Promessas do Palmeiras lutam pra passar de ano e treinam de van ou carona

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • Palmeiras/Divulgação

    Vitinho e Artur passaram a treinar com os profissionais do Palmeiras em 2016

    Vitinho e Artur passaram a treinar com os profissionais do Palmeiras em 2016

Treinar na Academia de Futebol, jogar pelo Palmeiras e buscar uma vaga no concorrido time de Cuca. Essas são atividades da rotina dos atletas do clube alviverde. Dois deles, entretanto, precisam enfrentar mais um desafio: passar de ano para, enfim, concluir o ensino médio.

Esse é o caso de Vitinho e Artur, jogadores recém-promovidos à equipe profissional do Palmeiras. Ambos completaram 18 anos no começo deste ano e precisam conciliar os estudos com as atribuições como atletas.

Os dois, dessa forma, estão matriculados em escolas da zona norte de São Paulo, no período noturno. O atacante Artur, por exemplo, ainda mora no alojamento da base e estuda em um colégio a cinco quilômetros do CT do Palmeiras.

Para chegar à escola no horário da aula, é preciso correr. "Saio correndo para ir para lá. Começa às 19h e acaba às 23h30. Tem um transporte (uma van do clube) que vem pegar a gente aqui. Estou lá há um ano, desde o segundo ano (do ensino médio). É difícil, mas com esforço dá tudo certo", explicou o jogador em entrevista ao UOL Esporte.

Cesar Greco/Ag Palmeiras
Augusto e Vitinho (na frente) em ação no treino do Palmeiras na Academia

Vitinho, por sua vez, enfrentará mais dificuldades para passar de ano. Segundo o meio-campista, que jogou 13 minutos contra o América-MG no último sábado, a rotina atribulada como jogador do Palmeiras o impede de frequentar as aulas. A saída foi informar a direção da escola e estudar em casa, com professores particulares.

"Faz tempo que não vou, por causa dos jogos à noite, da concentração. Tive de me dedicar aqui. Estou longe há três meses. Já avisei a escola para eu não perder a minha vaga. Vou ficar sem nota, mas vou conseguir fechar tudo e passar de ano", disse.
 

Apoio do clube e dos colegas

 
Segundo o Palmeiras, o clube tem na base um departamento de serviço social. Ela serve para dar auxílio aos atletas em questões extracampo. Quando o Artur chegou ao clube há dois anos, o departamento de serviço social traçou seu perfil e, então, o direcionou para a escola. O atacante continua sob esses cuidados até agora, já que ainda é um jogador da base.
 
Cesar Greco/Ag Palmeiras
Artur completou 18 anos em fevereiro
 
Em relação às faltas de Vitinho, o clube frisou que promove diversas ações para mostrar a importância do estudo e incentivar a frequência. O Palmeiras garantiu também que incentiva as atividades de leitura individual ou em grupo com atletas alojados que faltem na escola.
 
Além de Artur e Vitinho, o zagueiro Augusto, de 19 anos, também passou a treinar com os profissionais. O atleta, porém, já conclui o ensino médio e só se dedica às atividades do clube como jogador.
 
Na escola, Vitinho recebia o apoio dos amigos. "Eles nunca imaginaram que eu viraria jogador profissional. Mas eu sabia que um dia ia chegar aqui. Eles brincam bastante, torcem por mim e para os times deles. Os palmeirenses me pedem camisas", disse. 
 
Artur ainda "sofre" com as brincadeiras dos companheiros de elenco do Palmeiras. "Faço lição de casa e estudo para as provas na concentração. O pessoal brinca e fala que vou largar o futebol para ser médico", relembrou o atacante, que sonha com a faculdade e a carreira de educação física.


Ônibus ou carona


O trio de garotos também tem hábitos diferentes em relação ao transporte. Artur, como já dito, utiliza uma van disponibilizada pelo Palmeiras, pois mora no alojamento da base - a família do atacante mora em Fortaleza. Já Vitinho e Augusto, sem carteira de motorista, precisam arrumar alternativas para trabalhar.
 
Cesar Greco/Ag Palmeiras
Vitinho já ganhou uma chance com Cuca
 
Augusto conta com as caronas do pai, que também ajuda Vitinho na locomoção. Os jogadores são vizinhos e moram no bairro Taipas, na zona norte da capital paulista. "A gente mora próximo e o CT é caminho do trabalho do pai dele", explicou o meia.
 
Mas Vitinho também recorre ao transporte público quando fica sem a carona. Para chegar no clube, ele pega dois ônibus até a residência dos pais. Nas últimas semanas, no entanto, o atleta ganhou mais uma opção depois de passar a dormir também na casa da sogra, no centro da cidade.
 
O meia ressalta ainda que evita pegar táxi ou Uber para economizar o salário. "Quero juntar meu dinheiro. O dinheiro vai embora assim (usando táxi ou Uber). Quando vou para casa, vou para o terminal Pirituba e de lá pego outro ônibus. Pego o Bilhete Único e vou", finalizou.
 

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