Blogueiros: brasileiros não servem pra China ou sofrem com imediatismo?

Do UOL, em São Paulo

  • Rob Griffith/AP

    Mano Menezes foi demitido do Shandong Luneng dois dias após Luxemburgo cair no Tianijn

    Mano Menezes foi demitido do Shandong Luneng dois dias após Luxemburgo cair no Tianijn

Em um intervalo de dois dias, dois ex-treinadores da seleção brasileira foram demitidos de clubes chineses após apenas um semestre de trabalho. Vanderlei Luxemburgo e Mano Menezes apresentaram desempenhos abaixo do esperado e agora devem receber gordas multas rescisórias para voltar ao Brasil.

Será que os técnicos do Brasil estão em uma fase tão ruim que não funcionam nem na China? Ou os profissionais foram vítimas do imediatismo por resultados que tanto é criticado por aqui? Blogueiros do UOL Esporte opinaram.

Mauro Beting entende que os asiáticos adquiriram algumas características daqui. "Os cartolas chineses também importaram a impaciência dos cartolas brasileiros. Lá eles não têm a cultura do futebol. Não sabem o que é necessário. E não deve ser também fácil para as partes se entenderem. Eles sabem que estão pagando muito dinheiro. E querem resultados para anteontem", opinou.

Paulo Vinícius Coelho, o PVC, vai na mesma linha, e cita ainda a demissão de Cuca do comando do Shandong Luneng no fim do ano passado: "Acho que os chineses são impacientes, porque Cuca e Mano Menezes são técnicos preparados".

Luis Augusto Simon, o Menon, também acha que os dirigentes chineses poderiam esperar mais para avaliar os trabalhos dos técnicos, mas entende que alguns resultados não são justificáveis.

"A queda de Mano e Luxemburgo mostra que os chineses estão optando mesmo pelo estilo brasileiro de gerenciamento: não está indo bem, cai fora. No caso de Mano, ainda se pode discutir, afinal ele levou o clube às quartas de final da Copa da Ásia. Quanto a Luxemburgo, é indesculpável um time com Jadson, Luís Fabiano e Geuvânio se arrastar na segunda divisão chinesa. Mais uma vez, o projeto não deu certo", afirmou.

Juca Kfouri, por sua vez, vê mais culpa dos treinadores que dos dirigentes: "As duas demissões têm muito mais a cara de que foram provocadas por quem apenas queria ganhar um bom dinheiro nas multas que terão que ser pagas".

E na visão de André Rocha, há um pouco de cada coisa. "É preciso tempo. Contratar um treinador de fora e não lhe dar o crédito de pelo menos uma temporada parece bem injusto. Mas os técnicos brasileiros também têm sua cota de responsabilidade neste caso. Tanto nos métodos antigos, mais no caso do Luxemburgo e que já chamavam a atenção por aqui, quanto no hábito de deixar o trabalho ofensivo por conta da qualidade e do improviso dos jogadores", avaliou.

Retrospecto

Tanto Luxemburgo quanto Mano Menezes tiveram aproveitamento de 44,4% em seus clubes. Luxa conseguiu quatro vitórias, quatro empates e quatro derrotas no comando do Tianjin Quanjian, deixando o time em oitavo na segunda divisão.

Já Mano, com sete vitórias, sete empates e sete derrotas à frente do Shandong Luneng, saiu com a equipe na 15ª colocação do Campeonato Chinês - porém, classificou o time para as quartas de final da Liga dos Campeões da Ásia.

O último título conquistado por Luxemburgo foi o Campeonato Carioca de 2011, pelo Flamengo, enquanto Mano levantou um troféu pela última vez em 2009, quando venceu a Copa do Brasil pelo Corinthians.

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