Acusado de estupro, Jobson também responde a processo por ameaçar cunhada

Vinícius Segalla

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Internet

    Jobson em imagem do dia em que foi preso pela 1ª vez, em janeiro de 2010, por dirigir embriagado

    Jobson em imagem do dia em que foi preso pela 1ª vez, em janeiro de 2010, por dirigir embriagado

O jogador Jobson, preso na última quinta-feira no Pará acusado de estuprar quatro meninas entre 12 e 14 anos, responde, além desse caso, também a um processo criminal por ameaça, injúria e difamação de uma ex-cunhada. 

Os supostos crimes, que teriam ocorrido no ano de 2013 e estão sendo julgados no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, se somam a uma lista de infortúnios por que já passou o atleta ao longo da vida, que incluem uso de crack, prisão por dirigir embriagado, suspensões no futebol profissional e até - segundo já disse - ter sido vítima de tortura e racismo por parte de policiais.

O processo a que responde na Justiça do DF é fruto de uma queixa-crime apresentada pela irmã de uma ex-namorada do atleta, a quem Jobson teria ameaçado e xingado em redes sociais.

De acordo com a acusação, no dia 11 de janeiro de 2013, Jobson se envolveu em uma discussão pelo celular com a então namorada, que se encontrava junto com a irmã, que resolveu intervir e acabou com discutir com o jogador. Na sequência, conforme apresentado em documentos anexos aos processo criminal, o atleta foi a uma rede social e postou a seguinte mensagem: "VOU TE PEGAR NA RETA SUA GORDINHA, VOU TE MOSTRAR QUEM SOU VACILONA."

Após a postagem, outras pessoas da rede social passaram a ofendê-la, com mais posts do jogador incitando os xingamentos. Indignada com as mensagens, a cunhada do atleta entrou em contato com ele dizendo que as postagens deveriam ser apagadas, ou ela iria a polícia dar queixa contra ele. O jogador respondeu: "Não vou tirar nada e não tenho medo de nada". Cópias de todas essas postagens constam no processo criminal que corre em Brasília.

Após o episódio, segundo informou à Justiça o advogado da vítima, a ex-cunhada de Jobson passou a sofrer humilhações. "Após todo o ocorrido, onde quer que vá, a vítima, que possui amigos do mesmo círculo de relações do atleta, se vê alvo de chacotas de conotação sexual, o que lhe causa imensa angústia e revolta e fez com que se isolasse cada vez mais de seu círculo", afirmou Willian Mariano Alves de Souza, do escritório Rodrigues Ribeiro Associados.

Além de pedir a condenação pelos crimes de ameaça, difamação e injúria (que somam pena de até dois anos de detenção), a defesa da vítima pede uma indenização por danos morais no valor de R$ 100.000. O processo se encontra em fase de conclusão. Jobson está sendo julgado à revelia, o que significa que jamais apresentou qualquer contestação dos fatos narrados ou defesa à Justiça. Assim, salvo o juizado encontre por si fraudes nas provas apresentadas, o atleta deverá ser condenado pelos crimes que lhe são imputados. 

Wesley Santos/Pressdigital
Por acusação de ter xingado e ameaçado uma ex-cunhada nas redes sociais, Jobson pode ser condenado a até dois anos de detenção e pagamento de indenização de R$ 100 mil


Álcool e drogas

As acusações de estupro e ameaça não são os únicos episódios negativos na carreira do atleta. Quando jogava pelo Botafogo-RJ, em julho do ano passado, Jobson foi preso por dirigir embriado em sua cidade natal, no interior do Pará.

Na ocasião, ele admitiu a conduta ilícita. Disse, contudo, que policiais militares abusaram de poder ao detê-lo já em sua casa por causa de seu comportamento no trânsito: "Fui surpreendido por dois soldados quando já estava em casa. Eles me agrediram. Bateram no meu rosto. Me arrastaram", relatou o jogador. "Foi tortura. Foi racismo." Ele passou dois dias preso e foi solto após pagar fiança de R$ 7.000.

Em outro episódio, em janeiro de 2010, Jobson pegou uma suspensão dos gramados por dois anos por uso de substância ilegal. Ele foi pego duas vezes em exames antidoping, e admitiu que era usuário de crack.

Finalmente, já neste ano, o jogador foi suspenso do futebol profissional até 2019, após punição imposta pela Federação Saudita de Futebol - onde atuava -  por ter se negado a fazer um exame antidoping. A Fifa deu validade mundial à pena. Assim, quando e se o jogador puder voltar a atuar profissionalmente, será aos 31 anos de idade.

Na última quinta, horas depois de sua prisão pelas acusações de estupro, Jobson foi chamado a depor na Polícia Civil do Pará, mas seguiu recomendação de seu advogado e permaneceu calado.

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