Edílson compara Roger a Tite e diz que foi exemplar no Corinthians

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

Edílson tinha fama de bad boy, despertava dúvidas sobre sua conduta fora de campo, havia deixado o Grêmio após um problema com o técnico Vanderlei Luxemburgo. Tanto que quando sua contratação foi anunciada, a expectativa dividia espaço com o receio de um investimento sem garantia de resultado. Mas com poucos meses de clube, ecoam pelos corredores do CT Luiz Carvalho elogios à conduta dentro e fora de campo do jogador. 

Um dos principais responsáveis por isso, na avaliação de Edílson, foi o técnico Tite. Seu comandante no Corinthians, o atual técnico da seleção brasileira mostrou com exemplo e palavras que ele precisava evoluir. Edílson ouviu. Segundo o próprio, sempre teve conduta exemplar no Timão e jamais se envolveu em polêmicas. Mesmo na saída, quando sua negociação foi ligada a um lance em treinamento, que ele acabou lesionando o atacante Rildo com uma entrada mais forte. Para Edílson, uma coisa não teve qualquer relação com a outra. 
 
E agora em Porto Alegre, o lateral direito encontra um técnico semelhante. Ele não pensa duas vezes ao dizer que Roger Machado tem o mesmo perfil de Tite. Honesto, falando ao atleta o que é necessário, o treinador gremista também foi elogiado. 
 
Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o jogador aproveitou também para lamentar o problema de relacionamento com Vanderlei Luxemburgo e adiantou que se tiver oportunidade, vai pedir desculpas ao treinador. 
 
'Novo Edílson' no Grêmio?
Amadureci durante este tempo, criei uma experiência muito boa no Botafogo, no Corinthians. No Botafogo houve uma situação muito boa no início, em 2013, depois a diretoria meio que largou de mão, então foi uma experiência também boa fora de campo. Convívio com grupo... E no Corinthians peguei um grupo muito bom, o Tite, e a experiência de ser campeão brasileiro com um grupo maravilhoso. Foram experiências distintas que me fizeram crescer e amadurecer como atleta e pessoa. 
 
Tite pesou nisso
Sem dúvida alguma. O Tite foi uma das pessoas de suma importância para meu crescimento. Quando cheguei lá eu tinha uma deficiência na linha de quatro. Aprimorei muito com os trabalhos dele, do Clebinho (Cléber Xavier, auxiliar técnico), do Fábio Carille (auxiliar técnico). Foram pessoas muito importantes. Acho que como pessoa também. O trabalho do dia a dia, a postura de olhar olho no olho que o Tite leva, tenho certeza que dará certo na seleção. Foi o que tive de fundamental na minha passagem por lá. 
 
Fora de campo ele te deu alguma indicação específica
Eu sempre tive uma conduta profissional exemplar no Corinthians. Não há o que reclamar. Só recebi elogios do Tite, do Edu (Gaspar, diretor). O contato mais era profissional. Do lado fora de campo sempre foi tranquilo o grupo. Ele falava muito comigo e com Fágner. Sempre disse que eram dois jogadores do mesmo nível técnico, mas o Fágner estava jogando. Pude fazer mais de 30 partidas lá mesmo sem ser titular no ano passado e acabei o Brasileiro jogando. Fiquei muito feliz com isso e sou muito grato a tudo que aconteceu no Corinthians. Por eu ter chego machucado, terem me aberto as portas e depois ter sido campeão. Foi muito importante. Só tenho a agradecer. 
 
A lesão de Rildo pesou na sua saída do Corinthians?
De forma alguma. O pessoal rotulou o Rildo como fator de minha saída, mas isso não aconteceu de maneira alguma. O Rildo é meu amigo, eu tinha um relacionamento muito bom com todo grupo, comissão técnica, diretoria, mas eu recebi uma proposta do Grêmio. É um clube que eu gosto, que eu tinha vontade de voltar. Sempre deixei claro que me sinto em casa aqui. Quando recebi a proposta, as primeiras pessoas que fui procurar foram Tite e o Edu. Duas pessoas que sempre conversaram olho no olho comigo. Sempre foram fiéis neste sentido, não teria como ser diferente. Cheguei no Tite, falei da proposta, ele disse que não me liberaria, que precisava pensar. Daí no outro dia, a mesma coisa. Disse que tinha eu e o Fágner, que daqui a pouco o Fágner ia embora e eu iria jogar. Como eu queria, falei que minha família era daqui, que queria voltar. Disse que sou muito grato pelo que fez comigo até aqui, mas que era hora de eu sair, seguir meu caminho. Ele, como um pai, e quando me despedi acabei chorando, ele também, é uma pessoa que considero com todo coração. 
 
