Desafios de Cristóvão no Corinthians vão de "zica" no gol à sombra de Tite

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

Cristóvão Borges chega ao Corinthians com a ingrata tarefa de substituir Tite, um dos treinadores mais vitoriosos da história do clube e ídolo da torcida. Mas o incômodo de viver à sombra do antecessor será apenas um dos desafios dele.

Problemas com os goleiros, número excessivo de desfalques, centroavantes em má fase e, claro, as comparações com Tite. O UOL Esporte reuniu algumas das dificuldades que Cristóvão já terá que encarar assim que for apresentado, nesta segunda-feira, no Corinthians.

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Zica no gol

A bruxa está solta no gol do Corinthians, e este deve ser o problema mais urgente que Cristóvão vai encontrar. Titular contra o Botafogo, Cássio foi substituído no intervalo porque sentiu um mal estar. O goleiro tem suspeita de sinusite e corre o risco de não entrar em campo contra o Atlético-MG, na quarta-feira.

Se Cássio for vetado, a única opção é o quarto goleiro Caíque França, de 21 anos, que já o substituiu no último domingo. Para o banco de reservas, Cristóvão seria obrigado a recorrer à base com os jovens Zé Guilherme e Felipe.

Isso porque antes do problema com Cássio, o titular Walter já havia sofrido um estiramento no músculo adutor da perna direita no jogo contra o Fluminense, na última quinta-feira, e tem previsão de ficar um mês fora do time. O terceiro goleiro Matheus Vidotto passou por uma cirurgia na coluna e também não está à disposição.

Ricardo Nogueira/Folhapress

Desfalques

Não bastasse o gol, os outros setores também vêm sofrendo com desfalques. Na zaga, o paraguaio Balbuena está suspenso e não vai atuar contra o Atlético-MG. Vilson também é dúvida e, se não tiver condições, o jovem Pedro Henrique se mantém na equipe. Assim, Yago volta ao time após cumprir suspensão, mas ainda não sabe quem será seu companheiro.

Uma das ausências mais sentidas é a de Elias. O volante sofreu uma fratura na costela contra o Fluminense e será desfalque por dois meses. Enquanto isso, Rodriguinho atua em seu lugar. Outros atletas com quem Cristóvão não pode contar, por enquanto, são Cristian e Danilo que sofreram lesões musculares.

Eduardo Knapp/Folhapress

Centroavantes em má fase

O ataque também promete trazer dor de cabeça para Cristóvão. O Corinthians hoje atua em um esquema de jogo com centroavante, mas nenhum deles consegue se acertar. Não à toa a diretoria tem planos de contratar um atleta para a posição.

No jogo contra o Botafogo, Romero foi o titular do setor, apesar de não ser um centroavante de origem. Foi a solução encontrada pelo interino Fabio Carrile diante da má fase dos atletas da posição. Luciano, que vinha atuando como titular, completou 17 jogos sem marcar. André segue no banco de reservas depois de acumular más apresentações.

Danilo Verpa/Folhapress

Sombra de Tite

Mas nem todos os problemas em campo são mais duros que viver à sombra de Tite. Cristóvão Borges terá a dura missão de pegar o bastão de um dos treinadores mais importantes da história do clube. Se as comparações serão inevitáveis, o próprio presidente Roberto de Andrade faz um alerta e pede paciência.

 "Sabemos que treinador é resultado, mas não podemos compará-lo ao Tite, que precisa ser colocado em um pedestal maior. Não dá para fazer nenhuma comparação com ele, dificilmente terá outro igual a ele. O torcedor precisa ter paciência. É claro que quando perde, ninguém costuma ter paciência, mas o Cristóvão é um profissional sério, competente, que sabe lidar com atletas e se encaixa muito bem na nossa estrutura", disse.

Robson Ventura-6.dez.2015/Folhapress

Desconfiança da torcida e da imprensa

Desde que o nome de Cristóvão Borges surgiu como um possível substituto de Tite, boa parte da torcida do Corinthians torceu o nariz. O treinador enfrentou rejeição nas redes sociais e foi questionado até por comentaristas esportivos de televisão. Muitos consideram que ele não tem um currículo à altura do clube e que não vai suportar a pressão de estar no Corinthians. Juninho Pernambucano, que trabalhou com Cristóvão, e Carlos Alberto Torres foram dois que se mostraram contrários à contratação.

Mas o ponto-chave da questão é que poucos conhecem realmente o trabalho dele. Até os próprios jogadores, comissão técnica e diretoria têm dificuldade em explicar qual a filosofia do treinador. Cristóvão é elogiado por, assim como Tite, ser um bom gestor de pessoas e por ter o grupo nas mãos. Mas pouco se fala como ele é ajustando as equipes dentro das quatro linhas.

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