Lembrado por argentinos, Túlio vê gol de mão "imperdoável" de peruano

Vanderlei Lima e Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

A imprensa sul-americana deu grande destaque nesta segunda-feira à vitória do Peru por 1 a 0 sobre o Brasil – não apenas pela eliminação da equipe do técnico Dunga na Copa América Centenário, mas também pelo gol de mão marcado por Raúl Ruidiaz que selou o resultado.

O site peruano RPP Notícias lembrou o toque de mão de Túlio Maravilha na partida Brasil 2 x 2 Argentina, pelas quartas de final da Copa América de 1995. Na ocasião, os argentinos venciam por 2 a 1 até os 36 min do segundo tempo, quando Túlio recebeu um lançamento na área, dominou no braço e bateu para o gol. Nos pênaltis, a seleção venceu por 4 a 2 e avançou.

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Site peruano lembrou inclusive lembrança arbitragem em Brasil x Argentina

"O triunfo peruano aconteceu graças ao 'polêmico' gol de Raúl Ruidiaz aos 29 min do segundo tempo da partida. Este controverso lance trouxe com ele a lembrança de Túlio Maravilha (na Copa América) no Uruguai, em 1995, quando o atacante brasileiro dominou a bola com o braço esquerdo e, posteriormente, marcou o gol do empate que levou o jogo aos pênaltis – instância na qual se impôs a 'Canarinha'. Aquela partida foi apitada pelo peruano Alberto Tejada", lembrou o site.

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'A mão do adeus': jornal Olé comparou gol peruano ao gol da 'mão de Deus' marcado por Maradona em 1986
Na imprensa argentina, o gol de mão também foi destaque. O jornal esportivo Olé trouxe em sua capa a manchete "a mão do adeus", em referência à "mão de Deus" no gol de Diego Maradona no confronto Argentina 2 x 1 Inglaterra pelas quartas de final da Copa do Mundo de 1986.

O jornal Diário Popular, a primeira página destaca: "tiraram o Brasil com a mão". Em sua versão online, a publicação também relembra Túlio Maravilha, "o brasileiro que nos meteu a mão no bolso". "O atacante que dominou a bola com o braço para fazer o gol com o qual o Brasil eliminou a Argentina na Copa América de 1995 foi vereador em Goiânia, jogou até os 45 anos e chegou aos 1000 gols", descreve o jornal.

Mas o que Túlio Maravilha achou da repercussão. O ex-jogador foi procurado pelo UOL Esporte, e achou graça de ter sido lembrado por peruanos e argentino. "Lembraram de mim ontem", riu Túlio. "Não tem como, né?"

"Quem começou com essa história (de gol de mão) foi o Maradona em 1986. Depois, eu me 'vinguei' em 1995", brincou o ex-jogador, que faz questão de diferenciar seu gol em 1995 dos gols do argentino e do peruano.

"Mas tanto o gol do Maradona quanto deste último do peruano (Ruidiaz) foram gols de mão mesmo; o meu gol de 1995 só foi aquela ajeitada e o gol foi com o pé. Mas não deixam de ser polêmicos e decisivos os três gols", analisou.

 

Para o goiano, tanto o gol de Maradona em 1986 quanto o seu em 1995 foram beneficiados pela falta de tecnologia. Em 2016, para o ex-jogador, é imperdoável que a arbitragem valide um gol como o de Ruidiaz.

"Na época do Maradona, e até na minha época, 20 anos atrás, poderia até aceitar. Não tinha essa tecnologia que tem hoje - telão, ponto eletrônico, bandeirinha-auxiliar, quarto árbitro… Enfim, com a tecnologia, o gol de ontem do peruano foi um absurdo. Então, há um questionamento, porque (o replay) só passou depois no telão. Não passou na hora para o estádio todo ver que o lance teve a mão", disse.

"O computador não mente, né? Parece que foi uma coisa premeditada – 'vamos deixar o juiz decidir para ver se ele está certo ou não, depois a gente dá o veredito'. Colocou realmente o árbitro em uma situação incômoda, uma pressão danada - tanto é que demorou uns quatro minutos. Pergunta para um, pergunta para outro… Foi um erro realmente da organização desta Copa América, do árbitro com o pessoal do telão, da tecnologia lá do computador. Foi um erro gravíssimo, imperdoável", completou.

Timothy A. Clary/AFP Photo
'Com a tecnologia, o gol de ontem do peruano foi um absurdo', diz Túlio Maravilha

Apesar da revolta com o gol validado da seleção peruana, Túlio Maravilha não se importa de ser lembrado por seu lance contra a Argentina. Para o ex-atacante, um lance como o de Ruidiaz deixou de ser folclórico e passou a ser um problema com a falta de tecnologia no futebol.

"Olha, fico feliz por um lado. Por ser lembrado, claro, por ter estas comparações com o Maradona e em cima da Argentina. Mas neste episódio do peruano, eu vejo como um lado negativo. Vinte, trinta anos atrás, era até perdoável, porque não tinha essa tecnologia como tem hoje. Agora, hoje, não pode acontecer isso. No vôlei, eles param, vão ver na câmera, tira-teima, aquela coisa toda. Mas no futebol tem que evoluir. Não pode ter este tipo de erro, entendeu? Isso foi em uma Copa América. Imagina em uma Copa do Mundo", avaliou.

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