Mortes, hooliganismo e protestos políticos marcam a Eurocopa da França

Do UOL, em São Paulo

A realização da Eurocopa não ajudou a arrefecer o instável cenário político francês. Não são somente os belos lances e golaços nem a sombra do terrorismo que marcam a França durante a competição. Até aqui, em pouco mais de uma semana, muitos fatos sociopolíticos agitaram o principal torneio de seleções europeias.

Desde o hooliganismo que assola as ruas e estádios franceses, passando pelas questões políticas internas e externas que balançam a França até duas mortes de torcedores norte-irlandeses durante a Eurocopa. Teve até mesmo caso de racismo com equipe de reportagem da TV Band.

Manifestações de massa contra reforma

REUTERS/Philippe Wojazer

Na última terça-feira (14), Paris acordou agitada por protesto político de milhares de jovens e trabalhadores contra a reforma trabalhista proposta pelo presidente François Hollande. Sindicatos liderados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) lotaram as ruas da capital francesa e mobilizaram, segundo a polícia, cerca de 100 mil pessoas. Os organizadores falaram em quase um milhão nas ruas parisienses. Houve confronto entre jovens, alguns deles mascarados, e as forças policiais.

No mesmo dia, a Torre Eiffel chegou a ser fechada por uma greve de funcionários. Um dia depois das massivas manifestações, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, pediu para a CGT parar de organizar manifestações em massa em Paris contra a controversa reforma trabalhista. A ver nos próximos capítulos.

Equipe da Band sofre agressão e racismo

A equipe de reportagem da correspondente da TV Band na França, Sonia Blota, foi alvo de agressões físicas e até mesmo racismo durante cobertura da Eurocopa. Além dela, o cinegrafista Fernando Henrique de Oliveira foi alvo dos ataques. O caso aconteceu antes da partida entre Alemanha e Polônia, na quarta-feira (16), quando torcedores alemães cercaram a dupla da Band.

Sonia Blota levou um chute na perna e Fernando Henrique, um tapa no rosto. Além das agressões físicas, os alemães cometeram racismo ao gritar "get out, niggars!" [fora, seus negros!] para o cinegrafista, que é negro. "Era para ser um momento de alegria, não de ter esse tipo de injustiça, dela ser agredida por ser mulher [Sonia] e eu por ser negro", declarou Fernando Henrique.

O caso dos russos x ingleses

REUTERS/Robert Pratta

Logo no segundo dia da Eurocopa, no sábado (11), a partida entre Inglaterra e Rússia ficou marcada por verdadeira batalha campal em Marselha, com confronto de torcedores nas cadeiras do estádio. Após a partida, a Uefa multou os russos, decidiu deportar alguns deles e ainda ameaçou o país com eliminação caso atos violentos de torcedores voltassem a acontecer nos palcos dos jogos.

Três dias depois, na terça (14), torcedores dos dois países voltaram a se enfrentar nas ruas de Lille. Segundo testemunhas relataram ao Daily Mirror, os russos chegaram num bar da cidade provocando os ingleses, que devolveram arremessando cadeiras. O tumulto só parou após intervenção da polícia, mas um homem ficou ferido e deixou o local da briga carregado para receber atendimento médico. Até o presidente russo, Vladimir Putin, sempre irônico, entrou na polêmica ao dizer-se chocado que 200 russos conseguiram bater em milhares de ingleses.

Hooliganismo à solta

REUTERS/Max Rossi

O hooliganismo na Eurocopa da França, no entanto, não se limita aos russos e ingleses. E um dos maiores incidentes aconteceu numa partida entre Croácia e República Tcheca, na última sexta-feira (17), que ficou marcada por "chuva de sinalizadores". Aos 42 minutos do segundo tempo, torcedores croatas arremessaram vários destes projéteis no gramado, causando a interrupção da partida. Houve também correria nas cadeiras do estádio em Saint-Ètienne.

Na ocasião, um "steward", segurança que trabalha à beira do gramado, quase machucou-se seriamente – um dos sinalizadores estourou em sua mão quando ele tentava recolhê-lo. Após o jogo, a Uefa anunciou a abertura de procedimento interno contra a Croácia para apurar os incidentes. E o treinador croata, Ante Cacis, acusou os torcedores responsáveis pelo arremesso dos sinalizadores de "hooligans, terroristas e nazistas".

Duas mortes norte-irlandeses

AFP PHOTO / Valery HACHE

Outro fato que marcou negativamente a Eurocopa da França até aqui foi a morte de dois torcedores norte-irlandeses por motivos distintos. Na última quinta (16), um senhor de 64 anos passou mal, foi atendido ainda nas arquibancadas, mas não resistiu ao ataque fulminante na vitória da Irlanda do Norte sobre a Ucrânia. Três dias antes, na segunda (13), Darren Rodgers, jovem de 24 anos que supostamente estaria embriagado, havia caído de uma varanda em Nice afogando-se no mar. O local, conhecido como Passeio dos Ingleses, inclusive, virou palco de homenagens em memória do jovem torcedor. Duas histórias tristes da Euro na França.  

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