Copa América enfrenta resistência de sul-americanos para promover torneio

Danilo Lavieri e Guilherme Palenzuela

Do UOL, em Orlando (EUA)

  • Lucas Figueiredo / MoWA Press

    Dunga concede entrevista coletiva durante evento oficial da Copa América

    Dunga concede entrevista coletiva durante evento oficial da Copa América

O Comitê Organizador Local da Copa América tem encontrado dificuldades para promover a competição no "jeito Estados Unidos" de fazer negócio. A grande barreira está na diferença entre o que os norte-americanos consideram ideal para levar informações ao público com o que os sul-americanos estão dispostos a fazer.

Ainda antes da competição começar, clubes e organização fizeram uma reunião e não concordaram com o modo de organizar as entrevistas de técnicos e jogadores. Os americanos valorizam a promoção do evento, querem exaltar a marca da competição, enquanto os argentinos, uruguaios, brasileiros pensam em ganhar.

O ideal na cabeça do Comitê seria que toda chegada das delegações aos hotéis nas diferentes cidades fossem com direito a entrevistas para os repórteres interessados. O treinador daria entrevista na véspera do jogo, após a partida e ainda precisaria passar também pela zona mista para responder a mais perguntas individuais. As federações se uniram e derrubaram essa obrigação.

Além disso, a organização queria proibir os treinos secretos, aqueles que não contam com a presença da imprensa. Depois de muita negociação, conseguiram que não só os treinos pós-jogo fosse fechado, como também o da véspera das partidas pudesse ter apenas 15 minutos filmados, como já virou tradição no Brasil, por exemplo.

Nestes casos, os técnicos normalmente trabalham jogadas ensaiadas e evitam a presença das câmeras para que tenham trunfos durante os 90 minutos de jogo.

Em outros casos de imprevisto, o Comitê tentou usar o regulamento para forçar mudanças, como no  último treino da seleção brasileira, por exemplo. Após cancelar o trabalho no estádio do Orlando City, campo de jogo contra o Panamá, a organização pediu que Dunga concedesse entrevista quase no mesmo horário que o time treinaria, a cerca de 30 minutos de carro, em uma universidade. 

O comandante explicou ser óbvio que precisaria estar com o time na hora do treino e conseguiu nova vitória em relação aos pedidos da organização após muita conversa.

Recentemente, o presidente da federação do Uruguai também criticou o fato de o evento ter sido marcado para os Estados Unidos. O próprio admitiu o erro ao levar a competição para o a América do Norte e até insinuou que havia favorecimento ao México. A Celeste foi derrotada por 3 a 1 para os mexicanos na estreia.

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