Alex Silva tenta ressurgir na 2ª divisão de SC: "aprendi com os tombos"

Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

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    Aos 31 anos, zagueiro lidera 'esquadrão' do Hercílio Luz na segunda divisão de SC

    Aos 31 anos, zagueiro lidera 'esquadrão' do Hercílio Luz na segunda divisão de SC

Quando a Série B do Campeonato Catarinense começar, em 16 de julho, o zagueiro Alex Silva terá uma missão especial: ajudar o Hercílio Luz conquistar o acesso à elite estadual. Com passagens por São Paulo, Flamengo, Cruzeiro, Hamburgo (Alemanha) e seleção brasileira, entre outras equipes, o camisa 3 é o principal reforço da equipe de Tubarão – e de todo o campeonato – na atual temporada.

O que não quer dizer, porém, que o seja o único. Para a disputa da segunda divisão de SC, o Hercílio Luz já anunciou o lateral esquerdo Ávine (ex-Bahia), o meia Jeff Silva (ex-Náutico, Fortaleza e Avaí) e o atacante Lima (ex-Corinthians, Atlético-PR, Coritiba, Paraná e Bahia), entre outros. O técnico é o ex-zagueiro Nem, e seu auxiliar é Adriano Gabiru – os dois foram campeões brasileiros pelo Atlético-PR em 2001.

O "esquadrão" tem uma missão clara: disputar o Campeonato Catarinense em 2017 e permanecer na elite para o ano seguinte. "Em 2018, nosso clube completa 100 anos. O Hercílio Luz é o clube mais velho em atuação no estado, e em 2018 a gente quer fazer um promocional a mais", explica Dalmiro Nunes, o Miroca, presidente do conselho deliberativo do clube, e atualmente o presidente em exercício – o mandatário hercilista, Alexandre Moraes, está licenciado do cargo para concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores da cidade.

Para chegar à primeira divisão, Alex Silva é fundamental – e ele sabe disso. Ao lado de companheiros de currículos bastante recheados, o zagueiro integra o que descrever como "um projeto muito interessante" para recolocar a equipe em papel de destaque do cenário estadual – e, quem sabe, nacional.

"Foi um projeto muito interessante, a vontade de o Hercílio Luz voltar à primeira divisão do Campeonato Catarinense. O que chamou atenção foram os jogadores que o Hercílio tem contratado", explicou Alex Silva, em entrevista ao UOL Esporte.

O zagueiro, de 31 anos, não descarta "continuar no Hercílio Luz para, caso este objetivo seja alcançado, poder estar disputando o Catarinense da primeira divisão no ano de 2017". "E também por ser um mercado que, hoje em dia, podemos perceber é um mercado visado - tem Figueirense, Avaí, Criciúma e o próprio Joinville. Tudo isso me chamou muito a atenção", analisou Alex Silva.

Bebidas e lesões ficaram no passado

No Hercílio Luz, Alex Silva dará mais um passo à frente para se distanciar de uma carreira que, há pouco tempo, parecia condenada. Em 2009, quando jogava pelo Hamburgo, operou o joelho. Depois, retornou ao Brasil, passou por São Paulo, Flamengo e Cruzeiro… E operou o outro joelho.

Pouco aproveitado, foi parar na Série B do Campeonato Brasileiro – foi anunciado pelo Boa Esporte em 2013. Voltou a se lesionar e pensou até em pendurar as chuteiras. "Cheguei a pensar (em parar), sim, depois da minha última lesão no Boa Esporte. Mas minha família me ajudou muito, foram muito importantes naquele momento", contou.

Em 2014, deixou o clube mineiro, acertou com o São Bernardo e tornou públicos seus problemas extracampo – em dezembro daquele ano, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, revelou ter treinado bêbado "algumas vezes" em suas passagens pelo São Paulo.

O resgate, segundo ele, veio na religião, bastante presente em seu discurso. "Conheci a Cristo, e aí encontrei refúgio nas angústias, fortaleza, e nada veio a me abalar mais. Hoje eu só temo a Deus. Não temo mais nada de dificuldade na minha vida, porque vi que, no passado, o medo era porque eu caminhava sozinho. Hoje caminho com Cristo, portanto acredito muito nas Suas promessas e sei que o que eu passei foi preciso passar, para que hoje eu estivesse bem", reflete.

Flávio Florido/UOL
Alex Silva defendeu equipes como São Paulo, Flamengo e Cruzeiro, além da seleção

"Hoje pude perceber que tudo aquilo que tenho não era nada perto do que Cristo tem pra minha vida ainda. O futebol é passageiro, acaba, mas a vida continua, e eu pretendo nesse restinho de carreira fazer a diferença - dentro e fora de campo, positivamente", acrescenta.

O passado, segundo Alex Silva, não envergonha. Antes das lesões e dos problemas com a bebida, o zagueiro foi bicampeão baiano pelo Vitória (2003 e 2004), bicampeão brasileiro pelo São Paulo (2006 e 2007) e campeão da Copa América pela seleção brasileira (2007). Para ele, o que conquistou tem mais espaço na memória do que os problemas.

