Promotor defende fechamento de bares em volta do estádio do Palmeiras

Vinícius Segalla

Do UOL, em São Paulo

Os bares e lanchonetes que funcionam nos arredores do estádio Allianz Parque, do Palmeiras, na zona oeste de São Paulo, estão na mira do Ministério Público. Os estabelecimentos, que se concentram nas ruas Palestra Itália (antiga Turiassu) e Caraíbas, costumam reunir milhares de palmeirenses antes, durante e depois das partidas do clube alviverde. E, para o promotor público Paulo Castilho, isso precisa acabar.

Na última quarta-feira (29), foi realizada uma audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo para discutir a conveniência de se realizar os clássicos na capital paulista com torcida única. A medida está em vigor atualmente, e o debate na Assembleia foi sobre tornar esta prática uma regra definitiva ou não.

Enquanto palestrava para uma plateia de parlamentares, jornalistas, cartolas e torcedores, o promotor Paulo Castilho, que fez uma defesa veemente dos clássicos com torcida única como forma de reduzir a violência nos estádios e arredores, voltou também suas baterias contra os bares do entorno do Allianz Parque:

"A grande maioria dos torcedores organizados não sabem se comportar civilizadamente, e nos obrigam a pensar em soluções para coibir sua violência. Temos que pensar em soluções para, por exemplo, fechar as sedes de torcidas no entorno do Allianz Parque. E também dar um jeito de não ter bares abertos por ali em dias de jogos. Os torcedores bebem, em garrafas de vidro, se concentram aos milhares ali, dificultando o controle e até a entrada na arena", disse o promotor. 

Ainda em sua fala durante a audiência pública, Castilho disse que acha difícil que suas teses sejam encampadas, "já que os clubes são reféns das torcidas organizadas". De fato, na audiência, tirando as autoridades policiais presentes, ninguém concordou com as teses do promotor, nem jornalistas, nem dirigentes de clubes e federações.


Polêmica antiga

As atividades que ocorrem no entorno do Allianz Parque dividem opiniões há anos. A Associação Amigos de Vila Pompeia, por exemplo, já entrou com um pedido de abertura de inquérito civil pedindo apuração dos transtornos ocorridos no bairro em dias de jogos.

Em entrevista ao UOL Esporte, Maria Antonieta de Lima e Silva, presidente da associação, disse que os problemas se agravaram depois da abertura da nova arena, em novembro de 2014. "Está bem pior. São mais torcedores agora. Não tem onde colocá-los. As pessoas ficam para fora. O bairro todo está arrebentado por causa do Palmeiras", afirma a moradora.

Já os torcedores que frequentam o local defendem a manutenção da atividade dos bares. É o caso, por exemplo, do publicitário Daniel Grilli, de 37 anos, frequentador assíduo do estádio palmeirense desde 1992, quando ia acompanhado de seu pai.

Para ele, a medida, se eventualmente posta em prática, não traria o efeito desejado. "É sempre a mesma minoria que se envolve em casos de violência. Eles brigam no metrô, em corredores de ônibus, no meio da rua, aonde for. Será que simplesmente proibir a venda de cerveja no entorno da nossa arena vai coibir essa violência?", indaga o torcedor.

Além disso, Grilli enxerga excesso de restrição de direitos na eventual medida. "Fechar os bares seria prejudicar milhares de pessoas para tentar impedir alguns de brigar. E não iria funcionar, apenas acabaria com um espaço de confraternização, que é uma das alegrias e do prazer que existe em assistir no estádio a uma partida de futebol".

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