Herói da Itália, brasileiro teve convocação criticada pelo próprio técnico

Do UOL, em São Paulo

Veja o gol da vitória da Itália sobre a Suécia

Eram 43 minutos do segundo tempo quando Éder aproveitou uma bola ajeitada por Zaza, deixou marcadores suecos para trás e bateu forte, no canto do goleiro Isaksson, para definir a vitória por 1 a 0 e classificar a Itália para a segunda fase da Eurocopa. O brasileiro correu, vibrou e foi comemorar com a família na arquibancada do estádio em Toulouse. E pensar que, se dependesse de Roberto Mancini, ele não estaria ali...

Catarinense de Lauro Müller, Éder causou polêmica na Itália quando foi convocado pela primeira vez para a seleção, em março de 2015. Mancini, técnico da Inter de Milão, disse que a equipe nacional não deveria chamar jogadores naturalizados. "A seleção italiana deve ser italiana", afirmou o treinador à época.

Éder não é italiano, mas seu bisavô, Battista Righetto, nasceu na vila de Nove, em Veneto, nordeste do país europeu. A dupla cidadania e a boa forma pela Sampdoria em 2015 bastaram para convencer o técnico Antonio Conte de que ele merecia vestir a camisa da Itália. O atacante aproveitou as chances ao longo do último ano, foi incluído entre os 23 convocados para a Euro e, agora, retribuiu a confiança.

Quis o destino, aliás, que Éder e Mancini se reencontrassem – desta vez, do mesmo lado. O brasileiro foi emprestado à Inter de Milão no início do ano e passou ser comandado pelo treinador que um dia criticou sua convocação. "O que eu respondo a Mancini? Que essa é uma polêmica infinita e que nunca terá fim. Eu sigo em frente e penso no gol, que dedico a todo o grupo", disse o atacante após a partida.

Peregrino na Itália e observado por Dunga

AP Photo/Andrew Medichini

Revelado no Criciúma, Éder teve passagem rápida pelos profissionais. Chegou a disputar um jogo da final do Campeonato Catarinense de 2005, mas logo foi vendido ao Empoli, aos 18 anos. Na Itália, peregrinou por vários times, alternando entre a segunda divisão e clubes menores da primeira.

Por sete anos, Éder defendeu as camisas de Empoli, Frosinone, Brescia e Cesena. Estava muito longe do radar de qualquer seleção quando, em 2012, foi emprestado à Sampdoria, que disputava a Serie B italiana. Aos 25 anos, fez uma ótima segunda metade de temporada, ajudou o time a subir, foi comprado em definitivo e começou a chamar atenção no país.

As boas exibições com a camisa da Sampdoria nos últimos quatro anos foram transformando Éder em um dos principais atacantes do Italiano, até que, em março do ano passado, veio a primeira convocação para a seleção europeia. Dunga, então técnico do Brasil, disse que estava observando o jogador e que ele "se apressou" ao escolher a Itália. Mas Éder respondeu que "não quis esperar".

Hoje aos 29 anos e defendendo a Inter de Milão, o atacante virou também xodó de Conte na seleção. "Temos sorte de ter Éder conosco", disse o treinador após o jogo com a Suécia. "Ele foi chave nas Eliminatórias, e esperamos que possa continuar sendo decisivo".

 

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