"Os últimos anos, tiro de experiência do que foi bom e o que foi ruim, onde errei e onde acertei. Prefiro ficar com o que mais acertei, como títulos brasileiros, título da Copa América com a seleção brasileira, melhor zagueiro da posição (2007 e 2010), Olimpíada (2008). Clubes como Vitória, São Paulo, Flamengo, Cruzeiro, Hamburgo… Prefiro ficar apenas com as coisas boas, porque se ficar olhando o negativo, você não caminha para frente", disse.

"Como eu disse, os erros já serviram de lição, e eu não preciso mais ficar trazendo para o momento da minha vida atual. E os planos que traço para minha vida atual são os planos que Deus vai oferecer para ela. Para mim, já está bom", emendou.

Fim de carreira? Ainda não…

Quem vê Alex Silva falando em "restinho de carreira", ou quando olha seu currículo, pensa que já se fala de um veterano. Nada disso: aos 31 anos, o zagueiro – experiente, é verdade – ainda quer continuar jogando por um bom tempo. E garante: tem lenha para queimar.

"Tenho muito a dar pelo futebol ainda. Estou na melhor idade para um zagueiro. Ganhei muito com os tombos da vida, aprendi muito como ser atleta com os erros. Quando você não coloca a profissão em primeiro lugar, você paga um preço. Eu paguei, aprendi, recomecei, e hoje é uma nova vida. O que passou, passou. A Bíblia fala: 'Eis que tudo se faz novo'. As coisas velhas já passaram. Então, pretendo jogar por muitos anos. A cada dia que vejo Série A e Série B, isso me anima - porque eu vejo cada zagueiro jogando que não dá para entender como está lá", alfineta Alex Silva, sem citar nomes.

"Mas o futebol brasileiro tem caminhado para um lado ruim. Hoje não é o melhor que joga, e sim, o que o empresário banca, o patrocinador banca. É por isso que cada vez mais estamos caindo no ranking da Fifa. Mas hoje a minha vida está nas mãos de Deus, e a porta que Ele abrir, homem nenhum pode fechar. Ele sabe o melhor para mim daqui para frente. Temos que entender que os planos de Deus para nossa vida não são como nossos planos. Seu calendário É totalmente diferente do nosso. Por isso entrego tudo nas mãos d'Ele", acrescenta.

Jesus Vicente / EC São Bento
No Campeonato Paulista, Alex Silva foi zagueiro e capitão do Rio Claro. Equipe acabou rebaixada
Antes de chegar ao Hercílio Luz, Alex Silva disputou o Campeonato Paulista pelo Rio Claro. O time acabou rebaixado com a pior campanha da competição (duas vitórias, três empates e dez derrotas), mas Alex Silva – capitão da equipe – encerrou sua participação satisfeito com sua forma física.

"Os joelhos estão ótimos, foi provado no campeonato Paulista. Muito se fala da forma física do joelho do Alex Silva, mas as últimas cirurgias foram do joelho direito, em 2009, e no esquerdo, em 2012. Se eu não tivesse condições de jogar e treinar mais, eu já teria parado de jogar. Não iria ficar forçando se não tivesse condições. Então, forma física não tem sido problema nenhum."

Da 2ª divisão de SC para o Campeonato Brasileiro?

Na Série B de Santa Catarina, o Hercílio Luz será um dos dez times buscando as duas vagas na elite em 2017. A equipe estreia em 16 de julho, às 16h (de Brasília), encarando o Barra no Estádio Augusto Bauer, em Brusque. Serão 18 jogos (nove no turno, nove no returno) para a definição dos promovidos, que disputarão entre si a final da competição.

Divulgação
Zagueiro tem mantido a forma física com treinos particulares para voltar a campo pela segunda divisão catarinense
Mesmo ao lado de companheiros experientes, Alex Silva sabe que é o nome mais conhecido. E espera que seu currículo possa ajudar o elenco a conquistar uma vaga na elite catarinense, da qual o Hercílio Luz não participa desde que foi rebaixado em 1991.

"É claro que, em termos de currículo, posso ser o melhor por ter servido à seleção brasileira durante dois anos (2006 e 2007), mas tem jogadores que também terão sua parcela de responsabilidade no elenco. Meu papel é poder ajudar dentro de campo, com a experiência que adquiri durante a carreira, mas também ajudar fora de campo com experiência de vida também", afirmou. "O mais importante é sermos uma equipe competitiva, e todos entenderem que cada um tem sua função", completou.

Enquanto não volta aos gramados, Alex Silva mantém a forma física em treinos particulares. O zagueiro não descarta permanecer no time em 2017, mas quer aproveitar as portas abertas para provar que ainda pode jogar em alto nível – e se o acesso vier, melhor ainda.

"Vejo um projeto interessante de um clube que abriu as portas e está apostando em jogadores aos quais futebol, nos últimos anos, têm dado as costas. O Hercílio, além do objetivo do acesso, quer também mostrar que jogadores como eu têm condições de jogar o Campeonato Brasileiro, Série A e Série B", disse. "O Hercílio Luz também está com um projeto de longo prazo – esse do acesso é um projeto, se subirmos terá outro projeto, e assim o Hercílio vai se firmando no futebol brasileiro."

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