De volta ao Brasil, Miranda virou capitão de Dunga por discrição e exemplo

Danilo Lavieri e Guilherme Palenzuela

Do UOL, em Boston (EUA)

  • Lucas Figueiredo / MoWA Press

Tido como um dos maiores símbolos de disciplina e comprometimento do futebol brasileiro, o técnico Dunga, capitão do tetra na Copa do Mundo de 1994, sofre na seleção brasileira com a escassez de jogadores que tenham sua personalidade: não há opções de líderes. Agora, pela primeira vez na atual Copa América, ele terá o zagueiro Miranda à disposição, aquele que ele considera por diferentes motivos o atleta com perfil mais próximo do exigido para um capitão.

As qualidades que fazem Dunga ter Miranda em conta como líder estão na discrição, no exemplo aos outros atletas, e no poder de reproduzir e cobrar durante os jogos aquilo que foi feito em treino.

Para entender a nomeação de Miranda como capitão é preciso recuperar a história recente da braçadeira na seleção. Na fatídica Copa do Mundo de 2014, ficou com Thiago Silva, criticado até internamente na CBF pela postura - choro - nas oitavas de final contra o Chile. Quando o torneio acabou e Dunga reassumiu, Thiago ficou fora das convocações, perdeu a braçadeira, e quando voltou a ser chamado afirmou em entrevista que estava chateado por não ter sido avisado da mudança.

A escolha de Dunga, então, foi pelo líder técnico, e não de influência: deu a braçadeira de capitão a Neymar depois de ter afirmado, ainda no fim de 2014, que ter o atacante como capitão tiraria a pressão de outros atletas - em amistoso contra o México, sem ele, David Luiz voltou a ser capitão. Na Copa América de 2015, o resultado de ter Neymar como capitão foi o pior possível, com expulsão e suspensão que o tiraram do torneio. Veio, então, a era Miranda. Desde então, o zagueiro foi capitão em todos os jogos em que Neymar não esteve.

Miranda conquistou Dunga como líder por ser discreto, sem o perfil de superstar, o inverso dos capitães anteriores, criticados também pela exposição demasiada dentro e fora de campo. O zagueiro da Inter de Milão, ex-Atlético de Madri e São Paulo, não grita, mas ainda assim exerce poder sobre o elenco. Funciona, também, como exemplo do comportamento que o treinador aprecia dentro da seleção: exclui qualquer possibilidade de que o foco esteja em algo que não seja o próximo jogo - na Copa de 2014, jogadores da seleção chegaram a dançar em programas de TV antes do 7 a 1.

A outra qualidade tida por Dunga em Miranda é que o zagueiro, na visão do treinador, consegue repetir aos colegas e cobrá-los de tudo aquilo que foi passado durante os treinamentos. Nos momentos de saída de bola da defesa, por exemplo, exaustivamente treinados por Dunga, Miranda cobra dos companheiros que se atentem ao posicionamento e ao caminho que a bola deve percorrer para chegar ao meio de campo da maneira correta, mexendo quase todas as peças do campo defensivo em movimento coordenado.

Recuperado de uma lesão no músculo adutor da coxa, Miranda treinou pela primeira vez com o time na quinta-feira, em Boston. Substituído por Marquinhos, do Paris Saint-Germain, nos jogos contra Haiti e Equador, ele agora recupera a posição no lugar do próprio Marquinhos ou até de Gil, que formava a dupla original.

Titular absoluto e capitão hoje, Miranda não foi levado por Luiz Felipe Scolari à Copa do Mundo de 2014 mesmo tendo sido titular em todas as 52 partidas que disputou pelo Atlético de Madri na temporada 2013-14, que acabou para o clube com o título do Campeonato Espanhol e com o vice da Liga dos Campeões. Os zagueiros escolhidos foram Thiago Silva, David Luiz, Dante e Henrique.  

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