Chineses fazem parceria com Grêmio e querem virar potência na Copa de 2030

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Divulgação/Grêmio

    Comitiva do Grêmio e alunos de parceria com Black Panthers na China

    Comitiva do Grêmio e alunos de parceria com Black Panthers na China

Hoje pode parecer loucura, mas quem duvida dos chineses? Conhecidos pela disciplina e com capacidade de conquista em vários esportes, as atenções do país asiático agora estão voltadas para o futebol. O presidente Xi Jimping é quem encabeça a ideia de investimento milionário no esporte e define a Copa do Mundo de 2030 como objetivo. Quer ser campeão. E o Grêmio pode ajudar. 

Por intermédio do governo, as províncias e cidades chinesas começaram um processo de popularização do esporte. Foi diagnosticado que é necessário criar a cultura do futebol para que o sonho de ser campeão do mundo se torne realidade. E é aí que os brasileiros aparecem. Além de contratar uma série de jogadores de nível mundial pagando milhões, a China entende que é necessário trabalhar os primeiros passos da pirâmide esportiva. As crianças precisam aprender e gostar do esporte. 
 
Por isso, o incentivo do governo encontrou o clube/empresa Black Panters que iniciou um grande projeto na cidade de Zhuhai, província de Guandgong. Procurou parceiros no Brasil, por atestar a qualidade do país no esporte, e encontrou no Grêmio o clube ideal. 
 

Por que o Grêmio?

A escolha pelo Tricolor se deu por conta do projeto. Funcionando há 47 anos, as escolinhas do clube são consideradas modelo. Trabalhando com crianças dos 5 aos 15 anos, promovendo cinco níveis de competição, com histórico de formar atletas como Ronaldinho Gaúcho, Douglas Costa, Anderson e Lucas Leiva, e incentivando a assiduidade escolar, foi com as regras do Tricolor que os chineses se identificaram. Após conversar com outros grandes como São Paulo, Corinthians e Flamengo, eles preferiram os gaúchos.
 
"A ideia partiu do presidente da China. Eles pensam num modelo parecido com o que foi feito nos esportes olímpicos. Começaram a criar a cultura da ginástica e em 10 anos estavam conquistando muitos títulos. Eles colocaram na cabeça que na Copa de 2030 querem ser campeões do mundo. O grande diferencial da nossa parceria é a metodologia de formação de profissionais, que também vai fazer parte do projeto lá", contou Daniel Hubner, supervisor da área de formação do Grêmio.  
 
Uma comitiva do Grêmio viajou à China com objetivo de fechar 40 parcerias. Retornou com 150 contratos firmados, sendo que cada um atingirá 400 alunos. Ou seja, serão 60 mil crianças atendidas pela parceria. Atualmente duas escolas já estão funcionando. "Nosso objetivo é, em 10 anos, já ter ao menos três jogadores formados no projeto defendendo as seleções da China", completou. 
 

Como funciona? 

Divulgação/Grêmio
"O mais curioso é que em um dos primeiros treinamentos lá, depois de um trabalho técnico, fomos organizar um coletivo. Colocamos 11 para cada lado e quando o juiz apitou, eles não sabiam o que fazer", contou William Santana, coordenador técnico das categorias Sub-10, 11, 12 e 13. 
 
De fato, os chineses não tem no futebol o principal esporte do país. Não há, ainda, a cultura para isso. Mas o incentivo dos governantes está cada vez maior. Por exemplo, a cidade de Zhuhai possui um moderno estádio com capacidade para 40 mil pessoas que recebeu apenas um jogo em sua história. O amistoso entre PSV e Wolfsburg. A ideia dos governantes é que o Black Panthers - parceiro do Grêmio - passe a usar o local e possa se tornar um clube profissional, já que hoje disputa apenas a Liga Amadora. Para isso, precisa ter um crescimento do projeto e uma formação de atletas.
 
As crianças chinesas estudam das 7h às 17h30 diariamente. Não teriam, em tese, tempo para aprender futebol. Foi aí que surgiu o apoio do presidente do Instituto Nacional da Educação. Mr. Yue entrou na parceria e colocou o esporte como matéria curricular. Entre matemática, mandarim, inglês, história, geografia e outras tantas pautas está o esporte. Sendo assim, os finais de semana servirão para disputas internas e criação da cultura da competição. 
 

O que o Grêmio ganha? 

Divulgação/Grêmio
O Grêmio espera lucrar muito com a parceria. O plano do clube é fortalecer mercado na China, considerando que a formação da cultura do futebol por lá poderá trazer novos torcedores ao Grêmio mesmo tão distante. O clube ganhou, para o projeto, uma sede de 1,5 mil metros quadrados na cidade de Zhuhai, lá instalará um museu, um espaço administrativo e também uma loja de produtos oficiais. Já tem espalhado pelos campos de treino das escolas em funcionamento e praças da cidade banners do clube.
 
"Iremos levar a marca do Grêmio a um mercado em crescimento. São possibilidades de parcerias imensas. Há muitas empresas grandes na China, podemos criar uma rede de parcerias muito interessante", disse Marco Bobsin, chefe de gabinete do presidente Romildo Bolzan Júnior. 
 

Metodologia e livro

O Grêmio levou para as escolas chinesas o primeiro exemplar de cinco livros que espera escrever sobre sua metodologia de trabalho. Baseado no que está ali, os chineses serão ensinados a dar os melhores treinamentos para os meninos. "Vamos enviar profissionais para lá, também. Formar novos professores. A ideia é implantar lá a mesma metodologia que temos na formação do clube", disse William. 
 
Até mesmo aulas teóricas serão passadas aos pequenos - meninos e meninas. "Nos dias de tempo ruim, temos um espaço coberto na sede. Há um auditório para eventuais palestras. Queremos ensinar a história do Grêmio também. Mas nosso foco principal é na prática", completou. 
 
O clube, inclusive, conta com a parceria de Felipão, atualmente treinando o Guangzhou Evergrande, que se disponibilizou a encontrar os alunos do projeto para uma palestra no futuro. "Eles são disciplinados que é um absurdo. Tem predisposição esportiva. Quem duvida dos chineses?", finalizou Carlos Alberto Nascimento, diretor geral das escolinhas do clube. 
 

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