PF prende presidente de conselho da Minas Arena, que administra o Mineirão

Vinícius Segalla

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação/SECOPA

    Consórcio que administra o estádio também é investigado pelo Ministério Público de MG

    Consórcio que administra o estádio também é investigado pelo Ministério Público de MG

Foi preso na manhã desta segunda-feira o executivo Roberto Capobianco, presidente da empreiteira Construcap e do Conselho de Administração da Minas Arena, consórcio que reformou e administra o estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.

Ele foi preso temporariamente pela Polícia Federal na esteira da Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato, que investiga crimes de organização criminosa, cartel, fraudes licitatórias, corrupção e lavagem de dinheiro em contratos feitos com a Petrobras, especialmente com o Cenpes (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello).

Além da prisão de seu maior executivo, a Construcap sofreu, também nesta segunda-feira, uma operação de busca e apreensão em sua sede, em São Paulo. De acordo com a Polícia Federal, a empresa de Capobianco era uma das consorciadas do grupo de empreiteiras que construiu - via fraude na licitação e contrato superfaturado - a nova sede do centro de pesquisas.

Procuradas pela reportagem, a Construcap e a Minas Arena não informaram se haverá mudança no conselho administrativo do consórcio. Já o Governo do Estado de Minas Gerais, que contratou a Minas Arena para reformar e administrar o estádio público por 35 anos, ainda não se pronunciou.

Chamada "Abismo", a 31ª fase da Lava Jato ocorre no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e em São Paulo. O nome refere-se às tecnologias de exploração de gás e petróleo em águas profundas desenvolvidas pela Petrobras. Outro motivo da nomenclatura é "a demonstração que esquemas como estes identificados levaram a empresa aos recantos mais profundos da corrupção e da malversação do dinheiro público", diz a PF. Foram cumpridos nesta segunda 35 mandados de prisão e de busca e apreensão.


Minas Arena é suspeita de fraude contábil e desvio de R$ 35 mi

Roberto Capobianco foi preso nesta segunda em virtude do envolvimento de sua empresa com fraudes investigadas na Lava Jato. Mas, além disso, conforme revelou o UOL Esporte, as empreiteiras contratadas para reformar e administrar o Mineirão são suspeitas de terem desviado mais de R$ 35 milhões dos cofres públicos somente em 2013 e 2014, de acordo com documentos de uma investigação criminal em curso no Ministério Público de MG. As empresas negam.

Entre outras manobras, a Minas Arena (formada pelas empresas Construcap, Egesa e Hap Engenharia) teria fraudado números de seus balanços oficiais, como lucro líquido resultante da exploração do estádio e receitas obtidas com a venda de ingressos de jogos de Cruzeiro e Atlético-MG, a fim de tornar maiores os repasses financeiros transferidos pelo governo estadual à concessionária.

Nas próximas semanas, o chamado Procedimento de Investigação Criminal (PIC) do MP-MG deverá gerar denúncias à Justiça para processar os mentores do esquema pelos crimes de apropriação indébita, estelionato, fraude contábil, falsidade ideológica, sonegação fiscal e peculato. A investigação corre sob segredo de Justiça e o MP-MG não informa quais serão as pessoas que buscará responsabilizar pelo crime. O Governo de Minas diz que acompanha as investigações e que solicitou uma auditoria independente para rever os contratos firmados pela administração anterior.

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