Gabriel Jesus vira exceção diante de 'política de brasileiros' do Bayern

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo

  • Cesar Greco/Ag Palmeiras

    Gabriel Jesus atrai a atenção de vários clubes do futebol europeu, como o Bayern

    Gabriel Jesus atrai a atenção de vários clubes do futebol europeu, como o Bayern

A fase de Gabriel Jesus transcende o futebol brasileiro e desperta a atenção da Europa. Alguns clubes, inclusive, tornam o atacante de apenas 19 anos como uma exceção a uma velha política. O Bayern de Munique, antigamente reticente de buscar diretamente nomes no mercado sul-americano, trata a revelação palmeirense com outros olhos.

O Bayern sempre preferiu contratar jogadores brasileiros depois que eles já estivessem em algum clube europeu blindou-se desde o caso Breno, zagueiro brasileiro – hoje no São Paulo - que passou um ano e um mês em uma prisão alemã após incendiar a própria residência.

Presidente do clube alemão entre 2009 e 2014, Uli Hoeness estipulou a política de cautela sobre o mercado sul-americano, a qual atingiu diretamente os jogadores brasileiros. O clube passou a produzir tanto estudos técnicos quanto comportamentais sobre os atletas.

Desde Breno, brasileiros só desembarcaram na Baviera após experiência europeia. Foram quatro a partir da chegada do agora defensor do São Paulo: Luiz Gustavo (Hoffenheim-ALE), Rafinha (Genoa-ITA), Dante (Borussia Monchengladbach-ALE) e Douglas Costa (Shakhtar Donetsk-UCR).

A política era evidente até para os atletas. O veterano Zé Roberto, companheiro de Gabriel Jesus, admitiu esta cautela do Bayern de Munique no mercado. Ele mesmo só foi jogar no maior time da Alemanha depois de se destacar no Bayer Leverkusen e ter tido passagem também no Real Madrid.

"Gabriel Jesus é um atleta com muito potencial e um atleta com a cabeça muito boa, isso conta muito na Alemanha. Antes de o clube sondar o jogador, a primeira coisa que procuram saber é sobre o comportamento fora de campo, antes mesmo de ver o atleta me campo", contou, em entrevista coletiva recente.

Gabriel Jesus, segundo o veterano, preenche ambos os requisitos. "Gabriel pode jogar lá com as duas pernas nas costas. Ele é um jovem com a cabeça muito centrada e com o talento que tem. Se ele for para a Alemanha, eu sei que terá uma carreira vitoriosa", declarou Zé Roberto, segundo brasileiro com mais jogos com a camisa do Bayern (248, apenas 16 a menos do que Élber).

Élber, por sinal, é admirador de Gabriel Jesus. Ídolo do clube e antigo olheiro do Bayern, o ex-centroavante tratou de elogiar o atleta, em conversa também recente com o UOL Esporte.

"Ninguém do Bayern me procurou diretamente para falar do Gabriel Jesus, mas se perguntarem, eu sou o primeiro a indicar. Gosto muito do estilo dele e acredito que é um jogador que se encaixaria tranquilamente no estilo do Bayern de Munique", opinou.

Conversa com empresário

Apesar de o Barcelona monitorar Gabriel Jesus há mais de um ano, o clube alemão foi quem procurou diretamente o empresário Cristiano Simões, dono de 32,5% dos direitos econômicos do jovem atacante.

"Eu ouvi comentários que estão em São Paulo e vieram ver alguns jogos (pessoas ligadas ao Bayern). Conversei com um representante deles por telefone e fizeram algumas perguntas. Sondagem básica", declarou o empresário ao UOL Esporte no início do mês.

Os alemães, assim como Barcelona, Real Madrid, PSG e Manchester United, possuem uma cláusula preferencial para adquirir Gabriel Jesus. Por contrato, o quinteto levaria o atacante por 24 milhões de euros, multa estipulada para estes clubes – a rescisão do palmeirense está orçada em 40 milhões de euros.

Os direitos econômicos de Gabriel Jesus são divididos entre Cristiano (32,5%), Palmeiras (30%), Fábio Caran, outro empresário (22,5%) e o próprio jogador (15%). O atacante possui contrato com o clube alviverde até o final de 2019.

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