Jogadores não adotam discurso de Dunga sobre arbitragem e pedem autocrítica

Danilo Lavieri e Guilherme Palenzuela

Do UOL, em Boston (EUA)

  • Hector Retamal/AFP Photo

O elenco da seleção brasileira adotou discurso oposto ao do técnico Dunga após a eliminação precoce na Copa América, contra o Peru, ainda na fase de grupos. Se o treinador creditou a derrota por 1 a 0 - com um gol irregular, de mão - ao erro da arbitragem, os jogadores afirmaram que o equívoco do juiz uruguaio Andres Cunha não justifica o desempenho do Brasil. Os atletas, ainda em discurso inverso ao do técnico, pediram autocrítica.

O zagueiro e capitão Miranda foi o atleta mais paciente após a partida e atendeu a todos os pedidos de entrevista para explicar a derrota. "Sentimento de derrota, sentimento triste. Hoje nossa seleção decepcionou. Não dá para culpar a arbitragem porque foi um lance difícil, eles tiveram que conversar bastante. O momento não é de buscar culpados, é de fazer cada um sua autocrítica e tentar melhorar para as próximas oportunidades", falou o líder do elenco.

Durante sua entrevista coletiva após a eliminação, Dunga não citou autocrítica e em diversos momentos atribuiu à arbitragem a culpa pela derrota. O resultado faz a diretoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) refletir sobre o comando técnico da seleção e isso pode significar a demissão de Dunga, como publicou o Blog do PVC. Para outro líder do elenco, o lateral Daniel Alves, é hora de rever conceitos.

"É decepcionante para nós que estamos representando a seleção. Situação delicada. Temos que rever bastante. Não é possível pensar numa seleção brasileira sendo eliminada numa primeira fase de Copa América. Você tem que saber onde você está. Temos que ser conscientes que não estamos no melhor momento da seleção brasileira e acho que o reconhecimento vem a partir daí", falou. "A pressão aqui na seleção é sempre muito grande, mas acredito que todos que representamos somos um pouco responsáveis das coisas que acontecem aqui dentro. É um fato que não vivemos o melhor momento como seleção. Temos que rever conceitos e refletir cada um sobre o que podemos fazer diferente", completou.

Questionado sobre o erro da arbitragem, minimizou: "Não serve de desculpa. Foi uma jogada, um fato, a jogada que nos deixou fora, mas infelizmente não está sendo suficiente nosso 100%. Temos que entender que é um momento bastante delicado, não é a primeira vez que acontece esse tipo de coisa".

Jogador que estava mais perto do lance em que o atacante peruano Raul Ruidiaz empurrou a bola com a mão para o gol, o goleiro Alisson se mostrou triste, mas também não quis atribuir culpa pela eliminação à arbitragem.

"Na hora que eu caí, quando fui na bola estava observando a trajetória dela e vi que o jogador trouxe com o braço, vi que o gol tinha sido irregular. Depois vimos pela TV que foi mais gritante ainda. O juiz pedia a todo momento para a gente se afastar, só falou depois que a gente se afastou do lance. Mas a gente não pode ser refém disso, temos que saber o que fizemos de certo e de errado para melhorar", afirmou.

Principal jogador da era Dunga, titular em todos os jogos com o técnico desde o retorno após a Copa do Mundo de 2014, o meia Willian não soube explicar por que o treinador não fez as outras duas substituições que poderia no fim da partida, mesmo precisando fazer um gol e com Jonas, Lucas e Ganso no banco de reservas.

"É uma opção do treinador, não posso dizer por que não mexeu ou deixou de fazer substituições. Acho que ele achou que o time estava bem, sei lá, e resolveu não mexer", disse. 

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