Desmanche selado por Tite provoca encolhimento em estrutura do Corinthians

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Lucas Figueiredo/Mowa Press

    Entre as baixas do Corinthians está Edu Gaspar, agora na seleção brasileira

    Entre as baixas do Corinthians está Edu Gaspar, agora na seleção brasileira

A estrutura que envolve o futebol do Corinthians diminuiu nos últimos 12 meses em diferentes setores. As duas últimas baixas foram geradas pela ida de Tite, que levou companheiros para a seleção brasileira, e reforçaram a aposta do presidente Roberto de Andrade em seguir a vida corintiana com a estrutura profissional já montada. Em nenhum dos casos o clube foi ao mercado. 

A perda que gera maior preocupação em quem convive no CT Joaquim Grava é do gerente de futebol Edu Gaspar. Ele foi substituído pelo coordenador técnico Alessandro Nunes, que não recebeu reposição da função que realizava. 

Parte das preocupações estão ligadas ao papel importante que Alessandro desempenhava para tentar integrar as divisões de base ao profissional do Corinthians, uma demanda antiga e difícil de ser realizada. Nos últimos meses, o ex-lateral havia avançado nessa missão, que assegura tentar levar adiante agora como gerente. Por outro lado, a maior experiência de Edu Gaspar após quase seis anos na função também é considerada uma perda.

Além de Edu, Tite também conduziu o auxiliar e filho Matheus Bachi para a seleção brasileira. Ele havia sido incorporado como substituto para a saída do ex-lateral Sylvinho para a Inter de Milão-ITA em 2014. Agora, a aposta corintiana é que o analista de desempenho Fernando Lázaro seja ainda mais presente em atividades no campo e acumule, de certa forma, a posição de auxiliar. Ele também comanda o CIFUT (Centro de Inteligência em Futebol) do clube. 

Meses antes, outra baixa importante havia gerado preocupação no Corinthians. A saída do fisioterapeuta Bruno Mazzioti para o Shandong Luneng-CHN deixou um desfalque importante no trabalho de prevenção de lesões que contribuiu para as recuperações de Ronaldo, Paulo André, Alexandre Pato e Renato Augusto. A opção do clube neste caso foi em seguir com o quadro de fisioterapeutas. Luciano Rosa, analista biomecânico, é quem comanda esse processo referente a lesões atualmente. 

Em termos diretivos e políticos, o presidente Roberto de Andrade também optou por uma estrutura mais enxuta após a saída do diretor de futebol Sérgio Janikian há um ano. Desde então, o diretor adjunto Eduardo Ferreira ganhou espaço importante e se tornou homem de confiança de Roberto. Mesmo assim, de dois dirigentes o Corinthians passou a ter apenas um à frente do futebol. 

Nas divisões de base, a estrutura de comando do Corinthians também foi bastante enxugada. O ex-superintendente Marcelo Rospide se desligou da função em 2015, assim como o coordenador técnico Agnello Gonçalves. Recentemente, o clube ainda demitiu o gerente Fábio Barrozo por possível envolvimento em um desvio de dinheiro com o empresário americano Helmut Niki Apaza. 

Apesar das baixas, o Corinthians atualmente se mostra satisfeito em relação às respostas que teve, ainda que abrisse mão de profissionais de referência no mercado. Uma das filosofias pregadas internamente é justamente de que as saídas abriram oportunidades para profissionais que se aperfeiçoaram no próprio clube. 

Os efeitos e riscos do encolhimento da estrutura profissional no Corinthians:

Edu Gaspar: já possuía uma rede de relacionamentos com o mercado, comandava todo o departamento e resolvia problemas internos, de elenco, direção e comissão, de forma hábil. Como atuava em conjunto, o substituto Alessandro tem conhecimento da função. Os riscos estão na perda de um profissional experiente e no foco menor que o novo gerente poderá ter na integração com as divisões de base. 

Matheus Bachi: entre outras funções, o filho de Tite dava treinamentos e tinha uma relação muito próxima com alguns jogadores, o que auxiliava o treinador na gestão do elenco. Cristóvão dá mais espaço a Fernando Lázaro, que supre a ausência de Matheus no campo de treino. A atuação como um terceiro ajudante do técnico (Fábio Carille e Cassiano Jesus já têm a função) pode diminuir sua atuação no centro de análise de desempenho.

Bruno Mazzioti:  o Corinthians acredita que o trabalho foi distribuído entre outros fisioterapeutas, como Caio Mello e o analista Luciano Rosa, que trabalha para prevenir lesões. Houve crescimento de problemas físicos em 2016.

Sergio Janikian: como se trata de cargo não remunerado, normalmente os diretores não podem se dedicar integralmente à função. A presença de dois membros assegurava uma presença maior. Entretanto, não há sinais práticos de que a opção por uma estrutura mais enxuta tenha gerado problemas. 

Marcelo Rospide, Agnello Gonçalves e Fábio Barrozo: a função de todos é realizada por Claudinei Muza, que exercia função administrativa na gestão anterior. A avaliação de quem trabalha na base corintiana é que caiu a qualidade do trabalho de captação de atletas na gestão atual. Além disso, renovações de contratos de promessas importantes como Victor Moura e Caio Emerson se transformaram em imbróglios. 

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