma vez chegamos nas quartas de final contra o Barcelona, e era onde poderíamos chegar. E com o Bayern, ter condições de ser campeão, se olha e vê que é algo que se pode competir. Penso em ganhar uma Champions, em jogar uma Copa do Mundo, primeiro os objetivos coletivos, depois o que vier será lucro. 
 
Futebol brasileiro
É muito diferente. Somos mais agressivos. Nenhum time do Brasil tem condições de pressionar como pressionamos no Bayern. Se você nos vê jogar, sufocamos o adversário. Por isso temos 70% de posse de bola. Nenhum time brasileiro teria condições físicas de fazer isso. Mas o Brasil tem a técnica, o talento, coisas que as pessoas da Europa vêm comprar no Brasil. Eu ponho na balança que tecnicamente o Brasil é o melhor país do mundo, mas taticamente a Europa é mais preparada fisicamente, está mais preparado para o ano de competição. A Europa está na frente por mais pontos positivos. 
 
Por que os técnicos brasileiros não dão certo na Europa? 
Primeiro o idioma. Nenhum técnico brasileiro, por exemplo teria condições de chegar na Alemanha falando alemão. O Pep se preparou para isso. Ficou um ano aprendendo e fala alemão. E também, eu não sei porque no Brasil os treinadores estão acostumados a ficar no máximo um ano e meio nos clubes. Na Europa, trabalhei seis anos com Lucescu no Shakhtar, fiquei mais dois anos com Guardiola. Eles têm mais tempo para trabalhar. Eu até queria ver um técnico brasileiro com mais tempo de trabalho. Seria um bom começo, no Brasil mesmo, um treinador com cinco ou seis anos teria mais sucesso no mesmo clube. Pelo tempo de trabalho e organização, este clube que fizesse esta aposta teria mais êxito que os outros. 
 

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