Polícia prende 7 acusados de manipular resultados de jogos de futebol

Bruno Thadeu, Danilo Lavieri e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação/Rio Preto

    Partida (foto) entre Barueri 0 x 4 Rio Preto, pela A-3, teve interferência de apostadores

    Partida (foto) entre Barueri 0 x 4 Rio Preto, pela A-3, teve interferência de apostadores

A Polícia Civil prendeu nesta quarta-feira 7 pessoas acusadas de integrar quadrilha que operava na manipulação de resultados de futebol. Foram expedidos 10 mandados de prisão e dois de busca e apreensão. As prisões integram a Operação Game Over, que investiga a interferência de apostadores asiáticos em resultados de jogos.

A operação policial coordenada pela 5ª Delegacia de Polícia de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância (Drade) envolveu os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.

Segundo a polícia, um grupo de apostadores asiáticos acionava dirigentes e atletas de divisões inferiores oferecendo dinheiro em troca de combinação de resultados. Os apostadores procuravam os campeonatos das séries A-2 e A-3 do futebol paulista, além de torneios da elite de Norte e Nordeste.

A Federação Paulista de Futebol comemorou as prisões e disse que esse é um importante passo para combater a prática de manipulação de resultados (veja a nota completa no fim do texto). 

Asiático ofereceu R$ 160 mil para comprar jogo de clube interior paulista

Um dos detidos pela polícia tentou "comprar" jogo do América-SP. A revelação foi feita ao UOL Esporte pelo presidente do clube, José Carlos Pereira Neto.

De acordo com o mandatário, uma pessoa que se identificou como Anderson pediu para fazer fotos do treinamento do América. O indivíduo assistiu ao treino e procurou a presidência do time de Rio Preto alegando ter uma proposta financeira.

Recebido pelo presidente, Anderson veio acompanhado de um empresário asiático. Na sala, eles fizeram a proposta de manipulação de resultado do América. O presidente rejeitou.

"Ele veio ver os treinos, fotografou alguns jogadores e estava com um asiático junto. Ele disse inicialmente que os dois estavam interessados em jogadores nossos. Ele falou o seguinte: tem uma máfia asiática e o América é um time respeitadíssimo e eu quero manipular um jogo do América. Euu te dou R$ 160 mil. Eu não aceite. Eu não aceitei nada", frisou José Carlos Pereira Neto.

O esquema

Para não chamar a atenção, os apostadores procuravam campeonatos com menor visibilidade (Séries A-2 e A-3 do Paulistão). Além disso, apostadores acionavam clubes pequenos que possuem grandes dívidas, o que facilitaria a aceitação de dinheiro sujo.

Conforme o G1, um dos detidos é o ex-goleiro Carlos Lunna, que atuou no América-SP. Escutas telefônicas ligariam o ex-atleta à quadrilha formada por apostadores da China e Malásia.

"Nunca ganhei nem R$ 1, sou honesto, não tenho nada a ver com isso. Tem que ver os grandes. Passei pelo América, fui goleiro", disse Lunna ao G1. "Nunca manipulei nada".

Em março de 2016, o UOL Esporte publicou matéria sobre o jogo Rio Preto 4 x 0 Barueri. Atletas do Barueri contrários à manipulação de resultados denunciaram à reportagem que houve pedido da diretoria para que o time perdesse por goleada. Essa partida é investigada pela polícia civil.

Às vésperas da partida, dirigentes do Barueri se reuniram com empresários ligados aos supostos apostadores. Essa partida é investigada pela polícia civil.

Os jogadores do Barueri relutaram em "entregar" a partida por goleada, mas o time acabou sofrendo o quarto gol para o Rio Preto.

Federação Paulista alertou MP sobre tentativa de manipulação

A Federação Paulista tinha conhecimento da existência de asiáticos interessados em comprar jogos. A entidade ouviu presidentes de clubes que haviam sido procurados por apostadores. As denúncias levantadas pela Federação foram repassadas no início do ano para o Ministério Público.

"Até agora não há indícios que nos façam pensar em paralisar o campeonato, em refazer o jogo. Eles apostam de tudo gente, até cartão amarelo. O que poderíamos fazer, se comprovado, é punir clubes e atletas. O legal é que o Ministério já tem nomes de envolvidos, mas mantém isso em sigilo. Sabem como agem e é impressionante como eles conseguem entrar nesse meio", disse, em março, o vice-presidente da FPF, Fernando Solleiro.

"Eles vêm da Ásia, apostam em tudo, pedem placar, tempo, cartão. Já tem nomes, mas tudo em sigilo", complementou.

Nesta quarta-feira (6), a FPF também soltou nota oficial:

A Federação Paulista de Futebol vê a Operação Game Over, deflagrada nesta quarta-feira (6), como um importante passo para o combate à prática de manipulação de resultados no futebol.
A FPF informa que todas as denúncias ou suspeitas a que tivemos acesso sempre foram prontamente encaminhadas ao Ministério Público e contribuíram para esta investigação.
Lembramos que a FPF já vem tomando medidas de combate a estes delitos: criou o Comitê de Integridade, que apura suspeitas e atua de forma colaborativa com as autoridades competentes a fim de identificar supostas ilegalidades em partidas.
Além disso, contratamos a empresa suíça SportRadar, especializada em monitorar resultados suspeitos e possíveis manipulações de resultados.
Desta maneira, vamos continuar atuando no combate à manipulação de resultados, modalidade criminosa que acomete o futebol mundial.
 

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