Seleção acertou com ele?
Não digo que o Dunga seja um mal técnico. Nunca trabalhei com ele, mas pessoas próximas que trabalharam sempre me disseram que é uma pessoa muito do bem. Mas acredito que pelo momento do Tite, por esperar outras oportunidades e não assumir, só agora, tenho certeza que vai fazer um trabalho excepcional. O povo brasileiro vê essa transparência, este jeito dele de ser, de transparecer, que eu acho que o povo brasileiro vai se aproximar mais da seleção. Isso estava faltando. Hoje a maioria do povo não vê mais a seleção como era antigamente, que parava o trabalho, que parava tudo para assistir. Espero que com a ida dele para seleção, os jogadores também entendam o método de trabalho, saibam que ali está uma pessoa muito correta, e tem tudo para dar certo. 
 
Que Grêmio você encontrou na volta?
Eu peguei a inauguração da Arena. Não joguei, mas estava ali no banco de reservas. Encontrei o Grêmio em um estágio muito avançado. Além do CT, da Arena, também em um grupo muito bom de trabalho, com um treinador no mesmo perfil do Tite, querendo mostrar trabalho e vencer. Quando recebia  proposta do Guerra (Alberto, vice de futebol), um dos motivos que disse para ele de querer voltar era para ganhar um título. Tem 15 anos (que o Grêmio não ganha um título importante), é um clube que eu gosto, vou morar aqui depois de parar de jogar e quero deixar meu nome marcado na história. Desde que eu cheguei eu coloco na cabeça dos companheiros que podemos ganhar, vencer, para que encontremos o caminho do título. É isso que a torcida quer. 
 
Roger e Tite
São bem parecidos, sim. São treinadores com mesmo estilo de trabalho e metodologia. Eles conversam com o jogador olhando no olho, falam o que precisa ser dito. Este estilo de conversa, de pedir o que precisa deixa o jogador confortável para fazer o seu trabalho. O Roger mesmo foi jogador do Tite e sempre fala que se espelha nele. Ele tem muita vontade de vencer, de conquistar títulos e mostrar seu trabalho. Tenho certeza que vai conseguir isso aqui no Grêmio.
 
Olímpico
Quanto ao Olímpico, e eu já joguei lá, fico triste de não poder jogar mais lá. Claro que agora estamos de casa nova, mas o torcedor também precisa entender isso. As histórias e os títulos do Olímpico vão ficar marcados, mas precisamos construir isso na Arena. A mística do Olímpico era muito forte e a gente só vai conseguir com o apoio do torcedor. Eles têm que entender isso e os jogadores precisam saber que precisamos construir uma história de títulos na Arena. 
 
A Arena é muito diferente?
Ainda é um tanto diferente. Eu vejo o estádio um pouco frio ainda. Eu sentia mais o calor no Olímpico. Só nós jogadores com espírito de luta, e os torcedores acreditando, que podemos reverter isso e fazer da Arena, não digo um novo Olímpico que nunca vai surgir, mas que possa trazer o calor para Arena. 
 
O Grêmio tem condições de quebrar o jejum neste ano?
Sem dúvida. Desde que eu cheguei, a primeira coisa que eu pensei foi no elenco e na chance de ganhar títulos. Temos totais condições. Sempre falo com Roger, com a direção, que mesmo estando bem, o Brasileiro é muito difícil e temos que nos reforçar, porque o campeonato é muito longo. Mas a direção também entende isso e para que conquistemos algo é necessário vir mais gente. Com o que temos aqui e a qualidade do Roger também podemos formar um elenco fortíssimo para ser campeão brasileiro. 
 
Problema com Vanderlei Luxemburgo no Grêmio...
É algo superado. Hoje com a experiência que eu tenho hoje, não falaria coisas que falei aquela época. Mas também não sou covarde de assumir meus erros e não ver que a outra parte também errou. Em uma das minhas melhores fases, em 2012, eu vinha numa sequência de jogos. Fiz um bom jogo contra o Figueirense, ganhamos de 4 a 0, e no jogo seguinte ele me tirou do time. Eu não entendi, achei aquilo errado. E tive uma atitude de meio que largar porque sabia que não teria mais oportunidades. Acho que, talvez com a experiência eu faria diferente. O Vanderlei é um dos melhores treinadores do Brasil, tem uma história linda no futebol. Se um dia eu tiver a oportunidade, pedirei desculpas pelo ocorrido. 
 
Kléber Gladiador
Kléber é um amigo que tenho no futebol. Um cara muito do bem. Sofreu muito com lesões no Grêmio. Quando fui para o Corinthians, perdi um pouco o contato com ele e não soube o que aconteceu aqui. Mas ele é um cara que mesmo às vezes machucado estava em campo tentando ajudar. O Grêmio foi muito importante para ele e ele para o clube. Poderia ter dado ainda mais para o clube, mas as lesões que aconteceram fizeram com que ele saísse. 

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